As alarmes soaram entre a comunidade migrante do sul da Flórida, especialmente a cubana, após uma reportagem da Associated Press que revela as condições desumanas de centenas de pessoas no centro de detenção Krome, no condado de Miami-Dade.
Localizado nos limites dos Everglades, Krome é o centro de detenção de imigrantes mais antigo dos Estados Unidos e tem sido palco de várias controvérsias ao longo de sua história. Atualmente, abriga até 1.700 pessoas, quase o triplo de sua capacidade original de 600.
Isso gerou um ambiente de tensão tanto entre os detidos quanto entre os próprios trabalhadores do centro, que denunciam sentir-se inseguros.
Entre as queixas mais graves estão a falta de acesso a água potável e alimentos suficientes, o confinamento insalubre e a negligência médica sistemática.
A finais de março, Octavio Pérez Rodríguez, um cubano de 36 anos, que está detido neste centro há mais de um mês, fez uma ligação para sua esposa, Midalys López Corrales, e expressou sua desespero: "Estou morrendo, sinto uma dor... Você não pode imaginar o que estou passando", disse e pediu para ser deportado para Cuba.
Em vídeos filtrados e divulgados nas redes sociais, vê-se detidos dormindo no chão, sem acesso a chuveiros ou telefones, e comendo apenas sanduíches de manteiga de amendoim. “Estamos praticamente sequestrados”, disse um deles.
O imigrante ucraniano Maksym Chernyak morreu após passar dias sem atenção médica adequada em Krome, apesar de suas queixas por frio extremo e pressão arterial elevada. Sua esposa afirma que a barreira do idioma impediu que ele comunicassse seu estado de saúde. Foi ignorado até que já fosse tarde demais.
O governo dos Estados Unidos encerrou recentemente três escritórios de supervisão do Departamento de Segurança Nacional responsáveis por investigar abusos nesses centros. Esta decisão gerou uma onda de críticas por parte de defensores dos direitos humanos e legisladores, que alertam que sem vigilância independente, aumentam os riscos para os migrantes.
No se menciona en o relatório quantos casos específicos de cubanos existem detidos em Krome, mas a comunidade em Miami teme que muitos dos afetados possam ser compatriotas da ilha.
Perguntas frequentes sobre as condições no centro de detenção Krome em Miami
Quais são as principais denúncias sobre o centro de detenção Krome?
As denúncias mais graves no centro de detenção Krome incluem falta de acesso a água potável, alimentos insuficientes, condições insalubres e negligência médica sistemática. Além disso, há relatos sobre o superlotação extrema, com até 1.700 pessoas em um espaço inicialmente projetado para apenas 600. Os detentos também relataram condições desumanas, como dormir no chão e falta de acesso a chuveiros e chamadas. A morte de um detento ucraniano e o testemunho de desespero de um cubano refletem a gravidade da situação.
Que ações o governo americano tomou em relação aos abusos em Krome?
Recientemente, o governo dos Estados Unidos fechou três escritórios de supervisão do Departamento de Segurança Interna responsáveis por investigar abusos nesses centros, o que gerou críticas e preocupação entre defensores dos direitos humanos. Sem vigilância independente, aumentam os riscos para os migrantes, e as denúncias de abusos continuam sem uma resposta efetiva das autoridades.
Como a política migratória da administração Trump afeta os detidos em Krome?
A política migratória da administração Trump endureceu as condições para os migrantes, incluindo a eliminação de programas de "liberdade condicional" humanitária e o aumento das deportações. Isso gerou um clima de incerteza e preocupação entre os migrantes, especialmente aqueles de países como Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela. A expansão do sistema de detenção e a utilização de bases militares para abrigar migrantes reforçam a postura anti-imigração do governo atual.
Que medidas o ICE está implementando para enfrentar a superlotação em Krome?
O Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE) reconheceu a superlotação em suas instalações e assegura que está implementando medidas para gerenciar a capacidade e garantir o tratamento humano. No entanto, as denúncias de condições desumanas continuam, questionando a eficácia dessas medidas. As transferências de detidos para outras instalações são parte das ações tomadas, mas não resolveram os problemas fundamentais.
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