Sandro Castro quebra o silêncio para a televisão argentina: “Não me meto em política”

Sandro Castro, neto de Fidel Castro, defende sua vida fora da política, concentrando-se na arte e no entretenimento a partir de seu bar em Havana. Apesar de seu sobrenome, ele afirma não ter privilégios.

Sandro CastroFoto © Instagram/sandro_castrox

Em meio a uma Cuba mergulhada na pior crise econômica dos últimos anos, com apagões diários, inflação, escassez e uma onda migratória sem precedentes, Sandro Castro, o neto do falecido ditador Fidel Castro, decidiu romper o silêncio em uma entrevista exclusiva ao canal argentino TN.

Desde seu bar no Vedado habanero e por meio de videoconferência, o jovem de 33 anos diz que não se envolve em política. “O meu negócio é fazer as pessoas rirem”, afirmou.

Com 126 mil seguidores no Instagram e uma imagem pública que gera tantas simpatias quanto críticas, Sandro, nascido em 5 de dezembro de 1991, tornou-se uma figura midiática incômoda.

Para muitos cubanos emigrados, especialmente em Miami, representa o rosto mais frívolo e desconectado de uma elite que, ao contrário do povo, pode dar-se ao luxo de aproveitar a noite habanera, rodeado de amigos, cerveja Cristal e música eletrônica.

“Não tenho privilégios”, insiste. “Sofuros interrupções de energia como todos. Vivo do meu negócio, sou simples e me movimento livremente”.

Castro é o proprietário do bar EFE, localizado na esquina movimentada da 23 com a F. Lá, ele administra sua vida como uma mistura de empreendedorismo e espetáculo, além de excessos que não são perdoados pela maioria dos cubanos. Também foi visto utilizando seus funcionários como parte de seus vídeos.

Nas redes sociais, ele assume o personagem “Vampirash”, um amante da noite e da festa, que se mostra rodeado de jovens, luzes e garrafas. “Não ofendo ninguém. Gosto da arte e do humor. Não falo de política porque não é a minha praia”, assegura.

Diz que não recebe apoio financeiro da família e que seus negócios foram possíveis graças ao seu espírito empreendedor. “Trabalho desde os 14 anos. Meu primeiro bar eu abri com um empréstimo de um amigo italiano”, explica. “Economizei e levantei cada projeto por conta própria”.

Críticas, luxos e uma desculpa viral

Seu nome se tornou tendência nas redes sociais em 2021, quando um vídeo foi vazado onde dirigia um Mercedes Benz por uma estrada cubana, enquanto a população enfrentava uma grave escassez de combustível.

Mais tarde, assegurou que o carro era emprestado, que o vídeo foi privado e que nunca teve a intenção de ostentar. “Peço desculpas no momento certo. Não era minha intenção mostrar algo que não sou”.

Aun assim, muitos cubanos o recriminam por viver em uma bolha. “Tento não responder a essas pessoas. Respeito as opiniões, mas continuo focado no meu conteúdo”, diz.

Sandro Castro evita opinar sobre os apagões, a crise migratória ou a repressão do 11J. “Não gosto de falar sobre isso. Estamos lutando, queremos uma melhoria. Tenho fé que tudo vai melhorar”.

Embora se defina como revolucionário, garante que seu campo é a cultura, não a política. “Gosto de arte, de esporte. Meu avô foi um grande ídolo, sempre apoiou os artistas. Acho que ele estaria orgulhoso de mim.”

Sua crescente exposição nas redes sociais captou a atenção de meios europeus como Corriere della Sera, El País e Deutsche Welle, que o descrevem como o símbolo do declínio da Revolução cubana.

“Sua mera existência é uma crítica viva ao castrismo", sentenciou o escritor Amir Valle. “Sandro não precisa falar: sua vida diz tudo”.

Inclusivamente, o jornal Corriere della Sera não se esquivou. “A revolução baseada no socialismo e na guerrilha dá lugar a filtros de gato, calcinhas vermelhas no pescoço pelo Dia da Mulher, sangue falso na boca e festas de madrugada. Sandro personifica o fim de uma era.”

Um sobrenome que pesa

Apesar de seus esforços para se projetar como um cubano comum, Sandro reconhece o peso do sobrenome que carrega. “Tenho orgulho de ser um Castro, mas não tenho privilégios. Sou um jovem deste tempo”.

Es filho de Alexis Castro Soto del Valle, um dos filhos de Fidel com Dalia Soto del Valle, e de Rebeca Arteaga; e sua infância transcorreu nas imediações de Punto Cero, o complexo familiar dos Castro em Havana.

Segundo os testemunhos de pessoas próximas à família, como Idalmis Menéndez, ex-parceira de Álex Castro, o jovem cresceu rodeado de luxos, alheio às dificuldades enfrentadas por milhões de cubanos.

Na entrevista com TN, também revelou que nunca visitou a Argentina, embora admire DJs como Hernán Cattáneo e jogadores como Messi, embora confesse ser fã de Cristiano Ronaldo.

Para encerrar, foi categórico: “Descarto a política. Não é a minha praia. Prefiro que as pessoas riam comigo.”

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