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O jornalista independente e ex-prisioneiro político cubano Alfredo Felipe Fuentes faleceu em Austin, Texas, aos 75 anos de idade, confirmaram nesta sexta-feira organizações de Direitos Humanos.
Fuentes foi um dos 75 opositores condenados durante a onda repressiva conhecida como a Primavera Negra de 2003 em Cuba e fez parte do grupo de prisioneiros liberados em 2010 sob a condição de emigrar para a Espanha.
Fuentes, reconhecido por seu ativismo em defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão, foi condenado a 26 anos de prisão após ser preso em março de 2003, depois de uma invasão em sua residência em Artemisa.
Acusado de violar o Artigo 91 do Código Penal cubano, foi recluído na prisão de máxima segurança de Guanajay.
“Alfredo Felipe foi uma das pessoas mais justas, mais inteligentes, com um caráter incrível. Um patriota que parte sem ver a nossa Cuba livre e democrática, ou uma Cuba diferente como ele a sonhou”, declarou a Martí Notícias o também ex-prisioneiro político Pablo Pacheco Ávila.
Em 2010, Fuentes foi desterrado para a Espanha como parte de um acordo entre a Igreja Católica, o governo espanhol e o regime cubano. Após uma estadia em Málaga, estabeleceu-se no Texas, onde residiu até seu falecimento.
O Observatório Cubano de Direitos Humanos lamentou sua morte e recordou que sua vida “foi marcada pela defesa dos direitos humanos, pela liberdade de expressão e pela sua bravura diante da repressão.”
A CUBALEX também lembrou que "foi um dos 75 dissidentes encarcerados durante a Primavera Negra de 2003, uma ofensiva repressiva do regime cubano contra a sociedade civil. Por exercer seu direito à liberdade de expressão e defender pacificamente os direitos humanos, foi condenado injustamente a 26 anos de prisão em um julgamento sem transparência nem garantias processuais".
Destaca que "depois de sete anos de prisão por pensar de forma diferente, em 2010 foi desterrado como resultado de uma negociação entre a Igreja Católica, o governo espanhol e o regime cubano".
"Desde o exílio —primeiro em Málaga e depois nos Estados Unidos— manteve, com palavras e convicção, sua entrega à causa de uma Cuba democrática", destaca a publicação.
Economista de formação, Fuentes foi membro do Conselho Unitário dos Trabalhadores Cubanos e participou ativamente do Projeto Varela, promovido pelo opositor Oswaldo Payá.
Começou sua atividade como jornalista independente em 1991, e foi autor de livros como A falsa imagem de Fidel Castro. Evidências irrefutáveis e Fidel Castro e a Junta Militar Argentina, este último apresentado em Miami em 2022.
"Foi um homem que denunciou o regime prisional de dentro das prisões", concluiu Pacheco.
Perguntas frequentes sobre Alfredo Felipe Fuentes e a repressão em Cuba
Quem foi Alfredo Felipe Fuentes e por que é importante?
Alfredo Felipe Fuentes foi um jornalista independente e ex-prisioneiro político cubano, conhecido por seu ativismo em defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão. Ele foi um dos 75 opositores condenados durante a Primavera Negra de 2003 em Cuba. Sua vida e obra são um símbolo da resistência diante da repressão do regime cubano.
O que foi a Primavera Negra de 2003 em Cuba?
A Primavera Negra de 2003 foi uma onda repressiva do regime cubano que resultou na prisão e condenação de 75 opositores, entre eles Alfredo Felipe Fuentes. Esses dissidentes foram detidos por exercer seu direito à liberdade de expressão e defender pacificamente os direitos humanos. Foram submetidos a julgamentos sem garantias processuais, o que gerou condenação internacional.
Como foi a vida de Alfredo Felipe Fuentes após sua libertação?
Após ser desterrado para a Espanha em 2010 como parte de um acordo entre a Igreja Católica, o governo espanhol e o regime cubano, Alfredo Felipe Fuentes estabeleceu-se nos Estados Unidos, onde continuou seu ativismo por uma Cuba democrática a partir do exílio. Seu compromisso com a causa cubana permaneceu até seu falecimento no Texas.
Qual é a situação atual dos direitos humanos em Cuba segundo o contexto fornecido?
A situação dos direitos humanos em Cuba continua a ser precária, com múltiplos casos de repressão e encarceramento de opositores, como José Daniel Ferrer e Félix Navarro. O regime cubano continua a utilizar o sistema judicial para silenciar a dissidência, e as condições nas prisões são desumanas, com denúncias de torturas e negligência médica em relação aos presos políticos.
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