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O Instituto Superior de Design Industrial (ISDI), uma das instituições acadêmicas mais emblemáticas de Havana, foi completamente saqueado após ficar sem vigilância.
O diretor de arte do ICAIC, Luis Lacosta, denunciou essa lamentável situação em uma publicação no Facebook e qualificou o fato como “vandalismo alarmante total”.
Lacosta explicou que o edifício, localizado na rua Belascoaín, no município Centro Habana, teria ficado sem custódia após o desabamento parcial em um de seus cantos, situação que foi aproveitada por pessoas que, segundo moradores da região, começaram a levar móveis, mesas de desenho, televisores, aparelhos de ar-condicionado e documentos institucionais.
O diretor de arte assegurou que o saqueo não apenas provocou a perda de recursos materiais, mas também de teses de graduação, palestras e arquivos históricos que faziam parte do patrimônio do instituto.
“Isso já é mais do que preocupante. Desde o desabamento, parece que ficou sem vigilância e foram levando tudo o que havia. Até portas e janelas desapareceram”, escreveu.
Lacosta questionou a falta de resposta das autoridades diante do ocorrido e exigiu explicações sobre como uma instituição universitária pôde ficar abandonada a ponto de ser devastada.
“O que o Estado cubano poderá responder ao povo? Nossos museus estão seguros quando a criminalidade já conhece o valor do nosso patrimônio?”, questionou.
Nas fotografias compartilhadas pelo artista, são visíveis os buracos onde antes estavam portas e janelas, inclusive a principal, confirmando o nível de deterioração e desproteção do imóvel.
A denúncia gerou indignação nas redes sociais, onde ex-alunos e profissionais do design lamentaram a perda do que foi por décadas um referencial na educação artística e técnica em Cuba.
Até o momento, as autoridades cubanas não emitiram declarações oficiais sobre o saque ou sobre as condições atuais do edifício do ISDI.
A denúncia de Lacosta ocorre poucos dias depois que Esteban Aquino, graduado do ISDI há três décadas, expôs nas redes sociais uma situação lamentável com as investigações, teses e livros que o centro de ensino superior acumulava.
Aquino compartilhou em seu perfil no Facebook uma galeria de imagens onde se podem ver documentos históricos, trabalhos de diploma e bibliografia especializada espalhados pelo chão como simples lixo.
Além disso, disse que esse material foi encontrado jogado como lixo no parque Carlos J. Finlay, em Havana, um fato que causou indignação entre ex-alunos, profissionais do setor e defensores do patrimônio cultural.
O ISDI enfrenta uma das etapas mais críticas de sua história recente. O colapso de uma parte de sua sede em Centro Habana marcou o início de um deterioramento imparável, após anos de advertências ignoradas sobre falhas estruturais.
Apesar de estar sustentado desde 2022, o imóvel continuou em uso até que a precariedade venceu a inação institucional.
O dia seguinte ao colapso trouxe imagens ainda mais desoladoras. Parte do edifício desabou completamente, deixando uma idosa ferida e quatro famílias sem abrigo.
Vozes da comunidade acadêmica qualificaram o acontecimento como um reflexo do país: "o colapso do ISDI é também o colapso de Cuba", escreveu um designer formado nas redes sociais, em meio a uma onda de indignação que ressoou com força dentro e fora do ambiente universitário.
Longe de encontrar consolo em suas autoridades, estudantes e formados denunciaram o autoritarismo do decano, a quem acusaram de repressão ideológica e desconexão com a realidade tecnológica.
Sua declaração de que "não se precisa de internet para projetar" gerou um amplo descontentamento e foi vista como um símbolo de uma gestão desconectada do presente e alheia às necessidades de uma comunidade cada vez mais precarizada.
Em uma tentativa de sair do colapso físico e simbólico, o ISDI anunciou seu traslado para o antigo Politécnico Pablo de la Torriente Brau, em Playa. A sede original foi oficialmente declarada inhabital, selando assim o fim de mais de quatro décadas no coração de Havana.
As autoridades prometem uma fase de reconstrução, embora persistam dúvidas sobre o futuro do centro e sobre a capacidade institucional para reparar anos de abandono que deixaram cicatrizes na memória do design cubano.
Perguntas frequentes sobre o saqueo do ISDI em Centro Habana
O que aconteceu no Instituto Superior de Design Industrial (ISDI) de Havana?
O ISDI foi completamente saqueado após ficar sem vigilância devido a um desabamento parcial em seu prédio. Foram levados móveis, equipamentos e documentos importantes, incluindo teses de graduação e arquivos históricos.
Qual foi a reação das autoridades cubanas diante do saqueo do ISDI?
Até o momento da publicação, as autoridades cubanas não emitiram declarações oficiais sobre o saque e sobre as condições atuais do edifício do ISDI, o que gerou indignação e questionamentos nas redes sociais.
Por que o edifício do ISDI em Centro Habana ficou sem custódia?
O edifício do ISDI ficou sem vigilância devido a um desabamento parcial que ocorreu em uma de suas esquinas, o que foi aproveitado por pessoas para saqueá-lo.
Que medidas estão sendo tomadas para o futuro do ISDI após o saque?
O ISDI está se mudando para uma nova sede no município Playa, no antigo Instituto Politécnico “Pablo de la Torriente Brau”. Este edifício está sendo remodelado para proporcionar condições seguras e funcionais para os estudantes.
Como o saqueo afetou o legado acadêmico do ISDI?
O saqueo teve um impacto significativo no legado acadêmico do ISDI, com a perda de teses, pesquisas e documentos históricos. Esses materiais são importantes para a formação acadêmica e o patrimônio cultural de várias gerações de designers cubanos.
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