O cubano Jesús Martínez, residente nos Estados Unidos desde 1997, foi detido por agentes do ICE após comparecer voluntariamente a uma consulta migratória e agora enfrenta uma possível deportação do centro de detenção Krome North, apelidado de “Alligator Alcatraz”, onde afirma estar vivendo um pesadelo.
“Nos tratam como cães. Os banheiros transbordam, o chão fica cheio de excremento. Nos levam para comer a qualquer hora, às nove ou às doze da noite”, denunciou em declarações a Telemundo 51.
Martínez, de 44 anos, foi condenado em 2002 por conspiração em um caso federal relacionado a drogas. Cumpriu cinco anos de prisão e três de liberdade condicional, e em 2007 assinou uma ordem de deportação. Desde então, afirma não ter cometido nenhuma infração.
“Cumpri com a justiça. Trabalhei e vivi em paz. Me tratam como se eu fosse um criminoso perigoso”, afirmou.
A família dele qualifica a prisão como desumana. “Jesús é um homem cumpridor. O que está acontecendo naquele Alcatraz é uma barbaridade”, disse sua irmã entre lágrimas.
Martínez não tem vínculos familiares em Cuba. Devido às restrições diplomáticas, as autoridades poderiam deportá-lo para um terceiro país, o que o deixaria em total incerteza e sem redes de apoio.
O advogado de imigração Avelino González explicou que as vias legais para parar sua deportação são escassas: apelações, suspensão ou proteção humanitária. Mas alertou que “o sistema é cada vez mais restritivo e arbitrário”.
O caso de Jesús se junta ao de milhares de cubanos com status irregular que sentem o endurecimento das políticas migratórias nos EUA e denunciam a falta de sensibilidade diante de histórias de reabilitação e vínculos.
Martínez continua recluso em condições que, segundo ele, “não são dignas para nenhum ser humano”.
Nas últimas semanas, vários cubanos com antecedentes criminais foram deportados para outros países devido à negativa do regime cubano em recebê-los.
Incluso dois deles foram enviados para Sudão do Sul, enquanto organizações defensoras dos direitos humanos alertam que os prisioneiros podem ser vítimas de violações do devido processo e se encontram em situação muito vulnerável longe de suas redes de apoio.
Perguntas frequentes sobre a detenção de Jesús Martínez e o centro de detenção "Alligator Alcatraz"
Por que foi detido Jesús Martínez no centro "Alligator Alcatraz"?
Jesús Martínez foi detido por agentes do ICE após se apresentar a uma consulta migratória. Embora tenha assinado uma ordem de deportação em 2007, não teve problemas legais desde então. Atualmente, enfrenta uma possível deportação e denuncia as condições desumanas do centro de detenção. Apesar de ter cumprido com a justiça, é tratado como um criminoso perigoso.
Quais são as condições de detenção no "Alligator Alcatraz"?
As condições em "Alligator Alcatraz" foram denunciadas como desumanas. Os detidos enfrentam temperaturas extremas, escassez de água potável, comida estragada e banheiros transbordando. Essas condições geraram críticas de congressistas, líderes religiosos e organizações de direitos humanos, que clamam por uma revisão do sistema de detenção migratória nos EUA.
Quais opções legais Jesús Martínez tem para evitar a deportação?
As opções legais para casos como o de Jesús Martínez são limitadas. Existem possibilidades de apelar, solicitar uma suspensão de deportação ou aplicar a mecanismos de proteção humanitária, mas o sistema migratório é cada vez mais restritivo e arbitrário. O advogado de imigração Avelino González destaca como esses processos se tornam complicados sob o arcabouço legal atual.
Qual é o impacto da detenção de migrantes no "Alligator Alcatraz"?
A detenção em "Alligator Alcatraz" gerou um clamor nacional pela revisão do sistema de detenção migratória. A situação evidenciou as políticas migratórias agressivas e as condições desumanas enfrentadas pelos migrantes. Além disso, a detenção de pessoas sem antecedentes criminais em um centro de alta segurança foi fortemente criticada por ser uma violação dos direitos humanos.
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