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Enquanto o furacão Melissa avança com ventos de quase 300 km/h em direção ao Caribe oriental, uma arquiteta de Guantánamo tem atraído a atenção de milhares de cubanos com um aviso tão técnico quanto alarmante: “Não subestime a força do vento, isso pode lhe custar a vida”.
El texto foi publicado nesta segunda-feira em Facebook pela usuária Claudia Rafaela Ortiz Alba, que explicou que a mensagem foi escrita por sua irmã, uma arquiteta guantanamera com ampla experiência em campo durante desastres naturais.
A profissional não usa redes sociais, mas quis que seu guia chegasse às famílias do leste do país, as mais vulneráveis diante da passagem do furacão Melissa.
O aviso começa com uma advertência clara: um ciclone da magnitude de Melissa, com ventos de quase 300 quilômetros por hora, pode destruir até mesmo casas de concreto armado.
A arquiteta oferece uma avaliação prática para que as pessoas possam determinar se suas residências são seguras ou se devem evacuá-las imediatamente.
As casas de madeira ou com telhados leves não resistem. Uma rajada de um furacão de categoria quatro pode levantar objetos de mais de uma tonelada. Se você mora em uma casa assim, evacue. É um suicídio ficar dentro", escreveu.
A especialista detalha também que as habitações de alvenaria com coberturas leves correm quase o mesmo risco.
Embora suas paredes sejam de concreto, é importante observar que as fissuras, as paredes rachadas ou inclinadas e as estruturas envelhecidas podem colapsar sob a pressão do vento.
“Em Cuba, a construção está cada vez com menos qualidade. Hoje em dia, faz-se muito mal, e isso aumenta o perigo”, lamentou.
No caso das habitações de concreto com telhados pesados, a arquiteta recomenda uma revisão completa da estrutura, assegurando que não haja aço oxidado nem lajes danificadas.
“Se sua casa está boa estruturalmente, concentre-se em suas portas e janelas. Elas são o ponto fraco. Reforce-as com trancas ou tábuas. Não subestime o vento”, advertiu.
Mas mesmo essas casas sólidas não estão a salvo se estão perto do mar. “A menos de 200 metros da costa, evacue. Uma onda pode arrancar uma laje inteira de concreto. Eu vi com meus próprios olhos no furacão Ike, em 2008”, lembrou.
A arquiteta também ofereceu recomendações específicas para aqueles que vivem em edifícios multifamiliares ou construções de sistemas pré-fabricados, como os GPS, E-14 ou IMS, comuns no leste do país.
Nesses casos, ele insistiu em reforçar as janelas e evitar andares altos durante o impacto: “Quanto maior a altura, mais perigo. Se você perder uma janela, procure abrigo atrás da parede, encostado no chão, protegendo a cabeça e o abdômen”, indicou.
Seu guia conclui com uma lista de ações básicas: reforçar cristais com fita adesiva, cobri-los por fora com tábuas ou chapas de zinco e assegurar portas e varandas.
“O vento não perdoa. Uma corrente bem estruturada pode transformar qualquer objeto em um projétil mortal”, alertou.
Além da linguagem técnica, a mensagem se destaca pelo seu tom humano: “Cuide-se e cuide dos seus”, escreveu a arquiteta ao final, um gesto que comoveu milhares de usuários que compartilham sua publicação como se fosse um manual urgente para a sobrevivência.
O furacão Melissa, que avança com categoria 5 sobre o Caribe e ameaça a região oriental de Cuba, mantém as autoridades e a população em estado de alerta máxima.
Em um contexto de crise econômica e escassez de materiais, as recomendações dessa arquiteta se tornam vitais para um país que enfrenta outro desafio natural com poucos recursos, mas com a mesma determinação de resistir.
En nesse sentido, o regime anunciou que cerca de 650.000 pessoas seriam evacuadas no Leste de Cuba devido à proximidade do furacão Melissa.
Um total de 258.573 pessoas da província de Santiago de Cuba, cerca de 69.000 de Holguín, 139.914 de Guantánamo, 72.000 de Las Tunas e aproximadamente 110.000 de Granma terão que se deslocar de suas casas e se abrigar em casas de amigos ou familiares ou em centros de evacuação, informou a Presidência de Cuba.
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