A designação de Bad Bunny como artista principal do espetáculo do intervalo do Super Bowl 2026 desencadeou uma reação virulenta de setores conservadores do governo dos Estados Unidos.
Entre as vozes mais vehementes destaca-se a de Corey Lewandowski, conselheiro do Departamento de Segurança Interna (DHS) e ex-chefe de campanha de Donald Trump em 2016, que lançou um aviso direto: agentes do ICE estarão presentes no evento "para deter e deportar" migrantes sem documentos.
“Não há refúgio. Nem no Super Bowl nem em nenhum outro lugar.”
Durante sua participação no podcast ultraconservador The Benny Show, Lewandowski foi enfático ao afirmar que o evento esportivo mais assistido do país não será uma exceção na aplicação rigorosa das políticas migratórias do governo Trump.
“Não há nenhum lugar neste país que forneça um abrigo seguro para as pessoas que estão aqui ilegalmente. Nem no Super Bowl nem em qualquer outro lugar”, afirmou de forma contundente.
E foi além: “Nós os encontraremos. Nós os prenderemos. Nós os enviaremos para um centro de detenção e os deportaremos. Portanto, tenham em mente que essa é uma situação muito real sob esta Administração”.
Mais do que um aviso, trata-se de uma ameaça velada dirigida ao público latino e migrante que possa comparecer ao espetáculo.
Contra Bad Bunny: "Uma vergonha" que represente os Estados Unidos
O alvo de suas críticas foi Bad Bunny, cujo nome real é Benito Antonio Martínez Ocasio.
O artista porto-riquenho, que já participou do Super Bowl 2020 ao lado de Shakira e Jennifer López, voltará em 2026 como atração principal.
Para Lewandowski, isso é inadmissível: “É uma vergonha que tenham decidido escolher alguém que parece odiar tanto os Estados Unidos para representá-los no intervalo do jogo.”
O assessor não poupou desqualificações para o cantor e estendeu suas críticas à própria NFL, a qual acusou de ter sido “tão ‘woke’ durante anos”.
A seleção musical como terreno de batalha ideológica
Lewandowski insistiu que a escolha de Bad Bunny “é tão vergonhosa” porque considera que “há um monte de grandes bandas e pessoas do mundo do espetáculo que poderiam estar se apresentando nesse evento e que uniriam as pessoas em vez de separá-las”.
Segundo ele, “devemos tentar ser inclusivos e não exclusivos”.
O assessor do DHS defendeu que a política migratória será aplicada sem exceções, mesmo em eventos dessa magnitude: “Vamos fazer cumprir a lei em todos os lugares. Vamos garantir a segurança dos americanos. Essa é a diretiva do presidente”.
Y encerrou com uma mensagem direcionada a aqueles que residem sem documentos: “Se você está neste país ilegalmente, faça um favor a si mesmo: volte para casa”.
O medo do ICE: uma preocupação que vem de antes
As declarações de Lewandowski foram em resposta aos comentários do youtuber Benny Johnson, que afirmou que Bad Bunny foi contratado para o Super Bowl “apesar do fato de que se nega a realizar uma turnê nos EUA porque teme muito o ICE”.
Johnson descreveu o artista como “um travesti que odeia os Estados Unidos e o ICE”; e acrescentou: “É porto-riquenho, apoiou Kamala Harris e não canta em inglês”.
Bad Bunny tem sido transparente sobre sua decisão de excluir os Estados Unidos de sua turnê mundial.
Em uma entrevista recente, explicou: "Havia o problema de que o ICE poderia estar fora [do meu show]. E é algo sobre o qual estávamos conversando e muito preocupados".
Essa preocupação, segundo ele, não tem a ver com ódio aos Estados Unidos, mas sim com a segurança de seu público.
“Houve muitas razões pelas quais não fui tocar nos Estados Unidos, e nenhuma delas foi por ódio”, declarou em conversa com a revista i-D.
"Todos os espetáculos têm sido um sucesso. Eu gostei de me conectar com os latinos que vivem nos Estados Unidos. Mas, especificamente, para uma residência aqui em Porto Rico, sendo nós um território não incorporado dos Estados Unidos... As pessoas dos Estados Unidos poderiam vir aqui para ver o show. Mas havia o problema de que, caramba, o ICE poderia estar por aqui. E isso nos preocupava muito", disse o cantor porto-riquenho.
Celebração desde o palco e rejeição desde o poder
O próprio artista celebrou sua participação no Super Bowl com uma mensagem dirigida à sua comunidade: “É para aqueles que vieram antes de mim e correram jardas incontáveis para que eu pudesse entrar e marcar um touchdown. Isso é para o meu povo, minha cultura e nossa história. Vá e diga à sua avó que seremos o HALFTIME SHOW DO SUPER BOWL.”
No entanto, a partir do aparelho governamental, essa narrativa tem sido desconsiderada.
Lewandowski afirmou que não se importa “se é um show de Johnny Smith, Bad Bunny ou qualquer outra pessoa”, porque vão “fazer cumprir a lei em todos os lugares”.
Para ele, o fato de que Bad Bunny seja cidadão americano por ser porto-riquenho não é suficiente para ser aceito como uma figura representativa.
“É uma fraude”, sentenciou Johnson, reforçando a ideia de que o artista não merece essa plataforma.
Trumpismo, cultura e deportação
A escolha de Bad Bunny não apenas acionou alarmes no governo, mas também evidenciou uma batalha cultural mais ampla.
O rejeição de que o espetáculo seja em espanhol, a crítica à sua vestimenta ou maquiagem em outros shows, e seu ativismo político geraram uma tempestade midiática impulsionada por figuras do movimento MAGA e plataformas conservadoras.
Lewandowski deixou claro que para o governo de Trump não haverá tréguas, nem mesmo durante o Super Bowl de 8 de fevereiro de 2026 em Nova Orleans.
“Essa é uma situação muito real sob esta Administração”, disse sobre a operação do ICE.
Perguntas frequentes sobre a polêmica escolha de Bad Bunny para o Super Bowl 2026
Por que Bad Bunny foi escolhido para o show do intervalo do Super Bowl 2026?
Bad Bunny foi escolhido como o artista principal do show do intervalo do Super Bowl 2026 por sua grande popularidade e o impacto cultural que representa como embaixador do reguetón a nível mundial. É o primeiro artista latino solo a liderar este evento, o que marca um marco em sua carreira e na representação da comunidade latina nos Estados Unidos.
Que polêmica gerou a escolha de Bad Bunny para o Super Bowl?
A escolha de Bad Bunny gerou críticas de setores conservadores do governo dos Estados Unidos, especialmente de Corey Lewandowski, assessor do Departamento de Segurança Nacional. Lewandowski anunciou a presença de agentes do ICE no evento para deter migrantes indocumentados, o que foi visto como uma ameaça velada ao público latino que comparecer ao espetáculo.
Por que Bad Bunny não faz turnês nos Estados Unidos?
Bad Bunny decidiu não realizar turnês nos Estados Unidos devido ao temor de que as operações do ICE transformem seus concertos em alvos de investigações contra imigrantes indocumentados. O artista expressou sua preocupação com a segurança de seu público, muitos dos quais são latinos sem documentos, e tem sido transparente sobre sua decisão de evitar apresentações no país por essa razão.
Qual é a postura de Bad Bunny em relação às políticas de imigração dos Estados Unidos?
Bad Bunny tem sido crítico das políticas migratórias dos Estados Unidos, especialmente das implementadas sob a administração de Donald Trump. Em sua música e declarações públicas, ele defendeu os imigrantes latinos e criticou as ações do ICE, utilizando sua plataforma para evidenciar a importância da comunidade latina e denunciar a injustiça das deportações em massa.
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