O sistema educacional em Guantánamo fará ajustes no horário escolar devido à crise energética que o país enfrenta, enquanto cresce o descontentamento das famílias que denunciam condições insustentáveis para que as crianças frequentem as aulas.
As escolas e círculos infantis estenderão seu horário de entrada até às 9:00, enquanto a coleta nos círculos começará a partir das 14:30, anunciou Antonio Tamayo Romero, subdiretor geral de Educação na região, no programa “Revista Guantánamo” do telecentro Solvisión.
Entre 8h e 9h da manhã, serão realizadas atividades complementares para receber os estudantes, explicou o diretor, ao mesmo tempo em que insistiu que “não há suspensão da atividade docente; estamos vivendo uma situação complexa, mas isso não significa que as atividades ou o desenvolvimento social de nossa província serão suspensos… e dentro delas está o desenvolvimento do processo de ensino educativo.”
No caso das escolas secundárias básicas onde não há merenda escolar disponível, apenas será realizada uma sessão de aulas. Além disso, será permitido que os alunos compareçam com "roupa adequada" em vez do uniforme, devido às dificuldades para lavar e passar.
Embora tenha-se insistido que as instituições educacionais manterão seu horário habitual de atendimento para se adequar às necessidades laborais das famílias, as reações da população não se fizeram esperar.
“Se meu filho não dorme, se não tem comida porque não há com o que cozinhar, não tem roupa limpa, lamento dizer que ele não vai à escola”, advertiu uma mãe em um dos numerosos comentários gerados pela publicação do vídeo no perfil de Facebook do jornalista guantanamero Miguel Reyes Mendoza.
O sentimento é compartilhado por dezenas de pais e mães, que não apenas enfrentam a falta de eletricidade, mas também de água, alimentos e descanso.
Lismay Torres Savigñón opinou que o mais sensato seria “acelerar a conclusão do curso”, uma vez que as crianças passam as madrugadas sem ventiladores devido aos cortes de energia. “Que criança de Deus pode querer ir à escola e que pai terá coragem de mandá-los, se as crianças estão irritadas e exaustas?”, questionou.
O tom das mensagens é cada vez mais desesperado. “Não queremos flexibilidade, queremos vidas, parecemos zumbis, sem vidas, destruídos, sem ânimo, sem alegrias, sem vontade de sorrir. Isso é um horror de vida”, escreveu Katerine Díaz Lobaina.
Yurislaine Erbella, por sua vez, foi mais contundente: “O que deveriam fazer é suspender o processo educacional. Além disso, que provas podem fazer crianças que não têm eletricidade para estudar... e muitas, além de não dormir, também não têm um café da manhã ou um almoço para se sustentar. O que devem fazer é fechar as escolas e não serem abusadores.”
Nos últimos dias, as autoridades de Educação em Artemisa também implementaram mudanças nos horários das aulas e flexibilizaram normas com o objetivo de manter o processo de ensino diante dos efeitos da crise eletroenergética. As medidas evidenciam a adaptação forçada do sistema educacional a um cenário de crise prolongada.
Os extensos apagões e a falta de água potável em várias províncias geraram indignação entre os pais, que questionam a exigência do governo de enviar seus filhos para a escola sem condições mínimas para seu bem-estar. Em muitos locais, não há nem pão para os lanches, devido à escassez de farinha, à falta de água e de energia elétrica.
A desconexão de unidades chave provocou em várias ocasiões o colapso do Sistema Electroenergético Nacional (SEN), o que levou o governo a suspender aulas nas escolas e fechar instituições estatais não essenciais para reduzir o consumo energético.
No entanto, essas ações não conseguiram mitigar o impacto na vida cotidiana dos cubanos, que enfrentam dificuldades para realizar atividades básicas como cozinhar, conservar os alimentos e acessar serviços essenciais, com o consequente desgaste emocional.
Perguntas frequentes sobre a crise energética e seu impacto na educação em Cuba
Por que os horários escolares em Guantánamo foram ajustados?
Os horários escolares em Guantánamo foram ajustados devido à crise energética que Cuba está enfrentando, afetando a disponibilidade de eletricidade para as atividades diárias. As escolas e círculos infantis agora iniciarão suas atividades às 9:00 da manhã para se adaptar a essas limitações.
Como a crise energética afeta o sistema educacional em Cuba?
A crise energética em Cuba obrigou a modificar os horários escolares, reduzir as sessões de aulas e flexibilizar o uso do uniforme. As constantes interrupções elétricas dificultam a realização de atividades acadêmicas, afetando tanto os estudantes quanto os docentes.
Por que os pais em Guantánamo exigem a suspensão das aulas?
Los pais em Guantánamo exigem a suspensão das aulas devido às condições insustentáveis para que as crianças frequentem a escola, como a falta de eletricidade, água, alimentos e descanso adequado, o que compromete o bem-estar e o desempenho acadêmico dos alunos.
Quais medidas foram adotadas em outras províncias cubanas diante da crise energética?
Em províncias como Artemisa e Camagüey, foram implementados horários flexíveis e sessões reduzidas nas escolas. Além disso, foi permitido assistir sem uniforme devido às dificuldades em manter a higiene das roupas. Essas medidas buscam manter o processo educativo ativo em meio a apagões prolongados.
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