Cubano vive sua primeira vez abastecendo gasolina nos EUA: "Aqui tudo é uma escola"

"Você está vendo que aqui tudo é complicado neste país, até fechar a tampa de um carro?", diz no vídeo que provocou reações divertidas e carinhosas.

Foto © TikTok / @elrey.noel.los.cubanitos

O cubano Noel, conhecido no TikTok como @noe el mago de cuba, protagonizou um novo momento tocante ao se deparar, pela primeira vez, com uma cena cotidiana em sua nova vida nos Estados Unidos: abastecer o carro. Embora para muitos isso seja um procedimento rotineiro, para ele foi uma verdadeira aula prática, repleta de mais dúvidas do que certezas, com uma única orientação possível: a voz paciente de seu sobrinho (@elrey.noel.los.cubanitos).

“Por onde se mete isso? Isso tem uma tampa ali”, pergunta Noel com total ingenuidade em frente ao porta-malas do carro. A resposta chega com uma gargalhada: “Não tem uma tampa, ele ri.” A partir daí, entre trapalhadas e risadas, se desenvolve uma cena que parece saída de uma comédia costumeira. “Isso está complicado”, reconhece, enquanto luta com a tampa. “Minha comida vai queimar”, diz, sem deixar de lado o humor que já o caracteriza.

Noel é esse tipo de personagem que emociona sem querer. Tudo o que vive, conta exatamente como sente, sem filtros ou pose. “Eu estou aprendendo”, admite, enquanto tenta recordar os passos que lhe indicam. No final, com um gesto triunfante, sentencia: “Trabalho concluído”. E como se não bastasse, resume seu aprendizado em uma frase que ficou na memória coletiva de quem o segue: “Aqui tudo é uma escola”.

Guiado por sua família, Noel aprende também a regra básica para não errar: “O pistão tem que ser preto… porque o outro é petróleo e você estraga o carro”. Sua lógica simples o leva a declarar: “Vou ter que anotar tudo isso no caderno”, ciente de que cada passo neste novo ambiente é uma lição.

Este momento não é um fato isolado, mas parte de uma sequência de primeiras vezes que Noel viveu desde que chegou aos Estados Unidos. Em outro vídeo, ele tentou preparar café com uma cafeteira elétrica, sem saber por onde começar, tremendo enquanto pressiona botões e confessa: “Esta tecnologia está muito avançada para o meu cérebro”.

Também ficou gravado o dia em que foi pela primeira vez ao supermercado. Empurrando um carrinho cheio, caminhava transbordando de abundância. “Quanta carne e comida, meu Deus!”, exclamava, antes que a emoção o dominasse: “Meu coração se parte em dois pensando nas pessoas de Cuba”.

As anédotas de Noel tocam algo profundo: a memória emocional do migrante. Há uma história de fundo que ele mesmo compartilhou com um tom tragicômico: sua saída de Cuba de barco, a travessia pelo México, as noites sem dormir, os medos que ainda o rondam. “Não me mencionem mais a Cuba. Aqui é preciso me matar”, disse em um desses relatos crus e diretos que estremecem e conectam.

Mas também há ternura, nostalgia e apego. Em um vídeo recente, ele recorda os objetos que deixou para trás: seu martelo, um conjunto de sala que ele mesmo estofou, um velho ventilador de lâmina com um leão pintado. “Eu não sinto falta de Cuba, sinto falta das minhas coisinhas”, diz, com uma mistura de humor e tristeza que revela a alma de tantos cubanos longe de casa.

Os comentários no vídeo são, por si só, outra história. Há quem ria, quem se identifique, quem recorde sua própria experiência. Uma usuária escreveu: “Assim somos todos no começo. Eu ligava para o meu esposo por vídeo para que ele me dissesse o que eu tinha que fazer”. Outra acrescentou entre risadas: “Eu também comecei anotando tudo, até o número da bomba. Pistão negro e 87 sempre”.

Alguns pararam na figura de Noel com afeto sincero: “Noel, você é o máximo, me faz rir com suas coisas”, “Que belo você é, tão humilde e tão autêntico”, “Deus te abençoe, Noel, você é uma pessoa incrível”. Outros celebraram suas conquistas simples como grandes marcos: “Parabéns, você já tem seu carrinho”, “Ele não tinha, mas agora tem, bênçãos”.

Também houve quem visse nele um símbolo de muitas outras histórias: “Esse é o sentimento de todos quando chegamos”, “É corajoso, como tantos que chegam sem saber nada”, ou até mais pessoais: “Choro porque me lembra meu pai, que nunca pôde sair de Cuba”. Uma usuária da Galícia escreveu: “Comigo foi igual. Não sabia como nada funcionava. Obrigada por acompanhá-lo e ajudá-lo, eu fiquei sozinha”.

Entre brincadeiras e ternura, frases como “Vou ter que anotar na cadernetinha” ou “Não tinha, mas agora tenho” se transformaram em pequenos lemas repetidos por dezenas de usuários, que não apenas se divertiram, mas também viram refletido em Noel o processo de adaptação, de aprendizado, de recomeçar.

O episódio do posto de gasolina se insere dentro de uma tendência que vem ganhando espaço nas redes: os vídeos de "primeiras vezes". Desde Daniela Reyes confessando que não sabia como tirar a mangueira do bico, até idosos cubanos surpreendidos em túneis de autolavagem, o que parece cotidiano se transforma em um documento cultural. São cápsulas de choque cultural, de aprendizado, de humildade.

", diz sobre seu carro no final do vídeo. E embora pareça uma piada, também é uma vitória. Daquelas pequenas, mas imensas, que dão sentido à jornada. Eu não tive, mas agora tenho! Noel não se apresenta como influenciador nem migrante exemplar. É apenas um cubano que narra o que lhe acontece com sinceridade, espontaneidade e humor."

Perguntas frequentes sobre as experiências dos cubanos nos Estados Unidos

Como foi a experiência de Noel ao colocar gasolina pela primeira vez nos EUA?

Noel vive sua primeira experiência de abastecer gasolina nos EUA como uma aula prática cheia de humor e aprendizado. Com a ajuda do seu sobrinho e entre risadas, conseguiu completar a tarefa, destacando o quão diferente essa atividade é em comparação com sua vida em Cuba.

O que simboliza para Noel e outros cubanos realizar tarefas cotidianas nos EUA?

Para Noel e outros cubanos, realizar tarefas cotidianas nos EUA simboliza uma nova etapa de aprendizado e adaptação. Cada pequena vitória, como abastecer o carro ou fazer compras em um supermercado, representa um passo importante em direção à integração em seu novo ambiente, destacando o contraste com as limitações vividas em Cuba.

Como afeta os cubanos a nostalgia pelo que deixaram para trás?

A nostalgia é um sentimento constante entre os cubanos que emigraram, pois recordam com carinho e tristeza os objetos e momentos vividos em Cuba. Embora não sintam falta das dificuldades da ilha, sentem, sim, um apego emocional pelas "coisinhas" que representavam seus esforços e conquistas pessoais.

Qual é o impacto emocional das "primeiras vezes" nos imigrantes cubanos?

As "primeiras vezes" nos EUA têm um grande impacto emocional nos imigrantes cubanos, pois simbolizam o choque cultural e as novas oportunidades que lhes oferece a sua nova vida. Esses momentos são frequentemente compartilhados nas redes sociais como uma forma de se conectar com outros cubanos que viveram experiências semelhantes, criando uma comunidade de apoio e solidariedade.

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