A termoelétrica matancera Antonio Guiteras sofreu, por volta das nove da manhã desta terça-feira, uma nova avaria, após ser detectada uma fuga na caldeira, conforme informou nas redes sociais a União Elétrica (UNE).
“Estima-se 96 horas para a sua reintegração ao SEN”, alertou a UNE, o que implica que estará fora de serviço por pelo menos quatro dias.

A fonte oficial não ofereceu outros detalhes sobre a saída da Guiteras do SEN, que se havia reincorporado na madrugada da última sexta-feira, 25 de julho ao Sistema Elétrico Nacional após outra avaria, que por sua vez havia sido precedida de outra parada, neste caso por manutenção.
O anúncio da União Eléctrica neste 29 de julho foi divulgado pouco depois do relatório de apagões para hoje, que já era de 1.992 MW sem a entrada da Guiteras, com isso, o que se pode esperar para as próximas horas?
Em sua parte para hoje, a União Elétrica informou que a situação se agravou após a saída imprevista do ciclo combinado de Energás Varadero e da unidade 3 da central termoelétrica (CTE) de Santa Cruz, o que elevou o déficit de capacidade de geração.
A máxima afetacão registrada nesta segunda-feira foi de 1,916 MW às 23:00, coincidindo com o horário de maior demanda.
Déficit crescente e geração solar insuficiente
Às 7:00 da manhã desta terça-feira, a disponibilidade do Sistema Elétrico Nacional (SEN) era de apenas 1.650 MW, frente a uma demanda de 3.070 MW, o que deixou 1.447 MW sem serviço.
Antes de a Guiteras entrar em serviço, para o horário do meio-dia, estimava-se uma afetação de 1.480 MW, enquanto que para o horário de pico noturno, a previsão era de um déficit de 1.922 MW e uma afetação estimada de 1.992 MW.
Apesar da contribuição dos 24 novos parques solares fotovoltaicos, que entregaram 2.513 MWh nesta segunda-feira e alcançaram uma potência máxima de 503 MW ao meio-dia, o volume não é suficiente para cobrir a demanda crescente.
A UNE informa que atualmente estão avariadas as unidades 3 de Santa Cruz, 4 da Energás Varadero, 6 da CTE Renté e 2 da CTE Felton.
Além disso, outras três unidades estão em manutenção programada: a 2 de Santa Cruz, a 4 da CTE Carlos Manuel de Céspedes em Cienfuegos e a 5 da CTE Renté.
Existem também limitações térmicas que mantêm 409 MW fora de operação, e a falta de combustível continua a impactar o funcionamento de 94 centrais de geração distribuída (797 MW) e três motores das patanas de Regla (28 MW), o que representa um total de 825 MW comprometidos pela falta de combustível.
La Guiteras novamente fora: "Até quando?"
La Guiteras é o maior bloco unitário do país, com uma capacidade de geração superior a 200 megawatts, por isso sua saída representa uma queda significativa para o sistema elétrico nacional.
A termoelétrica matancera na madrugada de domingo, 20 de julho, e desde então foi informado que permaneceria fora de serviço por um mínimo de 72 horas, previsão que acabou sendo superada pela realidade, pois não retornou até a madrugada de sexta-feira, 25 de julho.
Agora, com a nova avaria da termoelétrica de Matanzas, os problemas da Energás e a onipresente escassez de combustível, a situação caminha para o colapso, segundo antecipam numerosos internautas nas redes.
Perguntas frequentes sobre a crise energética em Cuba e a termoelétrica Antonio Guiteras
Por que a termoelétrica Antonio Guiteras é crucial para o Sistema Elétrico Nacional de Cuba?
A termoelétrica Antonio Guiteras é o maior bloco unitário de geração do país, com uma capacidade que supera os 200 megawatts. Sua saída do sistema representa uma queda significativa para o Sistema Elétrico Nacional (SEN), o que agrava as interrupções devido ao déficit de geração de energia. A central tem enfrentado múltiplas falhas e paradas, o que reflete a fragilidade do sistema elétrico cubano.
Quais são as principais causas das falhas recorrentes na termoelétrica Antonio Guiteras?
As avarias na termoelétrica Antonio Guiteras são causadas principalmente por sua obsolescência e falta de manutenção adequada, o que inclui problemas como vazamentos na caldeira, falhas no ventilador de indução forçada e fissuras nas paredes d'água. Essas falhas são agravadas por uma infraestrutura envelhecida e a falta de recursos adequados para reparos sustentáveis.
Qual é o impacto da saída da Guiteras na crise de apagões em Cuba?
A saída da Guiteras aumenta significativamente o déficit de geração elétrica, o que provoca apagões prolongados em toda Cuba. Em momentos críticos, a demanda excede a capacidade de geração disponível, resultando em interrupções que podem ultrapassar os 1.800 MW. Este déficit é difícil de compensar mesmo com o apoio de parques solares fotovoltaicos, devido à limitada capacidade de geração alternativa.
Quais medidas estão sendo tomadas para melhorar a situação energética em Cuba?
O governo cubano prometeu investimentos para recuperar a capacidade e modernizar infraestruturas, além do anúncio da compra de unidades móveis de geração. No entanto, a credibilidade dessas promessas é baixa, e na prática, a crise se agrava devido à falta de combustível e à obsolescência do parque termelétrico. Enquanto isso, a população enfrenta apagões prolongados e um descontentamento crescente diante da falta de soluções efetivas.
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