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A cidade de Manzanillo amanheceu de luto nesta terça-feira após a confirmação da morte de uma criança de apenas 8 anos, supostamente devido a um quadro de dengue hemorrágica.
Em apenas três dias, a doença apagou a vida de Jorge Daniel Varela Veliz, filho da promotora cultural Yaquelin Veliz, diretora do projeto infantil Colmenita Corazón Gigante, amplamente reconhecido no âmbito artístico local.
A morte do menor provocou uma onda de tristeza, indignação e questionamentos sobre a situação da saúde naquele município granmense.
Vecinhos e pessoas próximas denunciáram publicamente que em frente à casa da criança havia, há semanas, um lixão de lixo não recolhido, o que — apontam — pode ter contribuído para a propagação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue.
Sólo após o trágico desfecho, as autoridades comunais enviaram uma brigada para limpar a área, afirmam várias publicações no Facebook.
“Todos sabíamos do lixão na esquina. Eles limparam quando já não havia mais nada a fazer”, expressou um residente nas redes sociais.
O pequeno Jorge Daniel, conhecido carinhosamente como Jorgito, era descrito como uma criança alegre, sensível, carismática e cheia de energia.
Sua mãe, Yaquelin Veliz, figura fundamental da cultura local e fundadora da Colmenita Corazón Gigante, recebeu inúmeras demonstrações de apoio de colegas, autoridades e de toda a comunidade.
“Hoje há lágrimas na colmeia mais linda. A abelha mãe sofre uma dor profunda e indestrutível. Jorgito era o irmão de todos”, escreveu o jornalista Roberto Mesa Matos em uma mensagem comovente publicada nas redes sociais.
As máximas autoridades do Partido e do Governo em Granma e Manzanillo —entre elas Yudelkis Ortiz Barceló, Yanetsy Terry Gutiérrez, Reynier Beltrán Sánchez e Rocío Naranjo Figueredo— estiveram presentes para oferecer suas condolências, assim como os diretores da Cultura provincial e municipal.
O caso reavivou o debate sobre a crítica situação sanitária que o país enfrenta, onde as deficiências na coleta de resíduos sólidos, o deterioro do sistema de saúde pública e a falta de fumigações sistemáticas se combinam em um caldo de cultivo para doenças como a dengue.
"Cuba está colapsada em serviços de saúde, comunais e muito mais. Mas é inaceitável aceitar o risco epidemiológico que isso representa sem que sejam tomadas medidas urgentes", denunciou um internauta.
Manzanillo, como muitas outras cidades do país, enfrenta surtos de doenças transmitidas por vetores em um contexto de crise estrutural que, há anos, faz proliferar grandes pilhas de lixo nas esquinas.
O corpo de Jorge Daniel foi despedido em uma cerimônia íntima entre familiares, amigos e colegas de sua mãe no âmbito cultural.
Perguntas frequentes sobre a dengue e a situação sanitária em Cuba
O que é o dengue hemorrágico e como se transmite?
O dengue hemorrágico é uma forma grave do dengue, uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Caracteriza-se por febre alta, dor de cabeça, dores articulares e musculares, e pode levar a sangramentos, diminuição de plaquetas e, em casos severos, à morte. A prevenção concentra-se em controlar a população de mosquitos e evitar suas picadas.
Como a gestão de resíduos afeta a propagação do dengue em Cuba?
A gestão ineficiente de resíduos, como a acumulação de lixo sem recolha, pode criar criadouros para o mosquito Aedes aegypti, aumentando o risco de surtos de dengue. Em Manzanillo, a presença de lixeiras foi apontada como um fator que pode ter contribuído para a propagação do mosquito e para o trágico caso de Jorge Daniel Varela Veliz.
Qual é a situação atual do sistema de saúde em Cuba?
O sistema de saúde cubano enfrenta uma crise significativa, caracterizada por escassez de recursos, pessoal e supervisão médica adequada. Casos recentes, como o do menino em Manzanillo, refletem a falta de atendimento médico eficiente e a necessidade urgente de melhorias nos serviços de saúde para prevenir tragédias semelhantes.
Quais medidas estão sendo tomadas para combater o dengue em Cuba?
As medidas para combater o dengue em Cuba incluem fumigação para controlar a população de mosquitos e campanhas de conscientização pública. No entanto, a falta de fumigação sistemática e a gestão inadequada de resíduos continuam sendo problemas críticos que dificultam o controle efetivo do dengue no país.
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