Funcionários do sistema de saúde no município de Moa, na província de Holguín, asseguraram que não houve um aumento de doenças respiratórias nem lesões cutâneas na população, apesar das recentes emissões visíveis de poeira provenientes das chaminés da Empresa do Níquel Comandante Ernesto Che Guevara (ECG), denunciadas pela população.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira pela Agência Cubana de Notícias, que citou um comunicado da Direção Municipal de Saúde Pública no qual se afirma que o fenômeno, embora perceptível, não gerou um aumento de afecções associadas até o momento.
Segundo o relatório oficial, uma equipe multidisciplinar permanece ativa de forma habitual para monitorar os efeitos dos agentes poluentes característicos da indústria do níquel, principal atividade econômica da região.
A nota acrescenta que há recursos humanos necessários para lidar com qualquer situação de saúde decorrente da exposição ambiental.
As declarações ocorrem em meio a relatos de cidadãos nas redes sociais, onde usuários expressaram sua indignação pela presença de partículas em suspensão, atribuída a uma parada técnica planejada para realizar trabalhos de limpeza e manutenção nos dutos de gases da planta.
Por sua vez, o Ministério de Energia e Minas confirmou na quarta-feira que o aumento de poeira está relacionado com essas ações, e também com o deterioro do sistema de limpeza de gases, uma situação que —segundo indicam— está sendo considerada dentro dos projetos de desenvolvimento da entidade.
Como parte das medidas de mitigação, foi mencionada a reparação acelerada dos eletrofiltros, o reforço dos protocolos de contingência para evitar impactos ambientais nas comunidades próximas e a melhoria dos sistemas de monitoramento.
As autoridades sublinharam que a empresa ECG promove, como parte de seu funcionamento habitual, programas de reflorestamento de áreas afetadas pela mineração, bem como a instalação de filtros para a redução de emissões atmosféricas e ações de reabilitação ecológica com espécies endêmicas.
No entanto, os relatórios institucionais contrastam com a percepção de muitos residentes, que afirmam que o ar está cada vez mais irrespirável, que a poeira se acumula em telhados, pátios e objetos domésticos, e que os desconfortos físicos persistem, embora não se reflitam oficialmente em cifras.
A raiz deste problema, a ativista cubana Yamilka Lafita Cancio, conhecida nas redes como Lara Crofs, lançou nesta quinta-feira uma forte denúncia pública contra o governo cubano por meio de uma carta aberta, na qual responsabiliza as autoridades por décadas de contaminação industrial e descaso ambiental no município de Moa, província de Holguín.
Perguntas frequentes sobre a contaminação por níquel em Moa
Qual é a principal causa da poluição em Moa?
A contaminação em Moa se deve principalmente às emissões de poeira das plantas processadoras de níquel e cobalto, como a Empresa Comandante Ernesto Che Guevara. Essas emissões ultrapassaram os limites legais devido a falhas técnicas e paradas programadas para manutenção, o que gerou uma forte indignação entre os residentes locais.
Que medidas estão tomando as autoridades para mitigar a poluição em Moa?
As autoridades mencionaram a reparação acelerada dos eletrofiltros e o reforço dos protocolos de contingência para evitar impactos ambientais. Estão sendo instaladas estações de monitoramento do ar e estão sendo implementados programas de reflorestamento em áreas afetadas pela mineração. No entanto, a percepção dos cidadãos é que essas medidas são insuficientes.
Por que os residentes de Moa estão preocupados com a sua saúde?
Os residentes de Moa estão preocupados com sua saúde devido à constante exposição a poeira e gases tóxicos, que se acredita agravar doenças respiratórias e dermatológicas. Embora as autoridades sanitárias locais afirmem que não houve um aumento nas doenças, a população relata sintomas e desconfortos persistentes.
Que respostas as autoridades deram diante das denúncias de contaminação?
As autoridades emitiram comunicados afirmando que estão tomando medidas para controlar a situação. Justificaram as emissões excessivas como resultado de paradas técnicas e falhas nos sistemas de limpeza. No entanto, essas explicações não foram suficientes para acalmar a preocupação dos residentes, que sentem que a comunicação e as soluções são inadequadas.
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