Estudantes universitários no Chile apoiam universitários cubanos: "Vocês não estão sozinhos"

Estudantes da Universidade de Concepción no Chile apoiam seus colegas cubanos que protestam contra as tarifas da ETECSA. A solidariedade cresce com artistas e docentes dentro e fora de Cuba, exigindo diálogo e justiça social.

Apoio a universitários cubanos desde o ChileFoto © Facebook / Dunielys Díaz Hernandez

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Desde a Universidade de Concepción, no Chile, um grupo de estudantes manifestou seu apoio aos universitários cubanos na ilha que expressaram seu desacordo com o recente aumento de tarifas imposto pela Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA).

“Sabemos que estamos longe, mas pelo menos, desde este canto do mundo, aqueles que passavam, liam nosso cartaz e olhavam com espanto, souberam que em Cuba há estudantes dizendo não e sendo corajosos”, escreveu no Facebook a cubana Dunielys Díaz Hernández, acompanhada por estudantes do México, Colômbia que posaram com uma bandeira cubana e um cartaz que dizia: “Nosso apoio aos estudantes em Cuba. Eles não estão sozinhos”.

"Neste gesto de visibilidade reside todo o sentido dessas sete pessoas com uma bandeira cubana junto ao Campanil. Nosso modo de dizer que não estão sozinhos, obrigado, pessoal", conclui o post.

A ação simbólica foi realizada em frente ao icônico Campanário da Universidade de Concepción e faz parte de uma crescente onda de solidariedade com os estudantes cubanos, tanto dentro quanto fora do país.

Solidariedade dentro de Cuba: artistas, docentes e mais estudantes

Un dia antes, um grupo de graduados do Instituto Superior de Arte (ISA) em Havana também manifestou publicamente seu apoio ao movimento estudantil. Em uma carta compartilhada nas redes sociais, os egressos afirmaram: “Queremos fazer parte. Queremos acompanhá-los. Onde e como podemos ser mais úteis?”. Qualificaram os estudantes como herdeiros de uma nova consciência crítica e os encorajaram a continuar levantando a voz “pela justiça social, pela liberdade de pensamento e pela dignidade cidadã”.

O gesto dos artistas se soma às declarações do corpo docente do Departamento de Sociologia e Trabalho Social da Universidade de Havana, que rejeitaram abertamente as tarifas impostas pela ETECSA e questionaram a falta de consulta prévia com a cidadania.

Desde 3 de junho, estudantes da Faculdade de Matemática e Computação (MATCOM) da Universidade de Havana convocaram uma paralisação docente em protesto pelas medidas da ETECSA. Reunidos em uma assembleia com diretores da empresa, reafirmaram sua decisão de não retornar às aulas até que sejam oferecidas soluções satisfatórias. “Mais do que um problema comercial, isso é um problema social”, declarou um dos oradores, sublinhando o impacto das tarifas em um país onde o salário médio mensal não ultrapassa 15 dólares.

Além disso, exigiram a eliminação do limite de recarga mensal de 360 pesos cubanos (CUP) e criticaram a falta de vontade institucional para corrigir a medida.

Mais faculdades se somam e se distanciam da direção da FEU

A Faculdade de Biologia da Universidade de Havana também se uniu ao apelo. Em um comunicado lido de uma sala de aula, o Conselho Ampliado da FEU dessa faculdade declarou que o presidente nacional da organização, Ricardo Rodríguez González —também membro do Conselho de Estado—, não representa sua voz. "Nossa voz não é financiada, é crítica e legítima", enfatizaram os jovens.

Denunciaram as tentativas oficiais de deslegitimar suas posturas e reivindicaram um diálogo direto com o Conselho de Ministros, assim como a formação de uma equipe multidisciplinar para analisar a crise.

Um movimento com ressonância nacional

A protesto universitário transcendeu o âmbito acadêmico para se tornar uma ampla expressão de descontentamento cidadão. O aumento das tarifas por parte da ETECSA foi condenado por estudantes, docentes, formados e cidadãos comuns como uma medida excludente e insensível diante da crise econômica que atravessa Cuba.

Enquanto isso, o gesto de apoio vindo do Chile —e outros que continuam a se multiplicar— confirma que, apesar do isolamento, os estudantes cubanos não estão sozinhos. A voz universitária, de dentro e fora do país, exige mudanças e rejeita as decisões impostas sem consulta nem justiça social.

Perguntas frequentes sobre a protesto estudantil e as medidas da ETECSA em Cuba

Por que os estudantes em Cuba estão protestando contra a ETECSA?

Os estudantes estão protestando contra o aumento das tarifas imposto pela ETECSA, uma vez que consideram que essas medidas afetam negativamente a população cubana, aprofundando as desigualdades sociais e limitando o acesso à informação e à educação. Além disso, as tarifas foram implementadas sem consulta prévia com a cidadania, o que gerou um amplo descontentamento social e acadêmico.

Que ações os estudantes tomaram em resposta ao aumento de tarifas da ETECSA?

Os estudantes convocaram paralisações acadêmicas e exigiram um diálogo transparente com os diretores da ETECSA e o governo cubano. Realizaram assembleias e emitiram comunicados nos quais rejeitam as medidas tarifárias e demandam soluções que sejam justas e acessíveis para toda a população. Também solicitaram a inclusão de propostas técnicas estudantis na tomada de decisões.

Que apoio os estudantes cubanos receberam em suas protestas?

Os estudantes receberam apoio de diversas faculdades, professores, artistas e graduados tanto dentro quanto fora de Cuba. O Observatório de Liberdade Acadêmica expressou seu apoio aos estudantes e alertou sobre possíveis represálias por parte do governo cubano. Além disso, estudantes de outras universidades na América Latina, como os da Universidade de Concepción no Chile, manifestaram sua solidariedade com o movimento estudantil cubano.

Como o governo cubano respondeu às protestas estudantis?

O governo cubano, através das autoridades universitárias, emitiu comunicados reafirmando sua lealdade ao Partido Comunista de Cuba e advertiu que não tolerará interrupções nos processos de ensino. No entanto, não ofereceu soluções significativas que respondam às demandas dos estudantes, o que intensificou o descontentamento e a mobilização dentro das universidades.

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