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A Direção Geral de Saúde em Las Tunas negou nesta terça-feira que as recentes mortes de menores no Centro Médico-Psicopedagógico "Calixto Sarduy Arcia" sejam devido à desnutrição ou à falta de medicamentos, como denunciado por publicações nas redes sociais.
A nota oficial reconhece a ocorrência de óbitos entre os residentes do centro, mas afirma que não há um aumento incomum nas estatísticas, e que as mortes correspondem às condições biológicas e doenças associadas de pessoas com deficiências severas e profundas.
“As causas de falecimento identificadas são consistentes com as estatísticas de anos anteriores e não refletem um aumento neste período. Em nenhum caso foram evidenciadas a desnutrição ou a falta de medicamentos como causas diretas”, indica o comunicado.
A nota, assinada pela Direção Geral de Saúde, assegura que o centro é destinado à atenção integral de pessoas com deficiência intelectual severa e profunda, e que “conta com pessoal capacitado para o cuidado e proteção dos residentes”, tanto os internos quanto aqueles em regime de seminternato, com o apoio de suas famílias.
Apesar dos “desafios derivados do bloqueio econômico que afeta particularmente o Sistema de Saúde Pública”, as autoridades asseguram que implementaram mecanismos de coordenação para manter “a assistência médica e a qualidade de vida” dos pacientes, especialmente daqueles que não têm familiares nem condições de receber cuidados domiciliares.
A resposta oficial insiste em rejeitar o que qualificam como informações falsas, que “tentam desmerecer o trabalho de nossas instituições”, e reafirmam seu “compromisso com a transparência e o bem-estar” das pessoas atendidas naquele centro.
Según as denúncias que circularam nas redes sociais, nove crianças haviam morrido até agora no ano na instituição, localizada no município sede, como consequência direta do “abandono institucional”, da “falta de insumos médicos” e da “ausência total de produtos de higiene”.
Estas denúncias foram acompanhadas de fortes críticas à gestão do sistema de saúde cubano, ao qual se acusou de “desviar recursos” e manter em silêncio as causas reais das mortes.
Também se questionava a falta de auditorias, a ausência de supervisão institucional e o “silêncio oficial” diante do que descrevem como mortes evitáveis.
“Quando os recursos são desviados e ninguém responde, o que se perde não é apenas uma vida: é a humanidade de um país que permanece em silêncio”, afirmava o texto publicado pela plataforma Reporte Cuba Ya, uma das que ecoou o suposto problema em Las Tunas.
Embora o regime insista que não houve negligência nem abandono institucional no caso do centro médico-psicopedagógico de Las Tunas, a crise estrutural do sistema de saúde em Cuba tem se tornado evidente repetidamente em denúncias recentes de pacientes e familiares.
Um caso de abandono no hospital psiquiátrico de Havana expôs a falta de assistência mínima a um paciente acamado, encontrado desnutrido, sem higiene e coberto de excrementos.
A situação não foi isolada. Uma investigação interna revelou que um paciente psiquiátrico foi agredido pelo pessoal, em um incidente que acabou sendo reconhecido pelas autoridades, embora sem consequências públicas conhecidas para os responsáveis.
Os problemas estruturais também se refletem no deterioro das condições sanitárias. Uma praga de percevejos foi denunciada no mesmo hospital, onde pacientes permaneciam internados sem condições mínimas de higiene nem tratamento para a infestação.
Já antes, um vídeo filtrado de dentro de um hospital psiquiátrico mostrou cenas de abandono, superlotação e deterioração das instalações, somando mais evidências ao colapso silencioso do sistema.
Apesar dos comunicados oficiais que negam essas realidades, os fatos documentados falam por si mesmos.
Perguntas frequentes sobre a situação no sistema de saúde cubano
Quais são as causas das mortes no Centro Médico-Psicopedagógico de Las Tunas?
As autoridades cubanas negam que as mortes sejam devido à desnutrição ou falta de medicamentos, assegurando que são consistentes com as condições biológicas e doenças dos residentes com deficiências severas e profundas. No entanto, surgiram denúncias nas redes sociais que apontam o abandono institucional e a falta de insumos como fatores que contribuem para essas mortes.
Quais denúncias foram feitas sobre a gestão do sistema de saúde cubano?
As denúncias incluem acusações de desvio de recursos, falta de transparência nas causas das mortes e a ausência de auditorias. Critica-se a falta de uma resposta institucional adequada diante do abandono e das condições deploráveis nas instalações médicas, o que foi documentado em vários contextos dentro do sistema de saúde cubano.
Como o bloqueio econômico afeta o sistema de saúde em Cuba?
O governo cubano sustenta que o bloqueio econômico agrava as dificuldades do sistema de saúde, afetando a disponibilidade de recursos e medicamentos. No entanto, críticos argumentam que a má gestão e a falta de transparência também desempenham um papel significativo nas deficiências do sistema sanitário.
Quais casos recentes evidenciaram problemas no sistema de saúde cubano?
Casos recentes incluem a morte de um jovem em Camagüey por desnutrição severa e denúncias de condições deploráveis no Hospital Docente Mártires de Mayarí. Esses incidentes refletem um padrão de negligência e falta de recursos adequados nas instituições de saúde cubanas, exacerbando a crise sanitária na ilha.
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