Programa estatal revela roubo de combustível em geradores de La Habana para vendê-lo a boteros: Assim operava a rede

Um programa de TV revelou uma rede de roubo de combustível em Havana, onde trabalhadores e moradores desviavam diesel de geradores para vendê-lo a transportadores, agravando os apagões na cidade.

Humberto López denuncia uma rede de roubo de combustível; ao lado, parque de grupos geradores em Havana.Foto © Collage/Canal Caribe e Cubadebate

Enquanto Havana mergulha a cada noite na escuridão dos apagões, parte do combustível destinado a manter os geradores do país funcionando acabava nos tanques dos boteros.

Assim revelou um programa do canal estatal Canal Caribe, que expôs uma rede de roubo e venda ilegal de diesel em instalações elétricas da capital, com a cumplicidade de trabalhadores do sistema e moradores da área.

O caso mais grave ocorreu no gerador de Berroa, onde, conforme explicou o tenente-coronel Asmel Rojas Águila, segundo chefe do departamento econômico-social do DTI do Ministério do Interior (MININT), operários, chefes de brigada, seguranças e residentes próximos se uniram para subtrair combustível de forma sistemática.

Desde as residências contíguas ao local, o diesel roubado era armazenado e vendido a transportadores privados, incluindo boteros legais e ilegais. O oficial mostrou imagens de tanques de 20 e 25 litros, dinheiro em espécie e telefones celulares que serviram como prova do esquema clandestino.

“Por consenso, operários, chefe de brigada, agente de segurança e vizinhos se apropriaram do combustível, que posteriormente era comercializado para os boteros”, precisou o oficial no programa Hacemos Cuba.

A Procuradoria de Havana confirmou que o caso está em fase preparatória de investigação e que os envolvidos enfrentam acusações de sabotagem, um delito que, segundo a legislação cubana, pode ser punido com penas de sete a trinta anos de prisão.

“Por causa do dano que causa ao sistema eletroenergético e ao povo, esses fatos são considerados sabotagem”, explicou a procuradora-chefe Yudenia San Miguel Ramírez.

O reportagens televisivas também mostraram outros casos similares. Em Güines, Mayabeque, pequenos agricultores chegavam de carroça ou a cavalo para comprar combustível extraído dos grupos geradores, utilizado para movimentar turbinas ou arar a terra.

Em Havana 220, um vazamento de diesel caiu sobre cabos elétricos, criando um risco de incêndio que, segundo diretores da União Elétrica, poderia ter destruído todo o local.

O próprio Rojas Águila revelou que, entre janeiro e agosto de 2025, o MININT recuperou mais de 350 mil litros de combustível roubado, embora tenha reconhecido que grande parte do desvio nunca é recuperada.

A empresa de geradores e serviços elétricos e a CUPET afirmaram estar reforçando os controles internos, enquanto admitem que os roubos são difíceis de detectar e que, em muitos casos, envolvem diretores e seguranças.

Durante a transmissão, os funcionários insistiram que o roubo de combustível não tem apenas um impacto econômico, mas afeta diretamente milhares de famílias que dependem desses geradores durante as quedas de energia.

Um litro de diesel roubado, disseram, pode significar horas de escuridão para um bairro inteiro. Segundo cálculos oficiais, os 350 mil litros recuperados teriam sido suficientes para abastecer 5.500 residências durante um mês.

Em seu encerramento, o apresentador do programa fez um aviso que ressoou além do estúdio:

"Roubar os recursos do povo será sempre algo muito grave. Mas se se trata do combustível que mantém acesa a luz dos cubanos, o dano se multiplica. Aquele que rouba esse combustível nos deixa a todos às escuras."

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