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O governo de Cuba deve à Argentina mais de 3000 milhões de dólares de uma dívida que começou a se formar na década de setenta.
Os montantes atualizados oficiais do Banco de Investimento e Comércio Exterior (BICE), cujos registros contábeis estão registrados após uma capitalização em 2011, foram consultados pelo jornal La Nación.
A dívida registrada é de US$1278,75 milhões, mas os juros superam o próprio capital da dívida e, até agosto deste ano, eram de US$1722,06 milhões, conforme precisa a informação
Além disso, os juros estão aumentando, e entre março do ano passado e o último dado disponível de 2025, aumentaram exatamente US$113,28 milhões.
Atrás da ilha, a República Cooperativa da Guiana e a República Centro-Africana completam a tríade dos principais devedores da Argentina.
No entanto, os valores desses outros devedores estão muito distantes da ilha
A Guiana deve originalmente US$4,51 milhões, que, com juros acumulados e compensatórios, chega a US$17,81 milhões.
Por sua parte, a República Centro-Africana deve US$43,12 milhões.
Origem da dívida
A Nação explica que Cuba é o principal devedor da Argentina devido a uma dívida criada em 24 de agosto de 1973, durante a presidência de Raúl Lastiri, que herdou a gestão de Héctor J. Cámpora, que era um testaferro de Perón.
José Ber Gelbard, ministro da Economia de Lastiri, concedeu a Cuba US$600 milhões para financiar a venda de tratores, maquinário agrícola, caminhões e veículos.
Em troca, a Argentina exportaria Fiat 125, Renault 12, Ford Falcon, Ami 8 e Peugeot 404 para o regime castrista.
O plano exportador começou durante o governo de Héctor Cámpora, continuou sob a ditadura e se estendeu até a presidência de Raúl Alfonsín, precisa a nota.
Intenções de cobrar a dívida
O governo cubano recebeu o crédito, mas nunca pagou o valor total. Desde então, foram vários os governos argentinos que tentaram a cobrança, sem sucesso.
Somente durante a presidência de Raúl Alfonsín, Cuba fez pagamentos de US$102 milhões em 1988 e de US$98,6 milhões no ano seguinte.
Entre janeiro e agosto de 1995, durante as presidências de Carlos Menem, a Argentina enviou a Havana várias missões para avançar na conciliação.
No dia 25 de agosto daquele ano, foi determinado o montante: US$ 1.278 milhões, ao qual foi aplicada a taxa Libor -- de referência no mercado de capitais britânico -- mais 1,5 pontos percentuais. Assim terminou a negociação.
Por sua parte, ao inaugurar seu mandato, Néstor Kirchner encarregou o chanceler Rafael Bielsa de viajar a Havana para iniciar as negociações de cobrança.
O funcionário apresentou uma proposta acordada com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, que contemplava a aceitação de tecnologia para medicamentos e tratamento de deficiências, além de converter parte da dívida em bônus no mercado argentino que permitissem aos seus detentores participar da indústria turística cubana.
Esta última era uma ideia do subsecretário de Assuntos Latino-americanos, Eduardo Sguiglia. Bielsa tentou cobrar a dívida até o final de sua gestão, mas sem resultados.
O chanceler inclusive viajou a Cuba em outubro de 2003 e conversou sobre o tema com Fidel Castro, que o teria encaminhado a Francisco Soberón, presidente do Banco Central. Mas as negociações ficaram nesse ponto.
Marcos Peña, o chefe de gabinete de Mauricio Macri, retomou a tarefa. Quando ele ia viajar para discutir o assunto, um furacão atingiu a ilha e a missão foi suspensa.
Perguntas Frequentes sobre a Dívida de Cuba com a Argentina
Quanto Cuba deve à Argentina e por que essa dívida se originou?
Cuba deve à Argentina mais de 3 bilhões de dólares, uma dívida que se originou em 1973 durante a presidência de Raúl Lastiri. Foram emprestados 600 milhões de dólares para financiar a venda de máquinas agrícolas e veículos. O regime cubano pagou parcialmente, mas os juros superaram o capital original.
Por que Cuba não pagou sua dívida com a Argentina?
O regime cubano alegou falta de liquidez para não pagar a dívida, embora documentos vazados mostrem que a GAESA, um conglomerado militar cubano, tem mais de 18 bilhões de dólares em reservas. Isso sugere que a falta de vontade, mais do que a capacidade, pode ser a razão por trás do não pagamento.
Que tentativas a Argentina fez para cobrar a dívida de Cuba?
Argentina tentou várias vezes reivindicar a dívida, desde enviar missões a Cuba até propor aceitar tecnologia médica como parte do pagamento. No entanto, todas as tentativas falharam. A dívida continua pendente, e os juros continuam a aumentar.
Como a dívida de Cuba afeta sua relação com outros países?
A dívida com a Argentina é apenas uma parte do problema mais amplo de Cuba com seus credores internacionais. O regime cubano descumpriu acordos de reestruturação de dívida com vários países, o que afetou sua credibilidade e relações econômicas. A situação levou a questionamentos sobre a transparência e a disposição de pagamento de Cuba.
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