O ator Alejandro Cuervo respondeu firmemente às críticas que recebeu por sua visita a Miami e questionou por que muitos que ficaram em silêncio em Cuba agora lhe pedem para falar.
Em declarações extensas e contundentes oferecidas ao jornalista Javier Díaz, da Univisión 23, Cuervo se mostrou irritado com a polêmica que sua chegada aos Estados Unidos gerou e questionou por que alguns emigrados agora exigem que ele diga e faça o que muitos deles não se atreveram a fazer e dizer enquanto viviam em Cuba.
“Não estamos no país das liberdades? Por que eu, ele ou ela não podem ter uma postura diferente? Ouvir, conversar e dialogar, isso que criticaram por não ter sido feito em Cuba durante toda a vida”, objetou o ator, defendendo seu direito de se expressar sem ser atacado por pensar de forma diferente.
Tom evasivo e discurso defensivo
Durante a entrevista, Cuervo foi interrogado sobre a existência de presos políticos em Cuba, a que respondeu: “Em Cuba há muitas coisas claras. É uma pergunta cuja resposta todos conhecemos. Estou ciente das coisas que aconteceram.”
Cuervo opta por uma estratégia de contenção: reconhece a situação em Cuba, mas não quer se comprometer. Embora admita que "coisas aconteceram", evita mencionar diretamente os presos políticos, o que evidencia um tom cuidadoso e evasivo.
Este matiz se inscreve em seu discurso geral, centrado em evitar confrontos abertos com o governo cubano.
Sua defesa gira em torno de uma lógica de autopreservação pessoal e familiar.
Alejandro Cuervo se protege com o argumento de que não lhe cabe assumir responsabilidades que, segundo ele, muitos dos que hoje o criticam do exílio também não assumiram.
“Para mim, não é um caminho arriscar a liberdade”, disse também; frase que deixa clara sua postura: a de um artista que não está disposto a arriscar seu bem-estar.
“Como você pode me pedir que eu faça algo que pode me afetar? Como único você fica bem, talvez com todos esses influenciadores que estão aqui, que estão o tempo todo atacando os artistas de Cuba, é ir contra o sistema diretamente de lá. O que muitos deles não fizeram, que quase nenhum fez enquanto estavam lá, afirmou, em clara alusão a figuras do exílio que exigem de fora o que não enfrentaram quando viviam na ilha.”
“Então por que você me pede isso? Por que para você é normal que eu faça o que você não teve coragem de fazer? Isso é muito fácil. E todos sabemos a situação que existe em Cuba e que é terrível, mas deve haver pessoas que fiquem lá”, insistiu, justificando sua decisão de permanecer no país e evitar qualquer ação que o coloque em risco.
Em outro momento da entrevista, já comentado em dias anteriores, o ator ressaltou que sua prioridade é sua família e sua carreira.
“Eu sou um artista que não fiz outra coisa na minha vida a não ser trabalhar, pela minha família, porque amo meu trabalho”, disse, e acrescentou que não tomará decisões que possam prejudicá-lo.
Cuervo também expressou sua incomodidade com a atitude de certos emigrados que, segundo ele, pretendem impor-lhe discursos e o pressionam para assumir posições políticas após sua chegada aos Estados Unidos.
In Cuba, no one tells me what I have to say. Eu sei perfeitamente o que tenho, o que posso e o que não devo dizer, isso eu sei, porque conheço as circunstâncias e onde vivo e como funciona meu país. No entanto, chego aos Estados Unidos e estão me esperando com um slogan: diga isso ou você é meu inimigo”, afirmou.
No entanto, o ator assegurou que não se sente afetado pelas críticas e que foi bem recebido em Miami, onde foi visto compartilhando com amigos e desfrutando de atividades sociais.
En redes sociais publicou imagens passeando de barco, assistindo a concertos e celebrando com amigos.
Também foi visto em um concerto de El Niño e La Verdad no Flamingo Theater Bar, onde foi recebido com entusiasmo por vários fãs, e em um vídeo cercado por amigos, abraços e brindis.
Cuervo não pretende emigrar e anunciou que voltará a Cuba nos próximos dias.
Sua presença nos Estados Unidos, onde chegou com visto de turista, reabriu o debate sobre a postura pública dos artistas que vivem na ilha e que, ao viajar para o exterior, são interpelados por uma comunidade exilada cada vez mais exigente em relação à neutralidade política.
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