Fala a ex-parceira do italiano acusado de atropelamento múltiplo em Havana

A mãe da filha de Pontolillo -com quem manteve um relacionamento durante vários anos- deu declarações ao jornalista Mario J. Pentón, em uma breve entrevista por telefone.


O caso do cidadão italiano Mario Pontolillo, acusado de protagonizar um atropelamento múltiplo em Havana na madrugada do dia 25 de agosto, continua gerando comoção na opinião pública cubana, não apenas pela gravidade do ocorrido, mas também pelo perfil do acusado, descrito por alguns como um homem violento e problemático.

Em meio a especulações, a mãe da filha de Pontolillo - com quem teve um relacionamento por vários anos - fez declarações ao jornalista Mario J. Pentón, em uma breve entrevista telefônica onde a mulher se mostrou bastante evasiva e surpresa com o caso.

"Estou assim, sem palavras."

A mulher, que reside em Cienfuegos, garantiu não ter informações sobre o que aconteceu e expressou desconhecimento sobre a vida atual de seu ex-parceiro.

"A ver, eu acabei de ficar sabendo, não sei muito sobre o caso", começou dizendo.

Consultada sobre os rumores de que Pontolillo era violento ou adicto ao álcool e às drogas, negou veementemente essas acusações: “Não, não, não é assim, de maneira nenhuma.”

“Isso é uma coisa nova e as pessoas vão especular muitas coisas. Você sabe como estão também as redes”, acrescentou.

Uma vida alheia à de Pontolillo

A mulher -chamada "Alegna"- quis deixar claro que não mantém contato com Pontolillo desde a separação e que sua vida está completamente desvinculada da do acusado.

“Eu estou aqui em Cienfuegos, isso foi em Havana. Eu estou, você entende?, alheia a todas essas coisas", indicou.

“Como você disse, eu fui a parceira do Mario, sou a mãe da filha do Mario e moro aqui em Cienfuegos. Isso foi em Havana”, disse em referência ao atropelamento.

Insistiu que não tem detalhes sobre o que ocorreu e que ela também está aguardando informações.

“Não sei, veja, eu moro aqui, ele lá, não sei o que há de mais recente, não poderia lhe dizer nada, de verdade que não. Estou assim sem palavras", concluiu, encerrando sua atitude evasiva.

Enquanto a jovem se desvincula do caso, moradores de Cienfuegos apresentaram uma imagem muito diferente do acusado.

Según relataram à Pentón, Pontolillo tinha antecedentes de violência e consumo excessivo de álcool, e seu comportamento havia gerado conflitos no passado.

Por outro lado, a irmã da única vítima fatal do atropelamento comentou à Pentón que um oficial da polícia lhe disse que Pontolillo alegava ter sido “ameaçado de morte e perseguido”, e que “saiu para matar”.

Apontado pela Procuradoria como o responsável

Depois de mais de uma semana de silêncio e especulação, foi nesta quinta-feira que o regime cubano finalmente revelou a identidade do acusado pelo atropelamento ocorrido na madrugada do dia 25 de agosto, que custou a vida a Mairovis Valier Heredia, mãe de três filhos.

Segundo um comunicado da Fiscalia Geral da República, Pontolillo, de 56 anos e residente permanente na ilha, permanece sob prisão provisória e com proibição de saída do país, investigado por um “atropelamento deliberado de pessoas” nas ruas de Centro Habana e La Habana Vieja.

A Fiscalía assegurou que estão sendo realizadas diligências para completar a investigação e que pedirá sanções proporcionais à gravidade dos fatos.

Durante dias, o silêncio oficial alimentou rumores e suspeitas de encobrimento, sobretudo após a investigação do meio 14ymedio que apontava inicialmente para outro empresário italiano com vínculos estreitos com o poder.

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