Díaz-Canel chama mercenários os jornalistas independentes e celebra a retirada de fundos

O desmantelamento dos programas de ajuda, embora tenha afetado a operatividade de alguns meios, não conseguiu silenciar completamente as vozes dissidentes.


Em um recente encontro com jornalistas espanhóis, o governante cubano Miguel Díaz-Canel atacou os meios de comunicação independentes e seus trabalhadores, a quem qualificou de "mercenários" a serviço de interesses estrangeiros.

As declarações ocorrem em um contexto tenso para a imprensa livre em Cuba, após a administração de Donald Trump ter implementado cortes nos fundos destinados à democratização da ilha, incluindo os programas de apoio aos meios de comunicação e organizações não governamentais.

"Todo um grupo de projetos midiáticos contra a revolução cubana, e portanto, nós consideramos que se as pessoas que trabalhavam nessas plataformas midiáticas, servindo a um governo inimigo, financiadas por um governo para nos agredir, eram mercenários", expressou Díaz-Canel.

Suas palavras ressaltam sua postura de hostilidade em relação às vozes críticas da mídia, a qual considera instrumentos a serviço da "intoxicação midiática" que busca desacreditar o governo cubano.

O governante cubano aproveitou a ocasião para celebrar o desmantelamento de meios de comunicação financiados pelos Estados Unidos, destacando que a política da administração Trump havia enfraquecido a infraestrutura dos meios "subversivos".

"Agora chama a atenção, eles mesmos se revelaram", apontou, referindo-se à recente redução das operações da Radio e TV Martí, canais financiados pelo governo dos Estados Unidos para divulgar notícias na Ilha.

"Estão fechando, tiveram demissões em massa. Mas além disso, vejam até onde se chega quando se quer fazer mal. Nós tivemos, pela inteligência e criatividade do nosso povo, condições tecnológicas que impediram que a TeVe Martí e a rádio Martí pudessem... Ou seja, as mantiveram por capricho", ressaltou.

Para Díaz-Canel, esta situação é uma amostra de como os meios de comunicação financiados do exterior fazem parte de uma estratégia política para desestabilizar o regime cubano.

O que Díaz-Canel não menciona é o impacto dessas políticas na capacidade dos jornalistas cubanos de informar livremente e sem as pressões do poder estatal.

O fechamento de meios como Radio e TV Martí, que estão ativos há mais de 40 anos, e os cortes nos fundos da USAID afetam diretamente as vozes dissidentes que conseguiram, apesar das restrições, documentar e expor as realidades sociais, políticas e econômicas que o regime cubano tentou ocultar.

Medios como CubaNet, Diario de Cuba e CiberCuba -esta última se financia apenas com publicidade- têm sido fundamentais para oferecer à comunidade internacional uma visão de Cuba que escapa à narrativa oficial imposta pelo regime castrista.

Apesar dos esforços do regime para censurar a imprensa independente, o retorno de alguns fundos destinados a projetos de mídia e organizações que promovem a democracia em Cuba oferece uma luz de esperança para aqueles que defendem a liberdade de expressão.

Em março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos restabeleceu certos contratos que haviam sido suspensos durante a administração Trump, permitindo que meios como CubaNet recebam novamente apoio econômico. Isso, apesar da pressão do governo cubano, que não hesita em classificar esses fundos como "subversivos".

O retorno desses recursos foi interpretado por muitos como um sinal de que a luta pela democracia em Cuba não foi derrotada.

No entanto, Díaz-Canel não deixa de aproveitar a ocasião para atacar os Estados Unidos, afirmando que o povo norte-americano deveria "pedir contas sobre onde foram gastos parte de seus aportes orçamentários, para a subversão contra Cuba".

Em seu discurso, o mandatário cubano também destacou a "criatividade" do governo cubano para contrabalançar as tentativas de ingerência externa, ignorando que, em muitas ocasiões, essa "criatividade" se traduz no controle e na repressão da liberdade de imprensa dentro da Ilha.

A postura do regime cubano em relação aos jornalistas independentes reflete uma estratégia de deslegitimação baseada no desprestígio daqueles que se atrevem a questionar o relato oficial.

Para o governo de Díaz-Canel, qualquer meio que não siga a linha ditada pelo Partido Comunista está a serviço de interesses alheios, algo que foi amplamente refutado por jornalistas e analistas internacionais, que apontam que os meios independentes são essenciais para dar visibilidade à situação dos direitos humanos, à repressão política e à crescente crise econômica que atravessa Cuba.

O desmantelamento dos programas de ajuda, embora tenha afetado a operatividade de alguns meios, não conseguiu silenciar completamente as vozes dissidentes.

Nesse sentido, a recente reativação parcial de fundos e a crescente solidariedade internacional com os jornalistas independentes sugerem que o futuro do jornalismo livre em Cuba, embora incerto, continua sendo uma luta valiosa pela qual muitos continuarão lutando.

Perguntas Frequentes sobre a Situação da Imprensa Independente em Cuba

Por que Miguel Díaz-Canel qualifica de "mercenários" os jornalistas independentes em Cuba?

Miguel Díaz-Canel considera os jornalistas independentes como "mercenários" porque acredita que estão a serviço de interesses estrangeiros, financiados por governos como o dos Estados Unidos para desestabilizar o regime cubano. Essa desqualificação é parte de uma estratégia mais ampla para deslegitimar os meios de comunicação que criticam o governo cubano e oferecem informações alternativas à narrativa oficial.

Qual tem sido o impacto do fechamento da Radio e TV Martí em Cuba?

El fechamento da Radio e TV Martí, ordenado pela administração de Donald Trump, foi celebrado pelo regime cubano como uma vitória, pois elimina uma fonte chave de informação alternativa que contrabalançava a propaganda estatal. No entanto, gerou preocupação entre opositores e organizações que consideram esses meios vitais para a luta pela liberdade de expressão em Cuba.

Quais medidas os Estados Unidos tomaram em relação ao financiamento de meios de comunicação independentes em Cuba?

Recentemente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos restaurou alguns fundos para meios independentes em Cuba, como parte de seu compromisso com a promoção dos direitos humanos. Meios como o Cubanet começaram a receber novamente apoio financeiro, o que oferece esperança para a imprensa independente, embora muitos outros subsídios ainda estejam em revisão ou tenham sido eliminados.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.