Amarrados com fé: colocam fitas para “proteger” parque solar em Holguín dos poderosos ventos de Melissa

A Empresa Elétrica exibiu painéis "assegurados" com fitas para enfrentar o ciclone e desencadeou uma onda de piadas nas redes sociais. Usuários duvidam que as medidas suportem os ventos de Melissa. Outros questionam a falta de planejamento e a improvisação das autoridades.

O furacão Melissa e a engenharia revolucionária: fitas contra ventos de mais de 200 km/hFoto © Facebook/Empresa Elétrica Holguín

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As imagens de painéis solares amarrados com fitas no parque solar Serones II, em Mayarí, na província de Holguín, provocam dezenas de zombarias e incredulidade entre cubanos que questionam a eficácia dessas medidas diante de um furacão de grande intensidade como Melissa, uma categoria 4 na escala Saffir-Simpson.

“Os elétricos de Holguín redobramos os esforços para salvaguardar nossas instalações e garantir a continuidade do serviço elétrico, através de nossas fontes renováveis. A prevenção é nossa melhor aliada! Continuamos trabalhando com responsabilidade e compromisso pelo bem-estar do nosso povo”, escreveu a entidade em seu perfil de Facebook.

Captura do Facebook/Empresa Elétrica de Holguín

A mensagem, acompanhada de emojis e slogans de compromisso e unidade, pretendia transmitir confiança.

A cena se repetiu em Manzanillo, província de Granma, onde o jornalista Roberto Mesa Matos informou sobre trabalhos semelhantes no parque solar fotovoltaico Las Tapias.

“Diante do perigo representado pelo furacão Melissa, os construtores asseguram os locais onde serão instalados os painéis, fixam contêineres e mesas com fitas especiais”, publicou em seu perfil no Facebook, enquanto se referia à proteção de materiais e estruturas diante das chuvas e ventos.

Captura de Facebook/Roberto Mesa Matos

Mas o efeito foi o contrário. Em questão de horas, os comentários irônicos inundaram as redes.

“Já tenho a rede pronta para pegá-los de voo na Flórida”, escreveu um usuário. Outro ironizou: “Esses cordelinhos vão servir para usar como pipas os painéis solares”.

Foto: Empresa Elétrica Holguín

“Quando Melissa passar, os painéis estarão mais perto do sol”, comentou Alexander Martínez, enquanto outros sugeriram desmontá-los antes de vê-los voar.

“Era mais sensato retirá-los por alguns dias do que perdê-los, é um furacão, não uma chuva intensa”, apontou Julio César Chiong Fernández.

Outros, como Joan Llerena Reverón, opinaram: "essas fitas podem resistir aos intensos ventos, mas os painéis ficariam desprotegidos do que Melissa pode trazer ou remover, já que pode lançar areia, pedras, entulho e outros materiais contra os painéis, danificando-os parcial ou totalmente; deveriam protegê-los mais."

Foto: Facebook/Roberto Mesa Matos

As zombarias refletem o crescente ceticismo sobre a preparação real das autoridades frente ao fenômeno meteorológico, e a sensação generalizada de que a prevenção se tornou mais um slogan do que uma política efetiva.

Em maio, a UNE assegurou que os parques solares instalados no país são projetados para resistir a furacões de grande intensidade, inclusive de categoria 4, cujos ventos podem chegar a 228 km/h.

A afirmação foi publicada no mural do da entidade estatal, para a qual foram citados dados do livro "Energía Fotovoltaica para Cuba", do professor Daniel Stolik, considerado pioneiro nesta área.

Foto: Facebook/Roberto Mesa Matos

Segundo a UNE, os módulos solares instalados possuem testes de resistência ao vento e ao granizo realizados pelos próprios fabricantes, e têm uma vida útil estimada de 25 anos.

Entre os fatores que aumentariam sua resistência, foram mencionados a baixa altura dos painéis, sua inclinação para o sul, o design em fileiras que freia o vento, a presença de obstáculos naturais e o relevo do terreno.

Al respeito, Yulié Salgado Barrizonte, diretor da construção do parque fotovoltaico La Barbarita em Consolação do Sul, afirmou então que o sistema chinês utilizado não está projetado para ser desmontado diante de eventos climáticos extremos, e que em experiências anteriores os danos após a passagem de furacões como Ian (setembro de 2022) foram "quase nulos".

El furacão Melissa, com categoria 4 e ventos de 220 quilômetros por hora e rajadas superiores, avança lentamente pelo Caribe, ameaçando afetar o leste de Cuba nas próximas horas.

Os especialistas preveem que o sistema se desloque gradualmente para o norte e nordeste entre segunda-feira e terça-feira, aproximando-se perigosamente do leste cubano.

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