Processam a Airbnb após uma violenta agressão sexual contra uma mulher em uma casa de aluguel de férias no sul da Flórida

A mulher foi estuprada por um intruso que entrou na residência.


Uma mulher do sul da Flórida ajuizou uma ação judicial contra a plataforma de aluguel de temporada Airbnb, o proprietário do imóvel e a empresa de limpeza para a qual trabalhava, após denunciar que foi estuprada por um intruso enquanto realizava serviços de limpeza em uma propriedade localizada em Fort Lauderdale, no condado de Broward.

O caso, que veio à tona esta semana após uma emocionante coletiva de imprensa, reacendeu o debate sobre a segurança nesse tipo de acomodação.

A agressão: Aconteceu durante seu dia de trabalho

Segundo o que consta na demanda, a agressão sexual ocorreu no dia 28 de agosto do ano passado, quando a vítima -identificada como "Jane Doe" para preservar seu anonimato- foi limpar uma casa alugada através do Airbnb na área da 19th Street no Sudeste e na South Federal Highway, após os hóspedes terem deixado o local.

Foi nesse momento que, segundo relata a denúncia, um homem entrou na casa e a atacou sexualmente.

O agressor, que ainda não foi identificado, conseguiu fugir do local e continua sem ser capturado, apesar dos esforços da polícia de Fort Lauderdale.

“Minha vida mudou completamente para sempre, é difícil, doloroso… Tomara que isso nunca tivesse acontecido, mas hoje estou aqui por tantas pessoas que foram silenciadas”, expressou a vítima durante a coletiva de imprensa, citada pela imprensa local.

A mulher se mostrou visivelmente afetada, mas decidida a tornar sua história pública para buscar justiça e evitar que mais mulheres passem pelo mesmo.

Não ficou claro por que a afetada demorou até agora para entrar com a ação.

Histórico de incidentes ignorado pelo Airbnb

A demanda apresentada pela sua equipe jurídica, liderada pelo advogado Joshua Kushner, sustenta que este não foi um fato isolado.

O documento judicial menciona pelo menos dois incidentes violentos anteriores ocorridos na mesma propriedade antes da violação.

Um deles envolveu um hóspede que denunciou o roubo de seu computador portátil durante sua estadia na acomodação.

O outro ocorreu apenas uma semana antes do ataque sexual, quando um homem quebrou uma janela e se trancou dentro da residência, sendo encontrado pelos próprios inquilinos, conforme consta na denúncia.

“É muito importante que o Airbnb avise os clientes de que há problemas de segurança com esta casa”, enfatizou Kushner, que acusou a plataforma de não tomar nenhuma medida de prevenção ou alerta, apesar do histórico de eventos que evidenciavam um ambiente arriscado.

Airbnb nega responsabilidade pela trabalhadora

A equipe jurídica da vítima processou a Airbnb, o proprietário da casa e a empresa de limpeza contratada, argumentando que todos são responsáveis por não garantir condições mínimas de segurança para aqueles que trabalham nesses imóveis.

No entanto, o Airbnb respondeu alegando que não tem responsabilidade direta, uma vez que a vítima não era uma hóspede, mas sim uma trabalhadora terceirizada.

“O Airbnb está dizendo que não tem responsabilidade, porque nossa cliente não é uma hóspede, mas as trabalhadoras são muito importantes”, criticou Kushner, denunciando a postura da empresa como uma forma de escapar das responsabilidades em relação àqueles que tornam seu modelo de negócio possível.

Um apelo a reformas na indústria de aluguel por temporada

Durante a coletiva de imprensa, a vítima enfatizou que sua motivação para falar publicamente vai além de seu caso pessoal: busca promover reformas que protejam as trabalhadoras de limpeza expostas a condições inseguras em propriedades mal supervisionadas.

“Tomara que não estivesse aqui. Tomara que isso nunca tivesse acontecido, mas estou aqui, e hoje estou aqui para falar não apenas por mim, mas também por outras pessoas que foram feridas e silenciadas”, disse.

A demanda exige que o Airbnb implemente requisitos mais rigorosos de segurança nas residências listadas na plataforma, incluindo verificações de antecedentes, comunicação de incidentes anteriores e medidas de acesso restrito para evitar intrusos.

“Vivo com este medo, esta violação, todos os dias, mas me recuso a permitir que se ignore o que me aconteceu”, declarou, comovida, ao final de sua intervenção.

A investigação permanece em andamento

A polícia de Fort Lauderdale está encarregada da investigação e reiterou seu apelo à cidadania para que colaborem fornecendo qualquer informação que possa levar à captura do agressor.

Quem puder oferecer informações relevantes pode entrar em contato com a linha de Alto ao Crime do condado de Broward, ligando para o número (954) 493-8477. As autoridades garantem confidencialidade nas denúncias.

Airbnb no olho do furacão na Flórida

Esta semana, foi revelado que a crescente presença de aluguéis de curto prazo em bairros residenciais de Miami provocou uma onda de indignação entre seus habitantes, que denunciam alterações significativas na convivência e na segurança de suas comunidades.

Bairros como Brickell, Shenandoah e Los Roads têm visto ameaçada sua tranquilidade pelo constante vai e vem de inquilinos temporários.

Segundo o que reportou Telemundo 51, os residentes afirmam que plataformas como Airbnb estão transformando casas particulares em “pequenos hotéis” sem controle ou supervisão suficientes. Isso gerou festas barulhentas, comportamentos suspeitos e uma sensação generalizada de insegurança.

Diante dessa problemática, as associações de moradores começaram a se organizar e exigir sanções mais severas. Os vizinhos insistem na urgência de reformas locais que regulamentem com maior rigor os aluguéis de curto prazo, e que devolvam a paz a comunidades que durante anos foram caracterizadas por sua vida tranquila.

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