Díaz-Canel: "A luta contra a homofobia e a transfobia é parte dos ideais do socialismo em Cuba"

Díaz-Canel afirma que combater a homofobia é um ideal socialista, apesar da história homofóbica do regime cubano. Críticas ressaltam o passado de repressão e campos de trabalho forçado.


O governante cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez afirmou neste sábado que a luta contra a homofobia e a transfobia faz parte dos "ideais" do socialismo em Cuba, quando Fidel Castro se dedicou a perseguir os homossexuais, a quem chegou a chamar de "degenerados" e "desviados".

Em uma publicação a respeito do Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e a Biofobia, em comemoração ao dia em que a homossexualidade foi retirada da classificação internacional de doenças mentais pela Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Díaz-Canel afirmou que a luta contra a discriminação se devia às "bases" de "equidade e justiça" do governo cubano.

"A luta contra a homofobia e a transfobia é parte dos ideais de equidade e justiça do socialismo em Cuba. Parabéns a quem, por 18 anos, organizou as Jornadas para educar e superar preconceitos e estereótipos. O amor já é Lei. Vamos fazê-lo triunfar sempre", manifestou.

Captura de Facebook

Centenas de internautas criticaram a hipocrisia de Díaz-Canel em um post que parece apagar a homofobia e transfobia que o regime de Castro defendia.

"Depois de enviar tantos homossexuais para os campos de trabalho forçado da UMAP e tanta perseguição e expulsão em escolas e centros de trabalho, assédio policial para que agora digam que é graças ao socialismo... Só lembrar o que disse Guevara ao ver um livro de Virgilio Piñera em uma embaixada cubana", escreveu um professor e pesquisador cubano.

"El Che ficaria muito grato por ter um alvo de tiro tão grande", disse sarcasticamente outra pessoa.

A maioria se perguntou se Díaz-Canel se esqueceu que Fidel Castro foi o primeiro a excluir e censurar os homossexuais e lésbicas: "E agora se fazem de justos e inclusivos, que cínicos são".

"Parece que já nos esquecemos de que o próprio governo os mandou para a UMAP por anos", sentenciou outro.

O governante cubano tenta, sem sucesso, limpar a imagem do regime patriarcal e homofóbico de Cuba.

Em um discurso de 13 de março de 1963, Fidel Castro previu o que seriam as operações e os famosos campos de trabalho nos quais foram recluídos homossexuais, testemunhas de Jeová e outros "desviados".

"Que não confundam a serenidade da Revolução e a equanimidade da Revolução com fraquezas da Revolução. Porque nossa sociedade não pode acolher essas degenerações. A sociedade socialista não pode permitir esse tipo de degenerações", ameaçava o ditador há mais de 60 anos.

Entre 1965 e 1968, foram criadas as Unidades Militares de Apoio à Produção (UMAP), campos de trabalho forçado, onde muitos jovens foram enviados com o objetivo de sua "reeducação".

Segundo alguns estudiosos, durante a existência desses campos, foram encerrados cerca de 35.000 jovens, na sua maioria religiosos e homossexuais.

Muitos deles morreram durante a sua estada lá, tanto por suicídios quanto por torturas. Um total de 500 terminou sob cuidados psiquiátricos.

Perguntas frequentes sobre a postura do governo cubano em relação à comunidade LGBTIQ+ e a hipocrisia histórica do regime

Qual é a postura atual do governo cubano sobre a homofobia e a transfobia?

Miguel Díaz-Canel afirma que a luta contra a homofobia e a transfobia é parte dos ideais do socialismo em Cuba. No entanto, essa postura é criticada por ser contraditória com o passado do regime, que historicamente perseguiu pessoas homossexuais e transexuais, especialmente durante a era de Fidel Castro.

Como se tem manifestado a hipocrisia do regime cubano em relação aos direitos LGBTIQ+?

Apesar das recentes declarações de inclusão, o regime cubano tem sido historicamente opressor em relação à comunidade LGBTIQ+. Durante o governo de Fidel Castro, foram criados campos de trabalho forçado, conhecidos como UMAP, onde foram recluídos milhares de jovens homossexuais e pessoas consideradas "desviadas". Esse passado contrasta com as tentativas atuais de limpar a imagem do regime, apresentando-se como defensor dos direitos LGBTIQ+.

Quais mudanças legais recentes afetaram a comunidade LGBTIQ+ em Cuba?

O Código das Famílias aprovado em 2022 legalizou o casamento igualitário em Cuba, o que representa um avanço significativo no marco legal para a comunidade LGBTIQ+. Além disso, está em discussão um projeto de Lei de Registro Civil que permitiria às pessoas modificar seu sexo em documentos oficiais de acordo com sua autopercepção, embora as cirurgias de reasignação de gênero estejam atualmente paralisadas por falta de recursos.

Como a comunidade e o público responderam às declarações de Díaz-Canel sobre a homofobia?

As declarações de Díaz-Canel foram criticadas por muitos internautas que apontam a hipocrisia do regime, lembrando a perseguição do passado contra a comunidade LGBTIQ+. Comentários nas redes sociais destacam a incongruência entre as ações históricas do governo e suas atuais afirmações de inclusão e equidade.

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