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A maré de sargaço voltou a impactar com força o litoral da província de Guantánamo, desta vez com uma intensidade sem precedentes, especialmente na baía de Baitiquirí, onde a acumulação de algas em decomposição gera um ambiente insalubre, maus odores e gases tóxicos.
Entre os habitantes já foram registrados casos de dor de cabeça, náuseas e outros sintomas associados à exposição ao sulfeto de hidrogênio, amônia e metano, substâncias emitidas pelas macroalgas em estado de decomposição, explicou Iroel Cantillo Cartaya, especialista do Ministério de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (CITMA) em San Antonio del Sur, ao periódico oficial Venceremos.
Estes gases e a água contaminada pelos sargassos em decomposição podem afetar a saúde humana. Por isso, as autoridades de saúde iniciaram investigações e recomendam à população evitar o contato com as algas, não se banhar nem caminhar pelas áreas afetadas, e usar máscaras como medida preventiva.
Em paralelo, estão sendo realizadas audiências públicas para informar a população sobre os riscos. No entanto, além dos avisos, o município não dispõe de recursos técnicos suficientes para enfrentar a magnitude do problema. No caso de Baitiquirí, a limpeza é praticamente inviável.
As praias de Sabanalamar, Los Siguatos, El Guanal e Yateritas podem ser limpas antes do verão, mas apenas se a tendência de diminuição do sargaço se mantiver a partir de julho. Mesmo assim, o nível de decomposição alcançado até lá implicará outros desafios sanitários e logísticos.
O manejo posterior à retirada das algas também não tem solução. “Do município é difícil o manejo do sargaço como disposição final por falta de tecnologia para seu possível aproveitamento, e o que é coletado e transportado para longe das áreas de banho para secar e deixar de emitir gases e maus odores”, destacou Cantillo. Trata-se de uma solução improvisada e limitada diante de um fenômeno que continuará se repetindo a cada ano.
O impacto ambiental também é preocupante: o sargaço na costa bloqueia a luz solar essencial para os recifes, sufoca a vida marinha ao se afundar e, ao chegar à terra, provoca a morte de numerosas criaturas que habitam nessas algas. O que no mar aberto pode ser parte de um ecossistema equilibrado, na costa se torna uma ameaça direta para a biodiversidade, a saúde humana e o turismo local, apontou o especialista.
Embora a Defesa Civil tenha reconhecido oficialmente o risco do sargassum em sua Diretiva No. 1/2022 para a redução do risco de desastres, e apesar dos estudos em andamento por parte do CITMA, do Instituto de Ciências do Mar e universidades cubanas, o território mais afetado continua enfrentando essa crise ambiental sem ferramentas reais, dependendo da resistência de uma população exposta e sem opções.
O CITMA emitiu em 23 de junho uma alerta máxima diante da chegada em massa de sargaço às costas da província de Guantánamo.
Por sua vez, a Empresa Pesqueira Guantánamo alertou no Facebook sobre a magnitude do fenômeno, que coincide com o início do verão e tem tornado desconfortável a pesca, a recreação na praia e outras atividades marinhas.
O jornalista local Miguel Noticias descreveu o fenômeno como um "golpe de sargaço", e detalhou a grave situação ambiental que a região enfrenta.
Este fenômeno ambiental tem múltiplas causas interconectadas em escala planetária. O despejo maciço de nutrientes (especialmente nitrogênio e fósforo) de grandes rios como o Amazonas, somado aos efeitos da mudança climática e às modificações nos padrões de correntes oceânicas, tem criado condições ideais para a proliferação desenfreada de sargaço no Atlântico tropical, que depois é arrastado em direção ao Caribe.
A capacidade de resposta varia significativamente entre os países afetados. O México implementou um esquema integral que inclui barreiras de contenção, barcos especializados e plantas processadoras. No extremo oposto, Cuba enfrenta sérias limitações de equipamentos e tecnologia para lidar com a situação adequadamente.
Outras nações caribenhas, como a República Dominicana, optaram por medidas preventivas (barreiras flutuantes, fechamentos temporários de praias) e campanhas de saúde pública. Paralelamente, estão sendo explorados usos alternativos para a alga - incluindo sua conversão em materiais de construção e produtos agrícolas - embora essas soluções ainda não sejam viáveis em larga escala.
Diante da magnitude do desafio, a comunidade científica destaca a urgência de uma abordagem regional unificada. Entre as prioridades identificadas, destacam-se: sistemas de vigilância por satélite, mecanismos de coleta em alto-mar, desenvolvimento de infraestrutura de processamento e criação de cadeias de valor que permitam transformar esta praga em um recurso econômico.
Perguntas frequentes sobre o impacto do sargaço em Guantánamo
Por que o sargasso representa um risco para a saúde em Guantánamo?
O sargassum em decomposição emite gases tóxicos como sulfeto de hidrogênio, amônia e metano, que podem causar dor de cabeça, náuseas e problemas respiratórios entre os habitantes das áreas afetadas. As autoridades recomendam evitar o contato com essas algas para prevenir complicações de saúde.
Quais medidas estão sendo tomadas pelas autoridades cubanas para enfrentar o problema do sargasso?
As autoridades emitiram alertas e recomendações para evitar o contato com o sargaço, mas enfrentam limitações significativas para sua coleta e disposição final devido à falta de recursos técnicos e tecnológicos. Em algumas áreas, os trabalhos de limpeza são realizados com o apoio de voluntários e estudantes.
Qual é o impacto ambiental do sargasso nas costas de Guantánamo?
O sargaço bloqueia a luz solar e afeta a biodiversidade marinha, sufocando a vida aquática e provocando a morte de numerosas espécies que habitam essas águas. Esta situação representa uma ameaça direta para os recifes de corais e outras formas de vida marinha na região.
Como a chegada do sargaço afeta a economia local de Guantánamo?
O sargaço compromete a pesca e o turismo na região, uma vez que as praias se tornam incômodas para a recreação e os pescadores enfrentam dificuldades devido à acumulação de algas. Isso gera um impacto econômico negativo para as comunidades costeiras que dependem dessas atividades.
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