
Vídeos relacionados:
A Justiça da Argentina processou nesta quinta-feira o ex-presidente Alberto Fernández (2019-2023) por supostos atos de corrupção durante sua gestão, em um caso que envolve funcionários de seu círculo próximo.
O juiz Sebastián Casanello o acusou do crime de negociações incompatíveis com o exercício da função pública, junto a outras 33 pessoas. A medida inclui um bloqueio de 14.634 milhões de pesos, equivalentes a cerca de 11,6 milhões de dólares.
Segundo o detalhamento da decisão citado pela EFE, a manobra teria beneficiado o corretor de seguros Héctor Martínez Sosa, esposo de María Cantero, que era a secretária privada de Fernández na época. Ambos foram processados, junto com o ex-presidente da Nación Seguros, Alberto Pagliano. O caso gira em torno do decreto 831, assinado por Fernández em dezembro de 2021, que obrigava órgãos públicos a contratar apólices com Nación Seguros, do estatal Banco Nación.
A denúncia foi apresentada pela advogada Silvina Martínez e a promotoria imputou Fernández em fevereiro de 2024. A investigação afirma que a contratação gerou milionárias comissões por meio de intermediários próximos ao então presidente.
A advogada defensora Mariana Barbitta confirmou o indiciamento e antecipou que apresentarão um recurso antes da próxima terça-feira. Qualificou a decisão como uma “decisão arbitrária, infundada”. Fernández foi interrogado pelo juiz e negou ter cometido qualquer delito, segundo informou RFI.
O juiz apontou que Fernández se envolveu no “plano de expansão dos negócios” do grupo de Martínez Sosa com o Estado. Parte das provas surgiu do telefone móvel da ex-secretária presidencial, dispositivo que também deu origem a uma segunda causa penal contra o ex-mandatário, desta vez por violência de gênero.
Em fevereiro de 2025, o juiz federal Julián Ercolini indiciou Fernández por lesões leves e graves, ameaças coativas e violência psicológica contra sua ex-parceira Fabiola Yáñez, com quem teve um filho em 2022. O processo se baseia nos depoimentos de Yáñez e de uma dezena de testemunhas, assim como em provas extraídas do mesmo dispositivo.
Como medida cautelar, foi imposto um embargo de 10 milhões de pesos, uma proibição de aproximação a menos de 500 metros e foi ratificada a proibição de contato, embora tenha sido levantada a restrição que impedia sua saída do país.
Perguntas frequentes sobre o processamento por corrupção de Alberto Fernández
Por que Alberto Fernández foi processado por corrupção?
Alberto Fernández foi processado por supostos atos de corrupção relacionados a negociações incompatíveis com o exercício da função pública. O caso envolve a obrigatoriedade de contratar apólices com a Nación Seguros, o que teria beneficiado financeiramente intermediários próximos ao ex-presidente.
Que medida cautelar foi imposta a Alberto Fernández?
Foi imposto um embargo de 14.634 milhões de pesos, equivalentes a cerca de 11,6 milhões de dólares. Esta medida busca assegurar a possível restituição de fundos caso seja considerado culpado.
Qual é a relação entre o processo por corrupção e as acusações de violência de gênero contra Alberto Fernández?
Ambas acusações surgem de investigações judiciais, mas são casos independentes. Fernández enfrenta um processo por corrupção e outro por violência de gênero contra sua ex-parceira, Fabiola Yáñez. Ambos os casos são baseados em provas e testemunhos que incluem o conteúdo do telefone de uma ex-secretária presidencial.
Quais outros funcionários estão envolvidos no caso contra Alberto Fernández?
O caso envolve 33 pessoas, incluindo Héctor Martínez Sosa, sua esposa María Cantero e o ex-presidente da Nación Seguros, Alberto Pagliano. Essas pessoas são acusadas de se beneficiar de forma indevida por meio de manobras econômicas durante a administração de Fernández.
Arquivado em: