Ladrão com armas brancas é capturado e amarrado por vizinhos em Santiago de Cuba

Os vizinhos disseram à polícia que o homem carregava várias facas e que havia dois envolvidos na tentativa de roubo, mas um conseguiu fugir.

Ladrão deitado na rua e amarrado a um poste, com patrulha policialFoto © Facebook / Yosmany Mayeta Labrada

Um presumido criminoso armado com facas foi contido e amarrado por moradores do bairro Santa Bárbara, em Santiago de Cuba, em um episódio de justiça cidadã que reflete a crescente tensão pela insegurança na cidade.

Segundo relatou em Facebook o jornalista independente Yosmany Mayeta Labrada, o incidente ocorreu quando o suspeito foi surpreendido em plena ação criminosa em uma casa.

Portava várias armas brancas, o que gerou alarme imediato entre os residentes.

Ao não aparecer a Polícia de maneira oportuna, os vizinhos decidiram intervir diretamente, desarmaram-no, submeteram-no à força e o deixaram amarrado a um poste à vista de todos.

Um testemunho declarou que agiram por necessidade: "Se não agíssemos nós, quem sabe o que teria acontecido. Esse tipo estava armado e podia fazer mal a qualquer um."

Captura de Facebook / Yosmany Mayeta Labrada

A chegada da Polícia

O jornalista Mayeta compartilhou um vídeo do momento posterior à captura, onde se observa o homem descalço, sentado no chão e amarrado ao poste, com evidentes marcas de ter recebido golpes no rosto.

Foto: Facebook / Yosmany Mayeta Labrada

Ao seu redor, uma multidão gritava, alguns afirmavam que na verdade eram dois os envolvidos na tentativa de roubo, embora um tivesse conseguido escapar.

Após vários minutos de tensão, três agentes da PNR chegaram ao local.

Nas imagens, é possível ver como o libertam das amarras, o algemam e o conduzem a uma viatura sob os aplausos e expressões de alívio dos presentes.

No entanto, também se ouviu o aviso de um homem entre a multidão: "É preciso que amanhã ou depois não esteja solto", refletindo o medo de que o detido seja liberado rapidamente e volte a delinquir.

Um bairro cansado da criminalidade

O incidente não foi percebido como um fato isolado. Para muitos residentes de Santa Bárbara, trata-se de mais uma demonstração da onda de roubos e assaltos que atinge Santiago de Cuba.

A desconfiança na efetividade das instituições levou a que a própria cidadania se organizasse e assumisse um papel ativo na contenção da criminalidade.

"Estamos cansados de viver com medo. Não é a primeira vez que acontece, e o pior é que parece que a cada dia os ladrões se multiplicam", comentou indignado outro vizinho após o incidente.

Justiça popular em tempos de crise

O episódio se soma a outros recentes em que comunidades cubanas têm recorrido a métodos de autodefesa, amarrando e expondo publicamente suspeitos de roubo enquanto aguardam a polícia.

Esta forma de ação coletiva se tornou um símbolo do descontentamento social e da falta de confiança na capacidade das autoridades para garantir segurança em meio à crise.

A situação evidencia o sentimento de vulnerabilidade da população: a percepção de que a criminalidade está aumentando e a resposta oficial não é suficiente.

Neste contexto, cada novo incidente fortalece a ideia de que a "justiça popular" se tornou o último recurso para aqueles que vivem com o medo de serem vítimas da criminalidade.

Perguntas frequentes sobre a insegurança e a justiça cidadã em Santiago de Cuba

Por que os vizinhos de Santiago de Cuba capturam e amarram os ladrões?

Os moradores de Santiago de Cuba tomaram a justiça em suas mãos devido à crescente insegurança e à falta de resposta eficaz por parte das autoridades. Em vários incidentes, os cidadãos capturaram e amarraram supostos criminosos, refletindo um sentimento de frustração e desespero diante da ineficácia policial. A população sente-se obrigada a agir diretamente para se proteger, o que evidencia o deterioro da confiança no sistema de segurança pública.

Qual é o papel da polícia nesses incidentes de justiça cidadã em Santiago de Cuba?

Em muitos desses incidentes, a polícia chega tarde ao local dos acontecimentos, limitando-se a levar o suspeito depois que os vizinhos o capturaram. A demora e a falta de ação efetiva levaram os cidadãos a não confiarem que as autoridades possam garantir sua segurança. Esse fenômeno aumentou a percepção de impunidade e incentivou a população a tomar medidas de justiça por conta própria.

Como a situação econômica de Cuba influenciou o aumento da criminalidade?

A crise econômica em Cuba intensificou a desesperação e, com isso, aumentou os atos ilícitos. A falta de recursos e oportunidades levou a um crescimento da criminalidade, especialmente em áreas urbanas como Santiago de Cuba. A população, ao se sentir desprotegida e desamparada pelo sistema, recorre a métodos de autodefesa, gerando um ciclo vicioso de insegurança e desconfiança.

Quais são os riscos de praticar a justiça com as próprias mãos em Cuba?

Praticar a justiça por conta própria envolve riscos significativos, incluindo a escalada da violência e possíveis represálias. Os cidadãos que agem dessa maneira se expõem a situações perigosas e à possibilidade de cometer erros que poderiam agravar a situação. Além disso, essas ações podem levar à erosão do estado de direito e a uma maior desconfiança nas instituições estatais, complicando ainda mais o panorama de segurança no país.

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