Marrero promete soluções para a crise do dengue: "Sim, é possível"

Cuba enfrenta uma crise sanitária por causa do dengue, com os hospitais à beira do colapso. Marrero promete controlá-la, mas faltam recursos básicos como inseticidas e combustível para a fumvação.

O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz durante uma reunião com autoridades territoriais.Foto © Facebook/Governo Cuba

O primeiro-ministro de Cuba, Manuel Marrero Cruz, prometeu que o país "sim pode" controlar a crise sanitária provocada pelo dengue, em meio a uma das piores situações epidemiológicas dos últimos anos, com transmissão ativa do vírus em várias províncias e hospitais à beira do colapso.

“Isso pode ser controlado, mesmo em um curto período, mas é necessário dedicar toda a força que exige e os meios necessários”, garantiu o chefe de Governo, em uma videoconferência do Palácio da Revolução.

Captura de Facebook/Governo Cuba

O encontro, que contou com a presença do vice-presidente Salvador Valdés Mesa, abordou também a situação econômica e a atenção a programas sociais, mas o tema sanitário marcou o tom da reunião. Marrero insistiu na necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica, garantir os tratamentos inseticidas e manter a população informada, “desmentindo onde for necessário desmentir”.

Suas declarações chegam em um contexto de crescente alarme pela propagação do dengue, chikungunya e da febre de Oropouche, que circulam simultaneamente em pelo menos uma dúzia de províncias, segundo relatórios do próprio Ministério da Saúde Pública (MINSAP).

Em Ciego de Ávila, as autoridades locais confirmaram transmissão ativa nos municípios de Morón e na sede provincial, com um aumento contínuo de casos febris e uma alta infestação do mosquito transmissor.

Enquanto Marrero pede para “buscar soluções”, os diretores de Saúde Pública admitem que faltam recursos básicos. A vice-ministra Carilda Peña reconheceu recentemente que não há combustível suficiente para fumigar e recomendou à população “queimem cascas de cítricos” como um método caseiro para espantar os mosquitos.

A declaração, amplamente criticada nas redes sociais, evidenciou a precariedade do sistema de saúde cubano, onde os hospitais sofrem com a escassez de medicamentos, inseticidas e pessoal médico.

O Instituto de Medicina Tropical Pedro Kourí (IPK) confirmou que as condições ambientais —calor, chuvas, acúmulo de lixo e deficiências no abastecimento de água— têm favorecido a expansão dos vírus, com impacto especial em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

A doutora María Guadalupe Guzmán, chefe do Centro de Pesquisa do IPK, explicou que a dengue e a chikungunya são hoje as doenças virais de maior circulação em Cuba e alertou sobre a vulnerabilidade da população diante da rápida propagação do vetor.

Em bairros de várias províncias, os testemunhos apontam para uma realidade muito diferente do otimismo oficial. Moradores de Ciro Redondo, em Ciego de Ávila, denunciaram que vivem entre águas pestilentas e larvas há mais de um mês, sem respostas das autoridades ou ações efetivas do Acueducto. Em hospitais pediátricos de Havana e Camagüey, pais relatam superlotação, falta de atendimento médico e condições insalubres.

Apesar dos números crescentes de contágios e do reconhecimento oficial de três mortes por dengue até o momento deste ano, o discurso governamental se apega a uma retórica de resistência e controle.

Marrero apelou à disciplina, ao trabalho das equipes e ao “espírito de luta” para superar a crise sanitária. No entanto, nos bairros cubanos, onde há escassez de repelentes, mosquiteiros e água limpa, muitos cidadãos repetem outra frase: “Sim, é possível… mas sem recursos, não.”

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