Esposa de jovem I-220B, deportado para Cuba: "Peço que o deixem retornar aos EUA para criar seu filho."

Víctor Manuel Izquierdo Peralta, de 21 anos, é pai de um menino de um ano e nove meses. Entrou nos Estados Unidos, onde toda a sua família vive, pela fronteira do México, sendo menor de idade. Na Ilha, não tem nem casa nem família


Zunami Pérez, esposa do jovem cubano Víctor Manuel Izquierdo Peralta, devolvido no dia 24 de abril à Ilha junto a outros 82 deportados, pede clemência para que seu marido possa retornar aos Estados Unidos e aguardar neste país o processo de casamento que já está em andamento, uma vez que ela é cidadã americana. "Estamos sofrendo. Meu filho deveria crescer com seus pais", disse em um vídeo enviado para CiberCuba.

"Nenhuma pessoa deveria passar por uma dor tão grande. Só peço que o deixem voltar para criar seu filho", acrescentou, visivelmente devastada. Ambos têm um menino de um ano e nove meses em comum.

Víctor Manuel Izquierdo, de 21 anos, entrou nos Estados Unidos pela fronteira do México em 2019, sendo menor de idade e, na época, recebeu um documento I-220B. Desde então, comparecia à sua consulta anual com o ICE (Serviço de Imigração) acompanhado de sua mãe, mas em agosto de 2024 completou 21 anos e, na consulta de 28 de março de 2025, foi detido em Tampa e transferido para o centro de detenção de imigrantes Krome e, de lá, para a prisão de Broward, para posteriormente ser deportado a Cuba, onde não tem nem casa nem família.

Além de ter o pedido de casamento, Víctor Manuel Izquierdo trabalhava, não tinha problemas legais nem antecedentes criminais. "Ele é muito correto. Entrou neste país sendo menor de idade. Tínhamos muitas esperanças de que levassem em conta todas essas coisas para que o deixassem aqui, aguardando seu processo de pedido de casamento, sempre se apresentando, fazendo todas as suas obrigações para que tudo fluísse", explica sua esposa em um áudio enviado na semana da deportação para esta plataforma.

A situação de Víctor Manuel Izquierdo é difícil porque legalmente ele só pode retornar aos Estados Unidos se conseguir um perdão, algo que leva de três a cinco anos para ser concedido. Também existe a possibilidade de solicitar um visto humanitário, algo que é extremamente difícil de ser aprovado, mas não impossível, conforme explicou nesta segunda-feira o advogado especialista em Imigração Willy Allen.

A congressista republicana María Elvira Salazar também se manifestou sobre o caso da mãe I-220B, que foi deportada para Cuba e separada de seu bebê lactante. O caso de Heidy Sánchez Tejeda, que comoveu a comunidade cubana na Flórida, é exatamente igual ao de Víctor Manuel Izquierdo. Ambos são pais, viviam em Tampa, foram separados de seus filhos e tinham I-220B. De acordo com a representante republicana, ambos poderiam ter se 'salvado' se a Lei Dignidade que ela pretende promover no Congresso tivesse sido aprovada.

A figura migratória I-220B torna a legalização nos Estados Unidos praticamente impossível. De fato, o advogado Willy Allen explicou em declarações à CiberCuba que, em sua opinião, "os cubanos que devem ter a maior preocupação são os I-220B".

"Para mim, os cubanos que têm a maior preocupação, e já falamos sobre isso não sei quantas vezes, são os I-220B. O caminho para um 220B se legalizar nos Estados Unidos é quase impossível, porque uma vez que você tem um 220B, você perdeu um asilo e foi deportado, perdeu um medo crível e foi deportado ou falhou em comparecer a uma Corte e foi deportado", apontou o prestigiado advogado.

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Tania Costa

(Havana, 1973) vive na Espanha. Ela dirigiu o jornal espanhol El Faro de Melilla e FaroTV Melilla. Foi chefe da edição de Murcia do 20 minutos e assessora de Comunicação da Vice-Presidência do Governo de Múrcia (Espanha).