Pacientes oncológicos sem receber tratamento devido à falta de insumos

A ativista cubana Guelmi Abdul denunciou que vários pacientes foram mandados de volta para casa sem receber quimioterapia no Hospital Provincial "Antonio Luaces Iraola", por falta de equipamentos de venóclise.

Hospital Provincial General Docente Doutor Antonio Luaces Iraola (Imagem de referência)Foto © Invasor / Osvaldo Gutiérrez Gómez

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A ativista cubana Guelmi Abdul denunciou publicamente nesta segunda-feira nas redes sociais que vários pacientes do serviço de oncologia do Hospital Provincial "Antonio Luaces Iraola", em Ciego de Ávila, foram enviados de volta para casa sem receber tratamento de quimioterapia devido à falta de equipamentos de venoclise, um insumo essencial para a aplicação de medicamentos intravenosos.

“Neste minuto 10:20 da manhã, os pacientes de oncologia do hospital estão sem poder receber tratamento. Somente serão atendidos aqueles que trouxeram seu trecho de soro. Os demais, para suas casas. Esta é a realidade, dói, sim, dói... mas é necessário mostrá-la”, escreveu Abdul em sua conta do Facebook.

Segundo a ativista, os tratamentos foram reprogramados para o próximo mês, o que representa uma ameaça direta para pessoas com doenças graves. "Não há escassez, há miséria, que é distinto e diferente. Porque se há para os grandes chefes, deve haver para os infelizes do povo", lamentou.

Facebook / Guelmi Abdul

A denúncia provocou um amplo eco nas redes sociais. O jornalista e ativista camagüeyano José Luis Tan Estrada compartilhou a publicação em seu muro. "Sólo estão sendo atendidos aqueles que trazem sua venoclise comprada de fora, a 250 ou 300 CUP, sem contar o mensageiro. Os que não têm, têm que esperar até o mês que vem", escreveu. Além disso, assinalou a gravidade do silêncio institucional: "Enquanto isso, não foi oferecida uma solução imediata por parte das autoridades sanitárias".

Facebook / José Luis Tan Estrada

Entre os comentários à sua própria publicação, Abdul também questionou diretamente uma funcionária do hospital que tentou justificar a situação: “Se sentisse humanidade, amor, empatia e sentisse a dor de um paciente oncológico, estaria gritando ao mundo buscando seus equipamentos de venoclise, reclamando de seus chefes, e não justificando tantas mentiras em um país colapsado”.

A publicação gerou uma onda de reações entre pacientes, familiares e cidadãos de todo o país. Alguns comentários descreveram a situação como um “genocídio silencioso”, “abandono total” e “uma morte lenta”, enquanto outros lamentaram ter que recorrer ao mercado negro para adquirir equipamentos de venoclise, cujos preços variariam entre 250 e 300 pesos cubanos. Também houve respostas de usuários que defenderam a entrega do pessoal médico, assegurando que a equipe de oncologia “faz o impossível” para atender os pacientes, mesmo em meio à escassez. Algumas intervenções, por outro lado, buscaram justificar a situação a partir de uma postura mais alinhada ao discurso institucional, alegando que o problema não é culpa do hospital, mas do contexto geral do país.

O hospital Antonio Luaces Iraola tem sido palco de outras denúncias recentes. Em setembro, CiberCuba reportou o caso de um paciente recém-operado que ficou preso em um elevador quebrado dentro do centro médico, sem assistência do pessoal e sem energia de backup para os sistemas críticos.

A denúncia de Abdul se junta a outras alertas sobre o deterioro progressivo do sistema de saúde cubano, como o caso do Hospital Pediátrico de Camagüey, onde há poucos dias uma mãe relatou o atendimento de dezenas de crianças por uma única pediatra, em meio a um surto de dengue.

Até o momento, o Ministério da Saúde Pública (MINSAP) não emitiu nenhum pronunciamento oficial sobre a situação em Ciego de Ávila nem explicou por que os pacientes oncológicos devem fornecer seus próprios insumos para poder receber tratamento.

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