O regime cubano reativou em Santiago de Cuba as Forças de Ação Pioneira (FAPI), uma iniciativa destinada a envolver as crianças em atividades econômicas e sociais durante o verão.
Para estes meses de julho e agosto, os pequenos trabalharão em fábricas, centros de elaboração de alimentos e organopônicos, conforme foi divulgado em uma reportagem do telecentro local TurquinoTevé.
Com a justificativa de que as FAPI contribuem para "a formação de valores em relação à responsabilidade no trabalho", as crianças devem passar parte das suas férias trabalhando.

"Têm a oportunidade de doar uma parte de suas férias de forma voluntária para contribuir para o desenvolvimento da economia porque também podem fazê-lo em fábricas, em alguns centros de elaboração de alimentos, etc., mais na comunidade", destacou uma das educadoras entrevistadas.
Os alunos também se envolvem em atividades de limpeza nas escolas, em hortas urbanas, entre outras.
"Participamos de várias atividades, como ajudar a arrumar a escola, a base material de estudo, podemos participar do organopônico, ajudando a deixá-lo bonito", disse uma criança à imprensa.
Em um contexto marcado pela inflação, pelo agravamento da crise econômica e pelos apagões, o regime busca criar uma consciência social nas crianças ao envolvê-las em atividades relacionadas às escolas e comunidades durante o verão.
El año passado, o governo “resgatou” esta velha fórmula que algum dia conseguiu motivar crianças, adolescentes e jovens a se envolverem em iniciativas que defendessem o desenvolvimento comunitário e a participação ativa na vida econômica e social do país.
Há algum tempo, as FAPI levavam as crianças às entidades econômicas próximas aos centros educacionais, para ajudar na limpeza das áreas, embelezamento de jardins, reciclagem de matéria-prima e outras tarefas semelhantes.
A Primeira Secretária da União dos Jovens Comunistas (UJC) na província, disse no verão de 2024 que a ideia é que as crianças e jovens combinem durante o verão atividades de lazer e “apoiar trabalhos produtivos, de crescimento social nos bairros e comunidades em transformação, e em suas próprias áreas de residência.”
Perguntas frequentes sobre o trabalho infantil em Cuba e as Forças de Ação Pioneira (FAPI)
O que são as Forças de Ação Pioneira (FAPI) em Cuba?
As Forças de Ação Pioneira (FAPI) são uma iniciativa do regime cubano para envolver crianças em atividades econômicas e sociais durante o verão, como trabalhar em fábricas, centros de produção de alimentos e organopônicos. Este programa busca justificar a participação infantil como uma forma de desenvolver valores relacionados à responsabilidade no trabalho.
Por que se considera que as FAPI promovem o trabalho infantil?
A despeito da apresentação oficial das FAPI como um programa educacional, críticos argumentam que essas atividades representam uma forma de trabalho infantil, já que as crianças devem dedicar parte de suas férias a labores econômicos em um contexto de crise econômica e carências materiais extremas. Isso vulnera seus direitos fundamentais e se afasta de um ambiente de recreação e aprendizado adequado.
Como a crise econômica em Cuba afeta o aumento do trabalho infantil?
A crise econômica em Cuba aumentou o trabalho infantil, empurrando muitas crianças a participar do trabalho informal para ajudar suas famílias. A escassez de alimentos e a pobreza extrema forçam os menores a assumir responsabilidades econômicas desde idades muito precoces, uma situação denunciada por organizações independentes como o Food Monitor Program.
O que diz a lei cubana sobre o trabalho infantil?
Em Cuba, a lei proíbe o trabalho infantil e protege os direitos dos menores, conforme a Constituição e o Código do Trabalho. No entanto, na prática, a crise econômica levou a uma expansão do trabalho infantil, especialmente no setor informal, e as denúncias de violações a esses direitos aumentaram.
Quais medidas o governo cubano tomou em relação ao trabalho infantil?
O governo cubano reconheceu publicamente a existência de preocupantes manifestações de trabalho infantil, mas as medidas concretas para abordar o problema têm sido insuficientes. Embora tenham sido feitos esforços para aprimorar políticas sociais e rever salários, as mudanças propostas até agora não ofereceram soluções estruturais para proteger os menores e garantir seus direitos.
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