Ramiro Valdés, um dos históricos do regime, inaugurou neste sábado o parque fotovoltaico (PFV) La Barbarita, no município pinareño de Consolação do Sul, durante mais um dia de apagões na ilha.
La Barbarita, conectada ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) desde o final de abril, é o primeiro de quatro parques que devem ser construídos em Pinar del Río, afirmou a imprensa local, sem se referir a prazos.
O parque foi montado em quatro meses graças ao capital chinês e tem uma vida útil de 25 anos.
Desde o passado 26 de abril gerou 1 173 mwh para o Sistema Electroenergético Nacional, o que implica uma economia considerável de mais de 300 toneladas de combustíveis fósseis, disseram as autoridades.
No entanto, não alcançou seu máximo rendimento devido à poeira e outros fatores ambientais, apesar de que, segundo o relatório, suas estruturas podem suportar ventos máximos de mais de 300 km/h.
O lançamento do parque solar em Pinar del Río se junta à abertura de instalações semelhantes em outras províncias nos últimos meses, em um contexto nacional com termoelétricas envelhecidas, manutenções adiadas e combustível escasso, onde a contribuição das energias renováveis representa cerca de 5% da matriz energética do país.
No obstante, esses emplazamentos nascem com uma importante limitação: a falta de baterias para armazenar a eletricidade gerada, o que significa que a energia solar só poderá ser utilizada em tempo real, durante o dia, sem possibilidade de atender à demanda noturna, quando ocorre o maior consumo.
Sábado de apagões em Cuba
Apesar da entrada da Guiteras no SEN, neste sábado a União Elétrica (UNE) informou que continuarão enfrentando uma crítica situação de déficit energético.
Às 7:00 da manhã deste sábado, a disponibilidade do SEN era de apenas 1810 MW frente a uma demanda de 2840 MW, o que provocou uma afetacão por déficit de capacidade de 1089 MW. Para o horário do meio-dia, estima-se uma afetacão de 1040 MW.
As principais ocorrências do sistema incluem a saída por avaria da unidade 2 da termoelétrica (CTE) Felton, assim como tarefas de manutenção em outras quatro unidades geradoras nas CTE Santa Cruz, Cienfuegos, Guiteras e Renté.
Além disso, a UNE relata 397 MW fora de serviço devido a limitações térmicas, além de uma significativa afetação adicional pela falta de combustível, que mantém 65 centrais de geração distribuída inoperativas, com uma perda estimada de 458 MW.
Para o horário de pico noturno, prevê-se uma recuperação parcial com a ativação da Guiteras (200 MW), a entrada da unidade 6 da CTE Nuevitas (100 MW) e a recuperação de 70 MW em centrais a diesel atualmente paradas por falta de combustível.
Ainda assim, a disponibilidade estimada será de 2180 MW frente a uma demanda máxima de 3350 MW, o que deixaria um déficit de 1170 MW. A UNE prevê uma afetação de até 1240 MW durante esse horário.
Por outro lado, os 11 novos parques solares fotovoltaicos do país contribuíram com 1131 megawatts-hora (MWh) para o sistema, uma contribuição insuficiente para mitigar o déficit geral.
Perguntas frequentes sobre os parques solares e a crise energética em Cuba
Qual é o impacto do parque solar La Barbarita na crise energética em Cuba?
O parque solar La Barbarita contribui para o Sistema Elétrico Nacional (SEN) com 1.173 MWh desde o final de abril, o que representa uma economia de mais de 300 toneladas de combustível fóssil. No entanto, seu impacto é limitado devido à falta de baterias para armazenar a energia gerada, o que impede cobrir a demanda noturna, quando o consumo é maior.
Por que os apagões continuam em Cuba apesar das novas instalações solares?
Os apagões em Cuba persistem devido a um déficit energético significativo, com uma disponibilidade insuficiente em relação à demanda. A contribuição dos novos parques solares é insuficiente para mitigar o déficit geral, uma vez que as energias renováveis representam apenas cerca de 5% da matriz energética nacional. O sistema elétrico cubano enfrenta problemas estruturais, termelétricas envelhecidas e uma falta crítica de combustível.
Quais desafios os parques solares enfrentam em Cuba?
Os parques solares em Cuba enfrentam vários desafios, incluindo a falta de baterias para o armazenamento de energia, o que limita sua capacidade de uso em tempo real durante o dia. Além disso, problemas ambientais como a poeira afetam o desempenho dos painéis solares. Embora tenham sido projetados para suportar ventos fortes, a produção continua a ser insuficiente para compensar a crise energética geral.
Qual é o papel da China no desenvolvimento da energia solar em Cuba?
A China tem sido um ator chave no desenvolvimento de energia solar em Cuba, fornecendo capital e tecnologia para a construção de parques solares. Empresas chinesas como a Hangzhou Duojia Technology Co. Ltd têm participado da construção desses parques, contribuindo com painéis solares e baterias de lítio. Esta colaboração está enquadrada em um acordo para expandir o uso de energia solar na ilha, embora persistam dúvidas sobre o financiamento e o impacto real desses projetos.
Quais são as expectativas para o futuro da energia renovável em Cuba?
O governo cubano tem expectativas ambiciosas para a energia renovável, planejando instalar 2.000 MW de energia solar até 2030, com uma primeira fase de 1.000 MW programada para 2025. No entanto, o sucesso desses planos dependerá de melhorias na infraestrutura elétrica e soluções de armazenamento de energia. Atualmente, as expectativas da população são baixas devido à falta de resultados tangíveis e à persistência de apagões.
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