Comovente testemunho do irmão da mulher atropelada mortalmente por uma cubana há 19 anos

O irmão da vítima, que é oficial de polícia no sul da Flórida, transformou o luto pela perda da irmã em uma busca incansável.

Joaquín Freire, irmão da vítima (i) e Leydis Menéndez Abdala, a cubana acusada (d)Foto © Collage Captura de Telemundo 51 - Miami-Dade.gov

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Durante quase duas décadas, Joaquín Freire viveu com uma promessa gravada na memória: encontrar a mulher acusada de causar a morte de sua irmã, Gloria Hall, em um atropelamento ocorrido em agosto de 2006 na cidade de Hialeah.

Esta semana, essa promessa começou a ser cumprida com a captura e extradição do México da cubana Leydis Menéndez Abdala, a principal suspeita, que permaneceu foragida por 19 anos.

Freire, oficial de polícia no sul da Flórida, transformou o luto pela perda de sua irmã em uma busca incansável que finalmente trouxe resultados. Embora admita que a prisão não apaga a dor, representa um passo crucial em direção à justiça.

“Tem sido 19 anos sem parar de procurar por esta pessoa”, declarou em entrevista exclusiva à Telemundo 51.

Um caso marcado pela fuga e pelo silêncio

No dia do acidente, Menéndez Abdala foi levada ao hospital, onde foi retirada uma amostra de sangue para análise toxicológica.

A Polícia de Hialeah tinha uma ordem judicial para enviar a amostra ao laboratório, mas, segundo a promotoria, a acusada mantinha na época um relacionamento com um membro da polícia, o que lhe permitiu tomar conhecimento do processo contra ela e fugir do estado.

Desde então, seu paradeiro foi um mistério. Sua eventual localização e captura no México foram resultado de anos de investigação, pressão familiar e cooperação internacional.

Uma mistura de alívio e dor

O momento em que Freire recebeu a ligação notificando-o da prisão da suspeita foi, segundo suas palavras, uma experiência carregada de emoções contraditórias.

"Bastantes emoções. Emoções de alegria porque chegamos a este ponto depois de 19 anos, e depois também a dor das emoções que já havia passado", confessou.

Embora a prisão represente um alívio para a família, também reabre feridas nunca cicatrizadas. Gloria Hall tinha uma vida pela frente quando foi atropelada. Desde então, a ausência e o silêncio marcaram os seus entes queridos.

“Nunca enfrentou o que fez.”

Nesta terça-feira, Menéndez Abdala compareceu ao tribunal em Miami e declarou-se não culpado. O juiz negou a liberdade sob fiança, e uma nova audiência foi agendada para quinta-feira. Para Freire, a negativa em reconhecer os fatos era esperada.

“Eu vejo isso como algo que não me surpreende. Nunca enfrentou o que fez, aceitar a responsabilidade por ter matado outra pessoa, minha irmã, e que fugiu”, afirmou.

Apesar disso, confia que o processo judicial avance e que finalmente haja uma condenação proporcional ao dano causado.

Justiça também para os cúmplices

Freire também pediu que se investigue e responsabilize aqueles que ajudaram Menéndez Abdala a eludir a justiça durante tanto tempo.

“Que aceite as consequências do que fez, porque tudo tem sua consequência pelo que uma pessoa faz [...] Espero que qualquer cúmplice enfrente a justiça”, alegou

O caso não foi apenas mais um para Freire. Ele o viveu como irmão e como policial.

"É algo que na minha profissão acontece com frequência, mas eu nunca pensei que um dia isso fosse acontecer comigo. Que alguém fosse bater à minha porta e me dizer que minha irmã faleceu", afirmou.

A promessa que sustentou a busca

A promessa que Joaquín Freire fez à sua irmã pouco depois do funeral se tornou o motor de sua vida durante quase duas décadas.

“Eu lhe disse uma vez no cemitério que nunca iria parar até o dia em que a encontrasse, ou que a encontrassem”, concluiu.

E cumpriu. Graças à sua persistência e ao trabalho das autoridades, hoje a acusada está nas mãos da justiça.

No entanto, a família Hall está ciente de que o processo judicial está apenas começando. A extradição não é o fim, mas o início de uma nova etapa que pode ser longa, mas que agora transita pelos canais legais corretos.

Enquanto isso, Joaquín Freire continua firme, com a mesma convicção que o tem sustentado durante 19 anos. A lembrança de sua irmã e a luta pela verdade seguem guiando seu caminho.

Perguntas frequentes sobre o caso de Leydis Menéndez Abdala e a busca por justiça para Gloria Hall

Quem é Leydis Menéndez Abdala e por que foi detida?

Leydis Menéndez Abdala é uma cidadã cubana acusada de provocar um acidente mortal em 2006, em Hialeah, Florida, sob efeito de álcool. Após o acidente, fugiu e permaneceu foragida por 19 anos até ser capturada e extraditada do México para os Estados Unidos.

O que aconteceu no dia do acidente que causou a morte de Gloria Hall?

El 12 de agosto de 2006, Leydis Menéndez Abdala desrespeitou um semáforo vermelho em seu veículo e atropelou Gloria Hall, que morreu no local. Abdala, que admitiu ter estado sob a influência do álcool, foi levada a um hospital, de onde fugiu antes de ser formalmente presa.

Como foi possível a captura de Leydis Menéndez Abdala depois de tantos anos?

A captura de Leydis Menéndez Abdala foi o resultado de anos de investigação, pressão familiar e cooperação internacional. Finalmente, foi localizada no México e extraditada para os Estados Unidos, graças à coordenação entre as autoridades americanas e mexicanas.

Qual foi o impacto do caso na família de Gloria Hall?

A morte de Gloria Hall deixou um impacto profundo em sua família. Seu irmão, Joaquín Freire, tem sido uma voz atuante na busca por justiça, transformando seu luto em uma missão de quase duas décadas para encontrar Menéndez Abdala. Embora a prisão represente um alívio, também reabre feridas e o desejo de que todos os envolvidos na fuga da acusada sejam responsabilizados.

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