A Rússia se torna o primeiro país a reconhecer o governo talibã no Afeganistão

A decisão reforça a influência do Kremlin na Ásia Central e lança uma mensagem geopolítica que pode impactar outras potências.

Embaixador russo, Sr. Dmitry Zhirnov, com o Ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Maulvi Amir Khan MottakiFoto © X / @MoFA_Afg

Rússia deu um passo que abala o tabuleiro diplomático internacional ao se tornar nesta quinta-feira o primeiro país do mundo a reconhecer formalmente o governo talibã no Afeganistão, após tê-lo removido de sua lista de organizações proibidas.

A notícia, confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, foi oficializada com a recepção das credenciais do novo embaixador afegão em Moscovo, Gul Hassan Hassan, marcando uma mudança estratégica que pode ter repercussões além da Ásia Central.

"Este reconhecimento impulsará uma cooperação bilateral produtiva", afirmou o governo russo em um comunicado.

Para os talibãs, que tomaram o poder em 2021 após a abrupta retirada dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), este apoio chega como um triunfo simbólico na sua busca por legitimidade internacional, apesar do forte isolamento global devido às suas políticas repressivas, especialmente contra mulheres e meninas.

Desde seu retorno ao poder, o regime talibã implementou medidas que lembram sua primeira era (1996-2001), restringindo severamente os direitos das mulheres, com medidas como proibições para estudar além do sexto ano, trabalhar, frequentar espaços públicos como academias ou parques. Tudo sob sua rígida interpretação da lei islâmica.

Apesar desses retrocessos, Moscovo insiste na necessidade de diálogo. Segundo declarações do embaixador russo em Cabul, a decisão foi tomada por Vladimir Putin após consultar seu chanceler, Serguéi Lavrov, em que qualificaram como uma demonstração de "desejo sincero de desenvolver relações plenas com o Afeganistão", disse a AP.

Embora países como a China e os Emirados Árabes tenham mantido contatos diplomáticos com os talibãs, nenhum governo havia dado o passo do reconhecimento oficial até agora. Para os analistas, o movimento da Rússia pode ser interpretado como uma jogada geopolítica para preencher o vazio deixado pelo Ocidente e ampliar sua influência em uma região chave.

O Ministério das Relações Exteriores afegão celebrou a decisão e a qualificou como “um bom exemplo para outros países”.

Perguntas frequentes sobre o reconhecimento do governo talibã pela Rússia

Por que a Rússia decidiu reconhecer o governo talibã no Afeganistão?

A Rússia decidiu reconhecer o governo talibã no Afeganistão como um movimento estratégico para impulsionar a cooperação bilateral e aumentar sua influência na Ásia Central. Esse reconhecimento também pode ser interpretado como uma tentativa da Rússia de preencher o vazio diplomático deixado pelo Ocidente e fortalecer sua posição geopolítica na região.

Qual é o impacto desse reconhecimento para o governo talibã?

O reconhecimento da Rússia é um triunfo simbólico para o governo talibã na sua busca por legitimidade internacional. Apesar de seu isolamento global devido a políticas repressivas, especialmente contra mulheres e meninas, este apoio de uma potência como a Rússia poderia encorajar outros países a reconsiderar sua postura em relação ao regime talibã.

Como a comunidade internacional reagiu ao reconhecimento da Rússia ao governo talibã?

Até o momento, nenhum outro país havia dado o passo de reconhecer oficialmente o governo talibã. A comunidade internacional tem mantido uma postura de cautela e críticas em relação ao regime afegão devido às suas políticas internas repressivas. A decisão da Rússia pode gerar tensões diplomáticas e ser vista como um desafio à postura ocidental predominante.

O que esse reconhecimento implica para as relações entre Rússia e Afeganistão?

O reconhecimento formal do governo talibã pela Rússia implica uma possível intensificação da cooperação bilateral, incluindo áreas como segurança, economia e diplomacia. A Rússia busca estabelecer relações plenas e produtivas com o Afeganistão, o que poderia incluir acordos econômicos e estratégicos em um futuro próximo.

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