"Hasta a cesta de bebê é racionada": Vídeo viral mostra o que dão a uma grávida em Cuba

A situação desencadeia críticas e debates sobre a crise na ilha.

O vídeo viral que mostra a miséria das gestantes em Cuba com o “tarjetón” oficialFoto © TikTok / @zol.arias

Um vídeo publicado no TikTok pela usuária @zol.arias se tornou viral ao mostrar o que uma mulher grávida recebe em Cuba com o chamado "tarjetón" que é concedido pelo governo.

Segundo o relato da jovem na gravação, o documento permite adquirir alguns produtos de enxoval em uma loja específica, mas a oferta disponível é tão escassa que ela conseguiu levar apenas um penico, seis cabideiros e um porta-sabonete.

O que dão a uma grávida em Cuba? Dão um cartão para que ela vá a uma loja específica e compre as coisinhas que estão disponíveis. Coisinhas de enxoval, como isso, que foi a única coisa que havia: um penico, seis cabidezinhos e um saboneteira, porque até o enxoval de bebê é racionado aqui”, diz a jovem enquanto mostra os produtos.

O vídeo, no momento desta nota, havia superado as 60 mil reações e acumulou milhares de comentários em poucas horas, refletindo tanto a indignação quanto a incredulidade dos internautas.

Entre os milhares de comentários, uma boa parte expressou críticas contundentes à decisão de ser mãe nas condições atuais do país. Frases como “Quem tem a ideia de gerar filhos em Cuba?”, “Mais uma criança a sofrer com a fome” e “É egoísta trazer filhos a este mundo assim” se repetiram várias vezes.

Enquanto uma jovem resume o sentimento geral com ironia: “Exatamente o que eu precisava: um penico, cabides e um saboneteira”, outros comentam com raiva contida: “Até o cesto é racionado... o socialismo não perdoa nem os bebês.”

Muitos também questionaram as prioridades percebidas na imagem do vídeo: “E os tatuagens são grátis lá?”, “Elas estão com unhas, pestanas, bem vestidas… mas sem comida”, “Para tatuagens sim há dinheiro”, diziam os usuários, sugerindo contradições entre o discurso de escassez e a aparência cuidadosa das protagonistas.

O debate sobre a estética em meio à crise não é novo. Há apenas alguns dias, uma jovem mãe cubana de Matanzas, identificada no TikTok como @briana_matancera, respondeu às críticas que as mulheres na ilha recebem por tentarem se arrumar.

¿Quer dizer que porque o país está desmoronando as mulheres também temos que nos desmoronar junto com ele?”, questionou a jovem, em um vídeo onde defendia o direito das cubanas a fazer as unhas, se maquiar ou fazer as sobrancelhas como forma de autoestima. Seu testemunho gerou um amplo debate nas redes sociais entre aqueles que a apoiaram e aqueles que consideraram incoerente gastar em estética enquanto se denuncia fome e precariedade.

Este episódio das condições das gestantes na ilha não é isolado. Em agosto de 2024, uma mãe em Guantánamo recebeu uma cesta simbólica por dar à luz no dia do aniversário de Fidel Castro. O pacote, entregue por trabalhadores da ETECSA, continha roupas e sapatos de bebê. Embora a entrega tenha sido celebrada pela imprensa oficialista, evidenciou como as ajudas a mães podem estar politizadas e restritas a datas “especiais”.

Por outro lado, em julho do mesmo ano, grávidas internadas em um hospital de Santiago de Cuba denunciaram ter recebido comida com vermes. Uma jovem compartilhou imagens de uma bandeja com arroz, carne moída e batata-doce estragados, enquanto outra gestante classificou o cardápio hospitalar como “comida para porcos”.

Em contraste, cubanos fora da ilha celebraram as melhores condições. Recentemente, um cubano residente no Chile mostrou nas redes sociais tudo o que recebeu gratuitamente do sistema público de saúde após o nascimento de sua filha: desde berço e roupas até livros e produtos de higiene, no âmbito do programa estatal “Chile Crece Contigo”. O vídeo contrastou diretamente com a miséria do sistema cubano, reforçando o debate sobre desigualdade e direitos sociais.

Este novo vídeo viral, por sua vez, não apenas visibiliza a escassez material, mas também uma crise mais profunda: a perda de expectativas e esperanças para as novas gerações que nascem em um país onde criar um filho implica desafios desproporcionais.

Perguntas frequentes sobre a situação das grávidas em Cuba

O que as gestantes recebem em Cuba através do "tarjetón"?

O "tarjetão" permite que as gestantes adquiram produtos básicos de enxoval, mas a oferta é extremamente limitada. Segundo um vídeo viral, uma mulher só conseguiu comprar um penico, seis cabides de roupa e um porta-sabonete, o que reflete uma escassez significativa nos suprimentos essenciais para o cuidado de bebês.

Por que os cestos para bebês são racionados em Cuba?

O racionamento de cestas em Cuba deve-se à crise econômica e à escassez de produtos básicos, o que limita a capacidade do governo de fornecer mais do que um número muito reduzido de artigos essenciais para os recém-nascidos. Este problema é parte de um padrão mais amplo de abandono institucional e precariedade na ilha.

Como se compara a situação das gestantes em Cuba com outros países?

Em outros países, como o Chile, as gestantes e mães recebem um apoio mais abrangente do sistema público de saúde, que inclui desde berços e roupas até produtos de higiene. Em Cuba, no entanto, as gestantes enfrentam uma escassez aguda de recursos, com cestas que mal contêm o essencial.

Quais críticas o governo cubano enfrenta em relação ao cuidado das gestantes?

O governo cubano é criticado por não priorizar adequadamente as gestantes, oferecendo apenas módulos de produtos básicos que são insuficientes para as necessidades de um recém-nascido. Essa política reflete uma falta de apoio estrutural às mães, que lidam com a escassez de alimentos e produtos básicos em um contexto de crise econômica prolongada.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.