O cantautor cubano Raúl Torres voltou à cena musical com um novo tema carregado de simbolismo e nuances políticas, desta vez dedicado ao recentemente falecido Papa Francisco.
A canção, intitulada "Entre clavo y madera", é interpretada pelo trovador Pedrito Beritán, com acompanhamento de guitarra do próprio Torres, autor da peça.
O videoclipe que acompanha a faixa musical apresenta uma mistura de imagens do Papa Francisco em sua missão pastoral ao redor do mundo, entre fiéis e eventos públicos, assim como em encontros com figuras como Fidel e Raúl Castro, Nicolás Maduro e Vladimir Putin, em uma aparente narrativa política intencional que acompanha a homenagem.
“Nós, cubanos, quisemos mostrar nossa dor e, junto à TeleSur, fizemos esta canção para mantê-la presente, é algo inspirado em suas ações, é algo que também ficará como lembrança das boas ações de nosso santo pai”, declarou Raúl Torres à referida mídia.
O gesto não surpreende, considerando o histórico do trovador, conhecido por suas músicas de louvor a figuras dictatoriais da left latino-americana, “Cabalgando con Fidel”, dedicada a Fidel Castro, e “El regreso del amigo”, ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.
Torres e sua cruzada pelo reconhecimento
A aparição desta nova canção chega poucas semanas depois de Torres protagonizar uma polêmica nas redes sociais, após se incomodar com sua exclusão do Museu da Música Cubana.
O trovador manifestou abertamente sua indignação por não ter sido incluído, argumentando que suas canções patrióticas e de conteúdo ideológico mereciam um espaço nessa instituição, o que gerou uma avalanche de críticas e zombarias. A controvérsia escalou quando, longe de se acalmar, continuou seu escândalo nas redes sociais e exigiu com mais veemência seu lugar no museu, alegando discriminação política.
Raúl Torres se consolidou como um dos trovadores mais alinhados ao oficialismo cubano. Suas composições serviram de trilha sonora a campanhas de exaltação política dentro e fora da ilha, o que lhe rendeu tanto seguidores quanto detratores. Seu novo tema, embora à primeira vista um homenagem religiosa, não escapa dessa linha, ao incluir no mesmo espaço visual o Papa e figuras controversas do poder mundial.
Perguntas frequentes sobre a canção de Raúl Torres dedicada ao Papa Francisco
Quem é Raúl Torres e por que sua nova canção é relevante?
Raúl Torres é um cantautor cubano conhecido por suas composições dedicadas a figuras políticas da esquerda latino-americana, como Fidel Castro e Hugo Chávez. Sua nova canção, "Entre clavo y madera", é dedicada ao Papa Francisco após seu falecimento e é interpretada por Pedrito Beritán. A relevância desta canção reside no simbolismo e nos contornos políticos que acompanham sua obra, refletindo a proximidade do Papa com figuras do poder mundial, como os Castro e Vladimir Putin.
O que gerou controvérsia em torno de Raúl Torres e sua relação com o Museu da Música Cubana?
Raúl Torres demonstrou-se decepcionado por não estar incluído no Museu da Música Cubana, o que gerou controvérsia. Apesar de sua lealdade ao regime cubano, sua obra não foi reconhecida nessa instituição. Isso levou Torres a expressar seu descontentamento nas redes sociais e a exigir sua inclusão devido à influência de suas composições na cultura oficialista. A situação reflete as tensões entre o reconhecimento oficial e a obra de artistas alinhados com o governo.
Qual tem sido a reação de outras figuras públicas diante da protesto de Raúl Torres?
O cantor Yotuel Romero criticou Raúl Torres após sua protesto por não estar incluído no Museu da Música Cubana. Yotuel afirmou que a lealdade a uma ditadura não é benéfica e comparou a atitude de Torres à de um escravo obediente. Esta resposta reflete a divisão de opiniões sobre o papel dos artistas no contexto político cubano e a relação entre cultura e governo na ilha.
Como o governo cubano reagiu à morte do Papa Francisco?
O governo cubano decretou Luto Oficial pela morte do Papa Francisco, destacando seu papel no fortalecimento das relações entre Cuba e a Santa Sé. Raúl Castro expressou seu pesar em uma mensagem pessoal, qualificando o Papa como um defensor da paz. Além disso, Miguel Díaz-Canel assistiu a uma missa em honra ao pontífice, ressaltando sua contribuição para a diplomacia entre Cuba e os Estados Unidos.
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