"Não façam cara para se sentar": Cubana nos EUA explode por pedidos vindos de Cuba

"Que a necessidade não te faça perder a dignidade e a pouca vergonha que te resta."


Uma cubana nos Estados Unidos, conhecida nas redes sociais como Ríete con Ary, gerou grande alvoroço após publicar um vídeo no TikTok onde denuncia, em tom enérgico, o que descreve como um padrão crescente de descaramento e abuso por parte de pessoas na ilha que, ao saberem que ela planeja viajar para Cuba, bombardeiam-na com pedidos de todo tipo, desde roupas até sapatos de marca.

“Que a necessidade não te faça perder a dignidade e a pouca vergonha que te resta”, sentenciou @rieteconary em seu desabafo, que em menos de 24 horas desencadeou uma verdadeira onda de reações nas redes sociais.

Uma história de abuso de confiança

Em seu relato, Ary conta como uma antiga conhecida —com a qual não mantinha contato há mais de uma década— a contatou recentemente pelas redes sociais para cumprimentá-la... e depois pediu que ela levasse uma mala com artigos para sua filha, que estuda na escola Lenin.

No início, ele tentou responder com cortesia, mas o tom mudou quando a interlocutora começou a assumir que ela traria os itens sem maior compromisso. “Pela minha vida, já passaram 500 vendavais, 400 furacões e eu não te vi nem com um guarda-chuva para me cobrir”, expressou. O ponto de ruptura chegou quando pediram um par de sapatos tamanho 11. “Que par de sapatos nem que compromisso? Se não conversamos há anos”, disse com evidente raiva.

Reações em massa: "Aconteceu o mesmo comigo"

O vídeo provocou uma avalanche de testemunhos. Entre os centenas de comentários que recebeu, muitos coincidiram em destacar uma experiência compartilhada: antigos amigos ou familiares que reaparecem apenas para pedir coisas, com demandas que vão desde medicamentos e roupas até solicitações de dinheiro e viagens pagas.

“Ela me pediu uma recarga e como não pude, me bloqueou”, relatou uma usuária. Outra contou que lhe solicitaram "500 para uma dívida". Também há muitos casos em que o contato é restabelecido apenas para fazer pedidos de materiais. As frases “já não escrevem nem para o aniversário” ou “nos tratam como caixas eletrônicos” se repetiram entre os comentários.

Um debate que se repete

Este tipo de queixas tem se repetido com frequência nas redes sociais. Há meses, Ary protagonizou outro vídeo onde chorou ao falar da crise na ilha e da impotência daqueles que estão fora para ajudar seus entes queridos, afetados pela falta de energia e pela escassez de alimentos. Naquela ocasião, expressou sua frustração pela situação limite que vivem muitos em Cuba.

O desconforto diante das exigências desproporcionais também se tornou tema de outros vídeos virais. Uma jovem nos EUA reclamava que “nunca nada parece ser suficiente” para seus familiares. Outra denunciou sentir-se convertida em um “caixa eletrônico”. Da Espanha, uma criadora satirizou como deve viajar “com 12 malas” devido às solicitações excessivas.

"Meu dinheiro, meu esforço"

Em seu vídeo mais recente, Ary destaca que não se trata de egoísmo, mas sim de estabelecer limites: "É a minha bobagem, com essa bobagem posso ajudar quem realmente me importa". Segundo seu relato, muitas vezes aqueles que mais exigem foram também os que menos estiveram presentes em seus momentos difíceis. E nessa catarse, ele encontrou a voz de muitos, que hoje sentem que seus esforços do exterior foram desvirtuados, reduzidos a um dever automático que já não estão dispostos a assumir sem reciprocidade.

O impacto de sua mensagem não apenas gerou empatia, mas também inspirou outros a falar e compartilhar suas próprias decisões de frear uma dinâmica que consideram injusta. Alguns até declararam que, após ver o vídeo, optaram por não anunciar suas viagens ou por deixar de levar presentes que não são valorizados.

Perguntas frequentes sobre as tensões entre cubanos emigrados e seus familiares em Cuba

Por que alguns cubanos nos Estados Unidos sentem frustração em relação a seus familiares em Cuba?

Muitos cubanos nos Estados Unidos sentem frustração porque, apesar dos sacrifícios que fazem para enviar ajuda a seus familiares em Cuba, nem sempre recebem gratidão ou compreensão. Situações como essas são comuns e provocam tensões familiares, já que os emigrantes enfrentam seus próprios desafios econômicos e pessoais no exterior.

Quais são os principais desafios que os cubanos recém-chegados aos Estados Unidos enfrentam?

Os cubanos recém-chegados aos Estados Unidos enfrentam altos custos de vida, incluindo o aluguel, o seguro e outras despesas básicas. Muitos deles dependem inicialmente de familiares ou amigos para se estabelecer, o que pode gerar tensões se não cumprirem com as expectativas de colaboração ou se não conseguirem se estabilizar economicamente rapidamente.

Como as tensões econômicas afetam as relações familiares entre cubanos nos EUA e em Cuba?

As tensões econômicas podem deteriorar as relações familiares devido à falta de reciprocidade e compreensão. Os emigrantes sentem que seus esforços não são valorizados, enquanto seus familiares em Cuba mantêm expectativas elevadas e, muitas vezes, irreais sobre a capacidade econômica daqueles que vivem no exterior.

Que medidas podem tomar os emigrantes cubanos para gerir as expectativas de seus familiares?

Para gerenciar as expectativas, os emigrantes cubanos podem estabelecer limites claros sobre a ajuda econômica que podem fornecer. É importante comunicar abertamente suas próprias necessidades e desafios financeiros, para que seus familiares em Cuba compreendam a realidade de sua situação no exterior.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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