Diretor de cinema Lilo Vilaplana: "É preciso tirar da mente que para a UMAP foram pessoas lumpen e antissociais."

O cineasta organiza um almoço patriótico neste domingo, 20 de julho, no Tower Road Ranch, em Miami. A refeição custa 50 dólares por pessoa e a arrecadação será destinada ao financiamento do filme, que o diretor pretende começar a rodar em novembro deste ano, quando se completam 60 anos da criação dos campos de concentração em Camagüey, entre 1965 e 1968. Lá, encarceraram católicos, Testemunhas de Jeová e homossexuais, entre outros

Lilo Vilaplana, em uma entrevista com a CiberCubaFoto © CiberCuba

O cineasta cubano Lilo Vilaplana (Nuevitas, Camagüey, 1965) está trabalhando em um novo projeto cinematográfico, desta vez inspirado na UMAP, os campos de concentração de Cuba para jovens católicos, Testemunhas de Jeová, aqueles que desejavam emigrar por não quererem o comunismo e para homossexuais, entre outros. Com o filme, ele quer "retirar da mente das pessoas que na UMAP estavam lumpens e antissociais", como pregou a máquina de propaganda do Partido Comunista.

Após seus filmes "Plantados" (2021) e "Plantadas" (2023), dedicados ao sofrimento dos prisioneiros e prisioneiras políticos cubanos, respectivamente, Vilaplana pretende começar a filmar em novembro seu projeto cinematográfico sobre as eufemisticamente chamadas Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAP), instaladas entre 1965 e 1968 nas planícies de Camagüey. Estima-se que cerca de 35.000 jovens que não se encaixavam na incipiente ditadura comunista tenham sido encarcerados lá. Desses, 72 morreram vítimas de tortura; 180 cometeram suicídio e 507 acabaram em salas psiquiátricas.

Esa brutalidade colocada em prática por Fidel Castro é o que o cineasta quer relembrar agora, com a lição aprendida após os prêmios recebidos, especialmente com "Plantadas". Entre eles, um duplo no Cannes Films Awards (Melhor Filme Americano e Direitos Humanos); o de Melhor Filme no Toronto Independent Festival e o de Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema de Nova York. A ideia é completar um trabalho que possa ser inserido em plataformas como a Netflix. Para isso, pretende-se contar a história da UMAP de uma forma um pouco mais distanciada da política, evitando o comentário de que esse é um tema que só preocupa os cubanos.

Em uma entrevista concedida à CiberCuba, Lilo Vilaplana explicou que começou a arrecadar fundos na GoFundme para financiar a produção do filme sobre a UMAP. Sua intenção é reunir meio milhão de dólares com o apoio não apenas de cubanos anônimos, mas também de empresários de Miami comprometidos com a liberdade de Cuba. Ele tem clareza de que, se 20% dos 3 milhões de cubanos exilados contribuírem com um dólar para o filme, a meta será alcançada.

Neste domingo, 20 de julho, haverá um almoço patriótico no Tower Road Ranch, em Miami. Os participantes pagarão 50 dólares pela refeição e esse dinheiro será utilizado para financiar o filme. Haverá vários concertos, incluindo um de Amaury Gutiérrez, que se apresentará gratuitamente, e também foram convidadas as prisioneiras políticas homenageadas, nas quais se inspira o último filme de Vilaplana.

O filme sobre a UMAP quer contar quem foram e por que foram enviados para esses campos de concentração em Camagüey, além de tudo o que sofreram lá. Para se documentar, além de estudar uma vasta literatura sobre o tema, o diretor entrevistou 27 testemunhas (até o momento) daquela caça ao diferente, empreendida pelo regime de Fidel Castro.

Uma das espectadoras do CiberCuba comentou durante a entrevista com Lilo Vilaplana que seu pai havia sido enviado para a UMAP por ser católico. E a ideia de Lilo Vilaplana é reivindicar a dignidade daqueles que, como este senhor, foram punidos injustamente pela ditadura.

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Tania Costa

(Havana, 1973) vive na Espanha. Ela dirigiu o jornal espanhol El Faro de Melilla e FaroTV Melilla. Foi chefe da edição de Murcia do 20 minutos e assessora de Comunicação da Vice-Presidência do Governo de Múrcia (Espanha).