¿Admirada ou temida? Miguel Díaz-Canel voltou a acender a polêmica com um discurso carregado de épica revolucionária e autocelebração, ao afirmar que os órgãos da Segurança do Estado em Cuba são “eficientes”, “respeitados” e até “invejados” pelo resto do mundo.
As declarações, proferidas no Palácio da Revolução e transmitidas no podcast oficial Desde La Presidência, foram recebidas com uma mistura de incredulidade, zombarias e rejeição tanto dentro quanto fora da ilha.
No encontro realizado em 26 de março com oficiais do Ministério do Interior (MININT), Díaz-Canel não poupou elogios ao aparelho repressivo que sustenta o regime há mais de seis décadas. “Já não somos tão inexperientes, já não somos tão incrédulos, já somos uma segurança com a qual você pode contar em qualquer confronto”, afirmou com tom solene.
O governante insistiu que a Segurança do Estado não é apenas eficaz, mas é uma “referência global”. “São uma referência, porque no mundo se fala com uma tremenda admiração, e até os inimigos têm que reconhecer a eficiência dos órgãos da Segurança do Estado”, garantiu.
Durante o discurso, também glorificou as origens desta maquinaria de controle social, atribuindo-lhe um caráter quase filosófico: “Há toda uma conceitualização da Segurança do Estado própria do país”, disse, destacando a “contribuição” do ditador Fidel Castro e de seu irmão, o General reformado Raúl Castro em seu desenho. Segundo Díaz-Canel, trata-se de um “baluarte” da Revolução que deve encher de orgulho todos os cubanos.
O momento mais dramático chegou quando usou um dos argumentos clássicos do castrismo para justificar a existência de tal aparato: as tentativas de assassinato contra Fidel Castro.
“La Segurança cubana protegiu o Comandante em Chefe de mais de 600 tentativas de atentado planejadas por um país poderoso (…) e que nenhuma tenha conseguido ter resultado é motivo suficiente para demonstrar sua eficácia”, afirmou.
Pero Díaz-Canel foi além, comparando o sistema cubano com os Estados Unidos, que classificou como um “império” desprovido de princípios.
“Vocês são testemunhas excepcionais de como o império trabalha: não é baseado em ideias, honra ou vergonha, é baseado em subornos, corrupção e dinheiro, apelando aos instintos mais baixos dos seres humanos (…) Eles compraram traidores, mas o que nunca poderão comprar com todo o ouro do mundo é o caráter de homens e mulheres como vocês”, expressou, em um tom altamente ideologizado.
Cerrrou o encontro dizendo que “não são necessárias muitas palavras para expressar a vocês o apreço pela missão cumprida”, reafirmando seu apoio total àqueles que, sob o uniforme do MININT, têm se encarregado há anos de infiltrar, vigiar e punir todos que se atreverem a dissentir.
Organismos como Human Rights Watch, Amnistía Internacional e organizações não governamentais cubanas têm denunciado reiteradamente a Segurança do Estado cubano por seu papel na repressão do 11J, a perseguição de jornalistas independentes e as detenções arbitrárias. Apesar disso, o regime insiste em revestir essa estrutura de repressão com um manto de heroísmo e lealdade revolucionária.
As redes sociais explodiram após o discurso: “Não é coragem, é medo o que semearam no povo. E isso não se admira, se denuncia”, comentou um usuário.
Perguntas Frequentes sobre a Segurança do Estado em Cuba e as Declarações de Díaz-Canel
Por que Díaz-Canel afirma que a Segurança do Estado cubano é admirada em nível global?
Díaz-Canel afirma que a Segurança do Estado é um referencial global devido à sua suposta eficácia e lealdade revolucionária. Ele argumenta que até mesmo os inimigos de Cuba reconhecem sua eficiência, embora essa afirmação tenha sido recebida com incredulidade e rejeição, tanto dentro quanto fora do país.
Qual é o papel da Segurança do Estado no regime cubano segundo as organizações internacionais?
Organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional denunciaram que a Segurança do Estado cubano é responsável pela repressão na ilha, incluindo a perseguição de jornalistas independentes e as detenções arbitrárias. Essas ações são vistas como parte de um sistema de controle social que sustenta o regime.
Como a população cubana reagiu às declarações de Díaz-Canel sobre a Segurança do Estado?
A reação foi de incredulidade, zombaria e rejeição. Muitos cidadãos e usuários nas redes sociais criticam que o discurso de Díaz-Canel está desconectado da realidade, ressaltando que a repressão e o medo são o que a Segurança do Estado realmente semeou no povo cubano.
Qual é o legado histórico que Díaz-Canel atribui à Segurança do Estado em Cuba?
Díaz-Canel destaca que a Segurança do Estado foi desenhada por Fidel e Raúl Castro e a considera um "baluarte" da Revolução que deveria encher os cubanos de orgulho. No entanto, este legado é questionado pelo seu papel na repressão da dissidência e no controle social em Cuba.
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