Cubana nos EUA lamenta a violência em Cuba: "Parte o alma, e mais ainda quando são pessoas que você conhece"

Uma cubana nos Estados Unidos compartilhou no TikTok sua dor pela morte de um amigo de seu pai, supostamente esfaqueado durante um roubo em Cuba. Seu testemunho se soma a uma onda de fatos violentos recentes que geram alarme entre os cubanos dentro e fora da ilha.


Uma cubana nos Estados Unidos compartilhou no TikTok sua consternação com o crescente clima de violência que se vive na ilha. Em um vídeo publicado em sua conta, a usuária @saylin4020 relatou, visivelmente afetada, que um amigo de seu pai morreu após ser esfaqueado durante uma tentativa de roubo em sua casa.

“Senhores, é triste ver o nível de violência que há em Cuba, digo isso sinceramente”, expressou no início do vídeo. Segundo contou, durante a noite anterior, vários homens entraram para roubar na casa da vítima, que ao ouvi-los decidiu enfrentá-los. “Ele foi atrás, conseguiu encarar os ladrões, os ladrões o esfaquearam, o deixaram jogado ”, relatou. Acrescentou que foi encontrado na manhã seguinte e levado ao hospital, mas faleceu antes de receber atendimento médico. “Imagine, a noite toda lá jogado e esfaqueado”, disse, chocada.

A cubana lamentou que os assaltantes levaram apenas “um cavalo e uma junta de bois”, o que, em suas palavras, evidencia o desprezo pela vida humana. “Isso é o que vale a vida de uma pessoa em Cuba e é realmente triste e parte a alma”, afirmou. Também destacou que a vítima era uma pessoa trabalhadora, que não fazia mal a ninguém: “São pessoas que você conhece, que você sabe que se dedicam a trabalhar… e que alguém venha à noite para roubar, enquanto você está dormindo, descansando, e que você queira defender o que é seu e, ao final, acabe morto”.

O testemunho gerou uma forte reação no TikTok. Alguns usuários se uniram à dor de Saylin com expressões de incredulidade e tristeza. “Meu Deus, por Deus Pai nosso, o que está acontecendo em nosso país?” comentou uma seguidora. Outros compartilharam experiências semelhantes. Uma usuária relatou que seu pai, proprietário de uma fazenda, também foi vítima de um ataque: “Aconteceu algo parecido, felizmente as facadas não foram profundas e ele chegou a tempo ao hospital. Os ladrões, bem, nunca o pegaram”. Outro usuário lembrou que seu tio foi assassinado em Bayamo para roubar um celular velho: “Deram três facadas a ele às 5 da manhã, quando ia para o trabalho... em Cuba, a vida não vale nada”.

Também houve comentários que expressaram indignação diante da resposta institucional: “E assim é, e para a polícia eles prendem e soltam em meses”, disse uma usuária. Saylin respondeu: “Exatamente”.

Este testemunho se soma a uma série de eventos violentos ocorridos recentemente na ilha, que foram reportados por mídias independentes e denunciados por cidadãos nas redes sociais. Em Santiago de Cuba, um homem atacou sua parceira com um facão e depois se suicidou, tudo na presença dos filhos menores de idade. Em Matanzas, um músico de rua com deficiência mental foi esfaqueado durante uma tentativa de roubo. Também em Santiago, um idoso foi assassinado supostamente para roubar sua chequera e uma televisão, e um jovem ladrão foi detido por vizinhos após um roubo semelhante.

Em Artemisa, um médico foi brutalmente assassinado com 22 facadas durante um apagão, e em Havana um motorista foi morto apunhalado por um passageiro que o havia contratado para uma viagem. Camagüey também não escapa a essa situação: moradores do Reparto La Mosca denunciam a presença de encapuzados que assaltam transeuntes e roubam residências durante a madrugada.

Embora os relatos variem, o pano de fundo comum é o mesmo: medo, impotência e uma percepção generalizada de impunidade. Saylin4020, assim como outros cubanos dentro e fora da ilha, expressa uma dor compartilhada e uma preocupação que transcende o pessoal. “É realmente triste”, repetiu mais de uma vez em seu vídeo. E com essa frase simples, deu voz a uma realidade que muitos vivem em silêncio.

Perguntas frequentes sobre a violência e a crise em Cuba

Como a violência está afetando a vida cotidiana em Cuba?

A violência em Cuba está gerando um clima de medo e impotência entre os cidadãos, que se sentem inseguros até mesmo em seus próprios lares. Os roubos violentos, como o assassinato de um amigo do pai de uma cubana nos EUA, refletem a falta de proteção e resposta efetiva por parte das autoridades, o que contribui para uma percepção generalizada de impunidade na ilha.

Qual é o papel das redes sociais na denúncia da violência em Cuba?

As redes sociais, especialmente plataformas como TikTok, tornaram-se um meio crucial para que os cubanos denunciem a violência e as injustiças que vivem na ilha. Testemunhos pessoais, como os de Saylin nos EUA, geram consciência e solidariedade entre a diáspora e os cidadãos dentro de Cuba, permitindo que essas denúncias transcendam fronteiras e cheguem a uma audiência global.

Qual é a resposta do governo cubano diante da crescente violência?

De acordo com depoimentos e denúncias feitas por cidadãos, a resposta do governo cubano tem sido insuficiente, o que gerou críticas e indignação. A percepção de impunidade e a falta de ação efetiva por parte das autoridades levaram muitos a expressar sua frustração e desconfiança em relação ao regime na gestão da segurança pública.

Quais fatores contribuem para a violência em Cuba?

A crise econômica, a fome e a miséria são fatores significativos que contribuem para o aumento da violência em Cuba. O desespero de muitos cidadãos pela falta de recursos básicos tem levado a um aumento nos roubos e em outros crimes, exacerbando a insegurança na ilha.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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