Washington DC viveu uma noite trágica nesta quarta-feira após o assassinato a tiros de dois funcionários da embaixada de Israel nos Estados Unidos, cometidos por um homem que, ao ser detido, gritou "¡Palestina libre!", de acordo com informações das autoridades e agências de notícias
O crime ocorreu em frente ao Museu Judaico da capital, em uma área repleta de edifícios governamentais e atrações turísticas, incluindo a sede do FBI.
De acordo com as autoridades, o incidente ocorreu por volta das 21h08, horário local (01h08 GMT), momento em que a polícia recebeu várias chamadas alertando sobre um tiroteio nas imediações do Museu Judaico de Washington.
As vítimas, identificadas como Yaron Lischinsky e Sarah Lynn Milgram, foram encontradas inconscientes e sem sinais de vida.
Segundo a BBC, ambos participavam de um evento voltado para jovens profissionais judeus, organizado pelo Comitê Judaico Americano, destinado a "fomentar a unidade e celebrar a herança judaica".
A embaixada israelense confirmou suas identidades e expressou em um comunicado sua "devastação" pela perda.
"Nosso pessoal está desconsolado e devastado por seu assassinato", destacou o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, que também revelou que o casal tinha planos de noivado durante uma próxima viagem a Jerusalém, e que o jovem havia comprado um anel esta semana com a intenção de fazer o pedido de casamento à sua namorada.
Yaron Lischinsky, de 28 anos e de nacionalidade alemã, havia se mudado para Israel durante a adolescência e, desde 2022, trabalhava na embaixada de Israel em Washington.
Segundo Jenny Havemann, que o conheceu em um grupo germano-israelense, ele fazia parte de um círculo de jovens que promoviam o entendimento entre ambas as nações.
Também era um “cristão devoto” e tinha planos de pedir Sarah em casamento durante uma viagem a Jerusalém.
Sarah Lynn Milgram, sua parceira, participava ativamente de eventos judaicos na cidade e era considerada “simpática e muito querida” por aqueles que a conheciam.
O suspeito e a detenção
O atacante foi identificado como Elías Rodríguez, um homem de 30 anos e origem hispânica residente em Chicago.
De acordo com a polícia metropolitana de Washington (MPD), Rodríguez foi visto "perambulando de um lado para o outro na frente do museu" antes de abrir fogo contra um grupo de pessoas.
Após o ataque, ele entrou no museu, onde foi detido pela equipe de segurança. Segundo testemunhas e fontes oficiais, ao ser preso, gritou "¡Palestina livre, livre!".
A chefe da MPD, Pamela Smith, esclareceu em entrevista coletiva que não havia sido recebida nenhuma alerta prévia de inteligência sobre uma ameaça iminente e que o detido não possuía antecedentes criminais que antecipassem um ato violento dessa magnitude.
No entanto, a polícia federal e as agências de segurança analisam se o atentado tem "vínculos com possíveis atos terroristas" ou se foi motivado por um "crime de ódio".
O FBI também confirmou que está avaliando "potenciais vínculos ou motivações terroristas baseados em crimes de viés ou ódio".
Reação de Donald Trump e Marco Rubio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi um dos primeiros líderes a se pronunciar após o crime. Através de sua conta na rede Truth Social, condenou veementemente o assassinato dos dois funcionários israelenses.
"Esses horríveis assassinatos em DC, claramente motivados pelo antissemitismo, devem terminar, JÁ! O ódio e o radicalismo não têm lugar nos Estados Unidos. Minhas condolências às famílias das vítimas. É tão triste que coisas como essas possam acontecer. Que Deus abençoe a TODOS!", escreveu.
Suas declarações ressoaram com força em meios de comunicação conservadores americanos e reavivaram o debate sobre o crescimento do antissemitismo no país.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também reagiu ao crime com uma mensagem direta: “Buscaremos os responsáveis e os levaremos à justiça”.
Reações internacionais
O primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, expressou sua indignação pelo ataque e o qualificou como mais uma demonstração do crescimento do ódio antijudaico em nível global.
“Estamos vendo o preço terrível do antissemitismo e da incitação selvagem contra o Estado de Israel. Os libelos de sangue contra Israel estão em aumento e devem ser combatidos até o fim”, assegurou.
Além disso, anunciou o reforço imediato da segurança em todas as missões diplomáticas israelenses no exterior.
O presidente Isaac Herzog, por sua vez, qualificou o crime como “um ato desprezível de ódio e antisemitismo” que “ceifou a vida de dois jovens funcionários da embaixada de Israel”.
Agregou que seu "coração está com os entes queridos dos assassinados" e que suas "orações estão com os feridos". Herzog também se comunicou por telefone com o embaixador Yechiel Leiter e com o diretor do Comitê Judaico Americano, Ted Deutch.
O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, pediu aos líderes internacionais que deixem de espalhar discursos hostis contra Israel: “Aos líderes mundiais que se rendem à propaganda terrorista palestina e a servem, peço que parem sua incitação contra Israel e deixem de fazer falsas acusações.”
Desde a Europa, a alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Segurança, Kaja Kallas, expressou sua “comoção” e afirmou que “não há e não deve haver espaço para o ódio, o extremismo ou o antissemitismo em nossas sociedades”.
O evento em que ocorreu o atentado estava focado em como construir uma coalizão de apoio aos residentes da Faixa de Gaza, o que acrescenta um tom trágico e paradoxal ao que aconteceu.
JoJo Kalin, membro da diretoria do Comitê Judaico Americano e organizador do evento, expressou um profundo sentimento de culpa, embora reafirmasse seu compromisso com a paz
Perguntas frequentes sobre o assassinato de funcionários da Embaixada de Israel em Washington
O que ocorreu no assassinato dos funcionários da embaixada de Israel em Washington?
Dois funcionários da embaixada de Israel foram mortos a tiros em frente ao Museu Judaico de Washington por um homem que gritou "¡Palestina livre!" ao ser detido. O ataque ocorreu em uma área com edifícios governamentais e atrações turísticas.
Quem foi o responsável pelo ataque aos funcionários da embaixada de Israel?
O atacante foi identificado como Elías Rodríguez, um homem de 30 anos de origem hispânica residente em Chicago. Foi detido após o ataque e, no momento de sua prisão, gritou palavras de ordem a favor da Palestina.
Que reações o ataque gerou na comunidade internacional?
O ataque foi fortemente condenado por líderes internacionais, como o primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, que destacou o aumento do antissemitismo global. O presidente dos EUA, Donald Trump, também condenou o crime e enfatizou a necessidade de acabar com o antissemitismo no país.
Qual tem sido a resposta das autoridades americanas ao tiroteio?
As autoridades, incluindo o FBI, estão investigando se o ataque tem possíveis vínculos terroristas ou se foi um crime de ódio. A polícia metropolitana de Washington indicou que não havia antecedentes criminais do agressor que antecipassem um ato violento dessa magnitude.
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