O fim de semana, durante um concerto do Clan 537 na La Scala de Miami, o rapper cubano El Insurrecto (Leandro Medina) protagonizou um momento polêmico ao lançar uma "tiradeira" ao vivo contra o reguetonero Dany Ome, que recentemente se apresentou em palcos oficiais em Cuba.
Durante uma improvisação, El Insurrecto expressou: "No palco digo o que sinto. O que está acontecendo, penco? Coisas como você eu não represento. Se você está gordo é porque come. O que você tem, Dany Ome? Sua mãe foi das Damas de Blanco e agora você vai a Cuba e se faz de santo. Até onde? Até quando? Você está acabando."
O fragmento foi gravado e divulgado pelo perfil @cubaurbanonoticias no Instagram, desencadeando uma intensa reação nas redes. Um dos que não demorou a responder foi o cantor e compositor Descemer Bueno, que publicou um comentário criticando a atitude do Insurrecto.
"Que eu saiba El Insurrecto se destacou na ditadura cantando para o povo e para a comunidade", escreveu Descemer. "Dany Ome está arrasando na escrita… se eu fosse um executivo em uma multinacional, assinaria um contrato com ele. O tempo do Insurrecto já passou."

Além disso, Descemer classificou a tirada do Insurrecto a Dany Ome como “pura inveja” e expressou que entre os artistas deve haver respeito mútuo.
Descemer Bueno tem sido alvo de críticas no passado por suas posturas políticas e visitas a Cuba, aproveitou o trecho do vídeo para se defender. “Nunca pensei que alguém que sempre teve meu respeito cairia nisso... Pessoalmente, isso nunca me afetou, nem a mim nem aos 13 milhões de pessoas que me escutam a cada mês no Spotify.”
A caneta da República foi ativada
Insurrecto não ficou calado. Publicou uma imagem de fundo preto com uma extensa resposta na qual acusou Descemer de buscar protagonismo, de ter “dupla moral” e de estar “acabado” como artista.
"Por isso, a cada dia estou mais longe das redes sociais. Que maneira de gostar de fofoca e do "chuchuchú" o cubano. Aconteceram tantas coisas bonitas em um concerto de 2 horas e 40 minutos, e o que se destaca é o fragmento da improvisação para esses garotos pela sua polêmica visita a Cuba", lamentou o rapper.
El mensagem para Descemer Bueno foi dura e sem hesitações. "Você é um duplo moral, uma alcoólatra dando serenatas com guitarra. Não se engane comigo. (...) Atualmente, você é outro trovador de taberna em chupameao".
"Se você tem sucessos a dois, porque sozinho você não chega. Sua voz de gralha costuma ensurdecer. Mesmo que você seja amigo pessoal do Enrique Iglesias e vizinho da Paulina Rubio, eu não vou te deixar passar nem uma. (...) Você se salva por ser baladista, porque se não fosse, eu te varreria com uma facilidade tremenda", disse em referência a uma disputa de rap.
"Fazer uma tirada para você é como dar um tapa em uma menina. E isso é punível", concluiu. A publicação rapidamente se tornou viral.
Música e política em Cuba: O debate não morre
Este enfrentamento entre Descemer e El Insurrecto ocorre após Dany Ome e Kevincito el 13 realizarem concertos em Havana nos dias 18 e 19 de julho, no recinto Pabexpo, com promoção nas redes sociais e apoio institucional.
Também se apresentaram em Santiago de Cuba. Nestes eventos, houve alguns convidados que não deixaram ninguém indiferente: Sandro Castro, neto de Fidel Castro, e Raúl Guillermo Rodríguez Castro (El Cangrejo), neto de Raúl Castro.
A mãe de Dany Ome, Noelia Pedraza Jiménez, tornou-se Dama de Branco, após casar-se surpreendentemente com o ex-prisioneiro político Ariel Sigler Amaya, que depois renunciou a esse casamento e negou qualquer relação afetiva com ela.
Isso adiciona complexidade ao debate, pois se acredita que a mulher usou sua posição como suposta opositora para sair de Cuba e entrar nos Estados Unidos com sua família.
A polêmica revive o eterno dilema dentro da arte e da política em Cuba. Um artista residente no exterior deve se apresentar em instituições controladas pelo regime? Até onde vai a responsabilidade ética do músico ao decidir se apresentar em cenários oficiais, mesmo quando seu entorno familiar esteve vinculado à dissidência?
Trata-se de censura entre artistas ou de uma crítica legítima entre cubanos? O debate está aberto nas redes sociais, com os fãs de cada cantor defendendo suas opiniões.
Perguntas frequentes sobre a controvérsia entre El Insurrecto, Descemer Bueno e Dany Ome
Por que El Insurrecto lançou uma "tiradeira" contra Dany Ome?
El Insurrecto criticou Dany Ome por se apresentar em palcos oficiais em Cuba, apesar de sua mãe ter sido uma Dama de Blanco, um grupo opositor ao regime cubano. O rapper expressou seu desacordo com a postura de Dany Ome, a quem acusou de ter moralidade duvidosa.
Qual foi a resposta de Descemer Bueno à tirada de El Insurrecto?
Descemer Bueno defendeu Dany Ome, afirmando que seu talento é inegável e criticou a atitude de El Insurrecto. Descemer qualificou a disputa como "pura inveja" e enfatizou que entre artistas deve existir respeito mútuo.
Como reagiu El Insurrecto às críticas de Descemer Bueno?
O Insurrecto respondeu de forma contundente, acusando Descemer de ter "dupla moral" e de buscar protagonismo. O rapper não se mostrou intimidado e assegurou que não deixará passar nenhuma crítica sem responder.
Por que Dany Ome é uma figura polêmica no cenário musical cubano?
Dany Ome tem sido alvo de controvérsia por suas declarações e decisões, como voltar a Cuba apesar das críticas de alguns setores do exílio cubano. O reguetonero defende seu direito de manter vínculos com seu país de origem e tem sido franco sobre sua postura em questões políticas e pessoais.
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