Kendrys Morales revela suas suspeitas sobre quem o delatou na seleção cubana

A delação custou a Kendrys sua carreira em Cuba. Vetado pelas autoridades, decidiu deixar o país. Após 13 fugas frustradas, conseguiu chegar aos EUA. Lá, teve uma história de sucesso nas Grandes Ligas.

Kendrys MoralesFoto © Captura de vídeo do YouTube de DEPORTES DESTINO

O ex-jogador cubano Kendrys Morales, uma das figuras mais brilhantes que o beisebol da Ilha produziu nas últimas décadas, quebrou o silêncio sobre um dos momentos mais dolorosos de sua carreira: sua saída da equipe Cuba durante o torneio pré-olímpico de 2003 no Panamá.

Em uma entrevista com o influenciador dominicano Destino Tolk, Morales deu detalhes sobre o que, segundo afirma, foi uma manobra premeditada para denunciá-lo.

Segundo relatou, a direção da equipe o colocou como companheiro de quarto do receptor Roger Machado, que na época era o segundo catcher da seleção nacional. Aquilo era incomum, jamais haviam compartilhado quarto.

Desde o início, ele notou algo estranho. Roger tentava constantemente convencê-lo a abandonar a seleção e ficar fora do país.

Segundo Morales, o outro insistia de maneira suspeita, até dizendo frases como: "Estão me chamando para você ir embora".

Embora a princípio ele tenha se mostrado relutante, a pressão foi tanta que, finalmente, concordou em falar. "Vamos, como é que se faz isso?", perguntou a Machado em tom de cumplicidade.

Não passaram nem dez minutos até que foi convocado pelo Comissário Nacional de Beisebol de Cuba para uma reunião de emergência.

Nesse encontro, contaram a ele com precisão toda a conversa com seu colega, o que confirmou suas suspeitas de que havia sido traído.

"Repetiram-me tudo o que nós havíamos falado", lembrou Morales com amargura.

No torneio, ele impulsionou a primeira corrida da equipe no jogo inaugural - que foi suspenso por chuva - e jogou apenas mais dois partidos.

A decisão de afastá-lo foi efetivada imediatamente e, oficialmente, foi informado que Morales havia retornado à Ilha "por razões pessoais".

No entanto, por trás daquela fórmula ambígua escondia-se um caso de delação política que lhe custou a carreira em seu país.

A versão de Morales foi apoiada publicamente por outros jogadores.

O lançador da capital Yadel Martí confirmou o que aconteceu em uma entrevista no ano passado com o meio Swing Completo.

"Kendrys Morales foi delatado", afirmou Martí.

E embora Martí tenha reconhecido em Machado um bom receptor no esporte, foi enfático ao afirmar que "passou a vida empurrando todo mundo para frente".

O escândalo marcou um antes e um depois na carreira de Morales.

No início de 2004, foi dispensado da equipe Industriales durante a Série Nacional. Vetado e marginalizado pelas autoridades esportivas cubanas, decidiu abandonar o país com apenas 20 anos.

Após 13 fugas mal-sucedidas, conseguiu chegar aos Estados Unidos, onde escreveu uma história completamente diferente nas Grandes Ligas.

Como jogador profissional na MLB, Morales assinou por $3 milhões com os Angels de Anaheim.

Sua carreira nas grandes ligas se estendeu por 13 temporadas, vestindo os uniformes de times como os Mariners, Twins, Royals, Blue Jays, Athletics e Yankees.

Alcançou sua consagração em 2015 quando ganhou a Série Mundial com o Kansas City, equipe com a qual também recebeu o prêmio Edgar Martínez de melhor rebatedor designado da Liga Americana naquele mesmo ano.

Aposentou-se oficialmente em 2020 com 213 home runs, 740 corridas impulsionadas e uma média vitalícia de .265.

Agora, com 42 anos, dedica-se a criar pombos e afirma que não tem nenhuma relação com o esporte.

A outra face desta história é Roger Machado, que após sua carreira como receptor foi técnico da equipe de Ciego de Ávila e dirigiu em várias ocasiões a seleção cubana.

Sob seu comando, os Tigres avileños ganharam três campeonatos nacionais e a seleção nacional conquistou torneios como o Interportos de Rotterdam.

No entanto, sua carreira como dirigente foi encerrada em 2019, quando foi afastado de sua posição em Ciego de Ávila por "mudanças na direção".

Em 2023, segundo reportagens do veículo Pelota Cubana, emigrou para os Estados Unidos com sua família graças ao programa de parole humanitário.

A revelação de Kendrys Morales reabre um episódio sombrio na história do beisebol cubano, onde as decisões políticas e os mecanismos de controle ideológico condicionaram durante décadas o destino de grandes talentos.

Neste caso, a ascensão e queda de uma promessa dentro da Ilha contrastam com a brilhante carreira internacional que pôde forjar, apesar do estigma e da traição que viveu no início de seu caminho.

Perguntas frequentes sobre a controvérsia de Kendrys Morales e sua saída da equipe Cuba

Qual foi a razão por trás da saída de Kendrys Morales da equipe Cuba?

Kendrys Morales foi delatado na equipe Cuba durante o torneio pré-olímpico de 2003 no Panamá. Segundo Morales, foi traído por seu colega de quarto, Roger Machado, que o convenceu a deixar a seleção, o que levou a uma reunião de emergência com o Comissário Nacional de Beisebol de Cuba, onde a delação foi confirmada.

Qual foi o impacto da delação na carreira de Kendrys Morales?

A delação teve um impacto significativo na carreira de Kendrys Morales em Cuba, já que ele foi dispensado da equipe Industriales em 2004 e foi banido pelas autoridades esportivas. Decidiu deixar o país e eventualmente construiu uma carreira de sucesso na MLB, onde assinou com os Angels de Anaheim e jogou durante 13 temporadas, conseguindo vencer a Série Mundial com os Kansas City Royals em 2015.

Quem é Roger Machado e qual tem sido sua trajetória após o incidente com Morales?

Roger Machado foi o receptor da equipe Cuba que dividiu o quarto com Kendrys Morales no pré-olímpico de 2003 e esteve envolvido em sua delação. Após sua carreira como receptor, Machado foi técnico da equipe de Ciego de Ávila e dirigiu a equipe Cuba em várias ocasiões, conquistando campeonatos. No entanto, sua carreira como dirigente terminou em 2019, e em 2023 emigrou para os Estados Unidos.

O que este episódio revela sobre o controle político no beisebol cubano?

O episódio de Kendrys Morales revela os mecanismos de controle político e ideológico que condicionaram o destino de grandes talentos no beisebol cubano. Decisões políticas e delações afetaram jogadores que demonstraram interesse em abandonar o sistema estatal, como no caso de Morales, que foi alvo de uma manobra para ser expulso da seleção cubana.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.