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A execução de Michael Tanzi, que assassinou há quase 25 anos Janet Acosta, uma funcionária do jornal Miami Herald, está programada para o próximo dia 8 de abril na Prisão Estadual da Flórida.
O caso, que causou comoção no sul do estado em 2000, recuperou notoriedade pública em razão das ações legais de última hora empreendidas por sua defesa para impedir a execução.
Um crime que chocou Miami e os Cayos da Flórida
No dia 12 de abril do ano 2000, Janet Acosta aproveitava seu intervalo para o almoço lendo tranquilamente dentro de sua camionete estacionada em um parque de Miami.
Foi então que Michael Tanzi, que na época tinha 23 anos, irrompeu violentamente no veículo. Ele se aproximou dela, deu-lhe um soco no rosto, a empurrou, entrou no carro e foi embora.
Durante horas, Tanzi manteve Acosta cativa enquanto se dirigia aos Cayos da Flórida.
Nesse trajeto, ele a amarrou, a agrediu sexualmente, utilizou seu cartão bancário para retirar dinheiro em vários caixas eletrônicos e, por fim, a estrangulou em uma área isolada de Cayo Cudjoe.
Posteriormente, abandonou o cadáver e continuou seu caminho até Cayo Hueso, onde se encontrou com amigos.
A desaparecimento de Acosta foi reportado por seus conhecidos. A caminhonete da vítima foi localizada dias depois, abandonada na rua Duval, em Cayo Hueso, uma área movimentada e cheia de turistas.
A confissão de Tanzi não demorou: ao ser confrontado pelos agentes, ele confessou seu crime e levou os investigadores ao local onde havia abandonado o corpo.
Uma condenação sem dúvida e uma sentença de morte ratificada
En 2003, após um processo judicial em que Tanzi se declarou culpado de homicídio em primeiro grau, sequestro e roubo à mão armada, um júri recomendou por unanimidade a pena de morte.
Desde então, o acusado apresentou múltiplos recursos, todos eles negados.
Finalmente, o governador da Flórida, Ron DeSantis, assinou a ordem de execução no dia 10 de março, fixando a data para 8 de abril de 2025.
Esta será a terceira execução do ano na Flórida.
Em fevereiro, foi executado James Dennis Ford pelo assassinato de um casal em 1997, e em março foi executado Edward James, condenado pela violação e assassinato de uma menina de oito anos e pelo homicídio de sua avó no condado de Seminole.
Um giro inesperado: Tanzi alega que sua saúde impossibilita uma execução sem sofrimento
À medida que se aproxima a data de sua execução, a defesa de Michael Tanzi iniciou uma nova ação legal.
Em um pedido apresentado perante a Suprema Corte da Flórida, os advogados alegam que as condições físicas de seu cliente, incluindo obesidade mórbida, ciática, refluxo ácido e apneia do sono, poderiam interferir no procedimento de injeção letal.
“El protocolo atual não prevê ajustes na dosagem do sedativo de acordo com o peso do indivíduo”, explicaram os defensores em sua apelação, citada pela imprensa local.
Segundo suas estimativas, o sedativo etomidato poderia não ter efeito total, deixando Tanzi “paralisado, mas consciente” durante a administração do acetato de sódio, o que geraria uma “sensação de queimadura interna” e sofrimento prolongado.
Também advertiram que Tanzi poderia sofrer um “edema pulmonar, o que lhe geraria uma sensação de asfixia e sufocamento”, e que, ao estar deitado de costas, suas condições médicas aumentariam o risco de aspirar seu próprio vômito.
"Executar o Sr. Tanzi utilizando os protocolos existentes provavelmente lhe causará doenças graves e sofrimento desnecessário", concluíram os advogados.
Dificuldades médicas e logísticas
Um dos elementos-chave da apelação está relacionado à dificuldade de inserir as vias intravenosas necessárias para aplicar o coquetel de três fármacos que compõe o protocolo de injeção letal da Flórida.
A obesidade extrema de Tanzi dificultaria o acesso venoso, um problema que poderia resultar em atrasos, punções mal-sucedidas e maior agonia.
Os advogados insistiram que o Estado não está preparado para executar pessoas com as condições médicas complexas que o seu cliente apresenta.
“Os protocolos existentes para a injeção letal não contemplam a execução de pessoas com obesidade e condições médicas não controladas, como as do Sr. Tanzi, que provavelmente complicariam o processo”, afirmaram no recurso judicial.
Resposta do Estado: "Não há evidências de que o protocolo seja inconstitucional."
O escritório do procurador-geral da Flórida, dirigido por James Uthmeier, respondeu de forma contundente à apelação, acusando os advogados de Tanzi de agirem com dilação.
“Tanzi não oferece nenhum respaldo à sua afirmação infundada de que a dose maciça de etomidato não funcionará em seu caso”, sustentou a Fiscalia em seu documento.
Segundo Uthmeier, o sedativo tem sido utilizado “repetidamente e com sucesso” em execuções anteriores, sem que haja evidências de falhas relacionadas ao peso dos condenados.
Asimismo, lembrou que o condenado teve “tempo de sobra” para apresentar esse tipo de objeções e que fazê-lo uma semana antes da execução revela uma estratégia puramente dilatória.
O debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos
O caso Tanzi reaviva uma discussão nacional sobre a aplicação da pena de morte e os padrões de humanidade que devem ser respeitados em sua execução.
Embora a Flórida contemple dois métodos - a injeção letal e a cadeira elétrica - o debate se intensificou nos últimos anos devido à eficácia e aos possíveis efeitos colaterais dos fármacos utilizados.
De fato, a controvérsia não se limita ao estado do Sol.
Em Carolina do Sul, um homem condenado à morte escolheu ser executado por pelotão de fuzilamento, temendo que a injeção letal lhe causasse uma morte lenta e dolorosa. Foi a primeira execução desse tipo no estado e a primeira nos EUA em mais de 15 anos.
Com a data de execução cada vez mais próxima, a decisão final recai agora sobre a Suprema Corte da Flórida.
Se a suspensão for concedida, o processo será reaberto com base na avaliação médica e legal sobre os riscos que a execução de Tanzi apresenta. Caso contrário, na próxima terça-feira, 8 de abril, ocorrerá a terceira execução do ano na Flórida.
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