EUA fora do top 10 dos passaportes mais poderosos do mundo e o cubano cai ainda mais

Em 2014, ocupava o primeiro lugar do ranking ao lado do Reino Unido.


Vídeos relacionados:

Pel primeira vez nos 20 anos de história do Henley Passport Index, o passaporte dos Estados Unidos foi deslocado do top 10 dos mais poderosos do mundo.

Na edição publicada em outubro de 2025, o país caiu para a 12ª posição, empatado com a Malásia, com acesso sem necessidade de visto a 180 dos 227 destinos avaliados.

Fonte: Captura do Henley Passport Index

Christian H. Kaelin, presidente da Henley & Partners, foi enfático ao avaliar o retrocesso: “A diminuição da força do passaporte americano na última década é mais do que uma simples reorganização nas classificações: indica uma mudança fundamental na mobilidade global e na dinâmica do poder brando”.

Durante anos, o passaporte americano foi sinônimo de privilégio internacional.

Em 2014, ocupava o primeiro lugar no ranking junto com o Reino Unido.

Em 2024, ainda mantinha a sétima posição, e para meados de 2025 havia caído para o décimo lugar. Hoje, ocupa a décima segunda posição.

Razões do retrocesso: Reciprocidade e isolamento

Meios de comunicação revelam que a perda de poder do passaporte americano se explica principalmente pelo endurecimento das políticas migratórias recíprocas.

Os Estados Unidos permitem a entrada sem visto para apenas 46 nacionalidades, enquanto seus cidadãos podem ingressar sem visto em 180 destinos.

Essa assimetria gerou respostas de vários países:

O Brasil restabeleceu em abril de 2025 o requisito de visto para cidadãos americanos, canadenses e australianos, após anos de isenção.

A China e o Vietnã ampliaram recentemente suas listas de países com acesso sem visto, mas excluíram os Estados Unidos.

Somália, Papua Nova Guiné e Mianmar implementaram novas restrições ou sistemas de visto eletrônico que afetam negativamente a pontuação dos EUA.

Annie Pforzheimer, associada do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, atribui parte do declínio a uma política externa isolacionista:

“A mentalidade isolacionista dos Estados Unidos agora se reflete na perda de poder de seu passaporte”, afirmou Pforzheimer.

Impacto em cidadãos, viajantes e empresários

A queda no índice tem consequências práticas imediatas. Para turistas, empresários, estudantes e profissionais, as mudanças significam mais trâmites, tempos de espera prolongados e possíveis custos adicionais.

A crescente complexidade levou muitos americanos a buscar estratégias alternativas de mobilidade, como a dupla cidadania.

Según Peter J. Spiro, professor de direito na Universidade de Temple, “a cidadania múltipla está se normalizando na sociedade americana”.

O caso de Cuba: Cada vez pior

No extremo oposto do espectro encontra-se Cuba, cujo passaporte continua figurando entre os mais fracos do mundo.

Em julho de 2025, o país ocupava a 76ª posição, mas na última atualização caiu para a 83ª, empatado com o Togo.

Fonte: Captura do Henley Passport Index

Os cubanos só podem viajar sem visto para 59 destinos - um a menos do que em julho - uma cifra que reflete não apenas seu poder diplomático limitado, mas também a profunda desvantagem em que se encontram os cubanos.

Este número contrasta com os 193 destinos acessíveis sem visto para os cidadãos de Cingapura e os 180 para os estadunidenses, apesar da queda.

A situação do passaporte cubano evidencia a escassa reciprocidade dos acordos bilaterais e a forte dependência de autorizações prévias para quase qualquer viagem ao exterior.

A nova elite da mobilidade global

Enquanto os Estados Unidos perdem posições e o passaporte cubano se reafirma como um dos piores do mundo, outras nações têm capitalizado a abertura e a diplomacia bilateral:

Cingapura lidera o ranking com acesso sem visto a 193 destinos.

A Coreia do Sul ocupa o segundo lugar com 190 destinos.

-Japão, terceiro, com 189.

Alemanha, Itália, Espanha, Suíça e Luxemburgo seguem de perto com 188 destinos.

Em contraste, potências tradicionais como o Reino Unido também caíram; atualmente ocupa o oitavo lugar, ao lado dos Emirados Árabes Unidos e de outros países europeus.

A China, por sua vez, protagonizou um dos ascensos mais notáveis: da 94ª posição em 2015 para a 64ª em 2025, ganhando acesso sem visto a 37 destinos a mais na última década.

O Henley Passport Index é uma classificação global elaborada pela empresa britânica Henley & Partners, especializada em consultoria sobre cidadania e residência internacional.

Baseado em dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o índice avalia quantos destinos um cidadão pode visitar sem a necessidade de visto prévio e é atualizado periodicamente para refletir as mudanças nas políticas migratórias e acordos bilaterais.

Desde sua criação há duas décadas, tornou-se uma referência crucial para medir a liberdade de movimento e o poder diplomático dos passaportes em todo o mundo.

Perguntas frequentes sobre o poder dos passaportes e as restrições de viagem

Por que caiu o poder do passaporte americano no Henley Passport Index?

O poder do passaporte americano diminuiu principalmente devido a um endurecimento das políticas migratórias recíprocas, o que gerou respostas de outros países que restabeleceram requisitos de visto para os cidadãos dos EUA. Além disso, a política externa isolacionista do país contribuiu para a sua perda de posição no ranking.

Qual é a situação do passaporte cubano no ranking global?

O passaporte cubano está entre os mais fracos do mundo, ocupando a 83ª posição no Henley Passport Index. Os cubanos podem viajar sem visto para apenas 59 destinos, o que reflete seu limitado poder diplomático e a escassa reciprocidade em acordos bilaterais.

Quais países lideram o Henley Passport Index em 2025?

Singapura lidera o ranking com acesso sem visto a 193 destinos. Em seguida, vêm a Coreia do Sul e o Japão, com 190 e 189 destinos, respectivamente. Esses países têm capitalizado a abertura e a diplomacia bilateral para melhorar sua posição no índice.

Quais são as novas restrições de viagem impostas pelos EUA a Cuba?

Os Estados Unidos impuseram restrições parciais aos cidadãos cubanos, suspendendo a entrada sob as categorias de visto B-1, B-2, B-1/B-2, F, M e J. Isso se deve à designação de Cuba como um "Estado patrocinador do terrorismo" e à falta de cooperação no cumprimento da lei e nas repatriações.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.