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O governante Miguel Díaz-Canel se reuniu na cidade de Shenzhen com mais de 70 empresários chineses, a quem assegurou que o país está aberto a todas as propostas, em uma mensagem que exclui sistematicamente os cubanos residentes na ilha, que não podem investir nem competir em condições de igualdade.
O mandatário falou sobre os avanços nas relações empresariais bilaterais e prometeu mais espaço para os capitais do gigante asiático em setores estratégicos da economia cubana, em um contexto de crise interna marcada pela escassez, inflação e deterioração dos serviços básicos, destacou em um fio de vários tuítes a conta oficial no X da Presidência de Cuba.
Díaz-Canel convidou o empresariado chinês a continuar contribuindo para o “desenvolvimento econômico” de Cuba a curto, médio e longo prazo, ao mesmo tempo em que repetiu a narrativa oficial de construir uma “comunidade de futuro compartilhado”, expressão que contrasta com a exclusão dos próprios cubanos no tecido empresarial de seu país.
Acompanhou o presidente vários ministros, entre eles o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, o ministro de Energia e Minas Vicente de la O Levy, a ministra de Comunicações Mayra Arevich e a ministra presidenta do Banco Central Juana Lilia Delgado.
Por sua vez, Oscar Pérez-Oliva Fraga, titular do Comércio Exterior e da Investimento Estrangeiro, expôs a estrutura econômica da ilha e reiterou que as portas estão abertas para o capital estrangeiro, confirmando que as limitações se aplicam apenas aos nacionais.
A reunião fez parte da agenda do governante após sua visita a Pequim, onde se encontrou com seu homólogo Xi Jinping e participou do desfile militar em celebração ao Dia da Vitória, uma turnê focada em buscar aliados externos enquanto em Cuba as restrições internas permanecem intactas.
O regime de Havana apresentou a reunião entre Xi e Díaz-Canel como um encontro "produtivo", no qual foram assinados vários compromissos de cooperação que abrangem desde a agricultura e a inteligência artificial até a medicina tradicional, a infraestrutura e a esfera cultural e midiática.
"Ao término do encontro, foi anunciada a assinatura de onze documentos de cooperação. Entre eles, os relacionados com a Faixa e a Rota da Seda, as consultas políticas, a cooperação prática, as trocas culturais e a Iniciativa para a Segurança Global", afirmou a Presidência de Cuba no X.
Durante o périplo, por ocasião do 80º aniversário da vitória na guerra de resistência do povo chinês contra a agressão japonesa, ambos os governos emitiram uma declaração conjunta onde reafirmaram sua vontade de "acelerar a construção de uma Comunidade de Futuro Compartilhado China-Cuba".
Asimismo, o regime cubano ratificou seu apoio incondicional à política de Pequim sobre Taiwan, Hong Kong, Xinjiang e outras regiões sob controle do Partido Comunista Chinês (PCCh), em mais uma demonstração de alinhamento com uma potência acusada internacionalmente por violações sistemáticas dos direitos humanos.
Um memorando assinado em agosto entre o Grupo Empresarial Agroforestal (GEAF) de Artemisa e a empresa vietnamita Viet Royal prevê a colocação em produção de aproximadamente 2.000 hectares de terras ociosas em Alquízar, San Antonio de los Baños e San Cristóbal para o cultivo de soja, feijão verde, amendoim, malanga, batata e caju, grande parte deles destinada ao mercado internacional.
Por outro lado, um projeto agrícola conjunto liderado pela empresa vietnamita Agri VMA avança no município de Los Palacios, na província de Pinar del Río, com a meta de cultivar 1.000 hectares de arroz.
No entanto, a própria empresa Agri VMA teria enviado em maio uma carta a três ministros cubanos para “explicar a necessidade urgente de acessar seus fundos congelados em uma conta do Banco Financeiro Internacional”.
De acordo com o jornal independente 14ymedio, que teve acesso ao documento, a empresa vietnamita tentava transferir 300.000 dólares para sua matriz no Vietnã.
Da mesma forma, o chanceler do país asiático, Bui Thanh Son, “pedia a Cuba que continuasse a coordenar esforços para eliminar dificuldades e obstáculos, criando condições favoráveis para o investimento e os negócios das empresas vietnamitas” na ilha.
Boris Titov, chefe do Comitê Empresarial Cubano-Russo, disse na abertura de um fórum bilateral em Havana, realizado em maio de 2023, que o Governo cubano havia oferecido a empresas russas o direito de usufruto da terra da ilha por um período de 30 anos.
"Estão nos dando um tratamento preferencial", admitiu Titov em um discurso no Hotel Nacional, onde acrescentou que "o caminho é claro", pois se trata de um privilégio raramente concedido a empresas estrangeiras em Cuba.
Perguntas frequentes sobre a reunião de Díaz-Canel com empresários na China
O que procura Díaz-Canel ao se encontrar com empresários chineses?
Díaz-Canel busca atrair investimentos chineses para setores estratégicos da economia cubana, em um contexto de crise interna marcada pela escassez e pelo deterioramento dos serviços básicos. A reunião em Shenzhen faz parte de uma agenda mais ampla para reforçar a cooperação bilateral e atrair capital estrangeiro, excluindo os cubanos residentes na ilha dessa possibilidade.
Por que os cubanos não podem investir em seu próprio país?
O regime cubano mantém uma política que impede os cubanos residentes na ilha de investir ou competir em condições de igualdade com o capital estrangeiro. As limitações se aplicam apenas aos nacionais, o que reforça a dependência do país em relação a aliados externos como a China, enquanto se negam oportunidades econômicas à sua própria população.
Quais setores se beneficiarão dos investimentos chineses em Cuba?
As investigações chinesas estão destinadas a setores estratégicos como a agricultura, infraestrutura, inteligência artificial e biotecnologia. Além disso, foram assinados acordos de cooperação em áreas como a medicina tradicional e a esfera cultural e mediática, buscando um desenvolvimento econômico bilateral a longo prazo.
Como a aliança com a China afeta a situação interna em Cuba?
A aliança com a China não resolveu a crise econômica interna em Cuba, caracterizada por apagões, inflação e escassez de bens básicos. O governo cubano continua apostando em alianças externas como via de sobrevivência, sem implementar reformas substanciais que beneficiem diretamente a população cubana.
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