Durante a última década, o Estado cubano destinou a moeda proveniente do comércio exterior e as remessas arrecadadas para financiar a construção de hotéis e, aparentemente, para pagar dívidas, conforme indicam os dados disponíveis na Balança de Pagamentos.
A Balança de Pagamentos (BP), segundo a enciclopédia econômica Economipedia, é "um documento contábil no qual se registram operações comerciais, de serviços e de movimentos de capitais de um país com o exterior".
Está essencialmente composta por duas subcontas: a Conta Corrente (CC) e a Conta de Capital e Financeira (CKF). A primeira demonstra qual é a relação determinante com o setor externo, e a segunda, se o destino desses fluxos é para questões de dívidas ou de investimentos estrangeiros, no caso de superávit, ou a natureza do financiamento, no caso do déficit.
Por sua parte, a CC coleta os saldos da balança comercial, ou seja, exportações e importações, que é a principal fonte de divisas de qualquer país que não seja emissor dessas. Inclui, além disso, o saldo das transferências de rendas primárias, isto é, o envio de lucros e pagamentos de salários realizados por empresas estrangeiras que operam no país em análise, bem como os recebimentos de empresas nacionais que atuam no exterior. Por último, temos as transferências correntes, que são, basicamente, remessas.
O uso da BP por parte de especialistas, analistas e funcionários permite diagnosticar os fluxos das economias com o exterior, como base de análise para traçar políticas econômicas e tomar decisões.
No caso de Cuba, um país cujas instituições carecem de transparência, de modo que as políticas governamentais e o uso do dinheiro público não são informados de maneira oportuna, sistemática e clara, a BP também serve para conhecer o que o governo oculta ou manipula.
Assim, ao realizar uma leitura informada da BP, obtêm-se imagens claras sobre a economia cubana. Seus dados revelam que entre os anos de 2010 e 2019, Cuba teve exportações líquidas positivas, ou seja, suas exportações foram suficientes para cobrir tudo o que importou e, além disso, sobraram recursos. O país teve, por meio da exportação, ganhos que variavam de 1.700 a 3.900 milhões de USD anualmente.
Por outro lado, o saldo de remessas foi positivo em quase todos os anos, chegando a ser de 1,800 milhões de USD, quando até José Luis Rodríguez, ex-ministro da economia castrista, menciona os 2,000 milhões.
Ambas cifras, as exportações líquidas e as remessas, representam as receitas em divisas que Cuba recebeu e que o Estado teve disponíveis para, como qualquer nação, pagar dívidas, investir e pagar a empresas estrangeiras que operam no país.
Entre 2010 e 2019, o Estado destinou a pagar a empresas estrangeiras que operavam em Cuba quantias que variavam de 900 a 1.900 milhões de dólares a cada ano, segundo os dados oficiais coletados na BP desse período. Nesses anos, o império francês Bouygues esteve executando projetos de construção de hotéis em Cuba, como a remodelação do Packard, inaugurado em 2018; do Manzana, inaugurado em 2017, e a construção do Laguna del Este V, conforme consta no site da companhia francesa. Portanto, esta última foi uma das empresas estrangeiras que recebeu pagamentos de Cuba.
Outra parte da divisa, conforme os dados oficiais, foi destinada a custear investimentos. Sobre a estrutura desses investimentos, o que mais se destaca é que a maior parte se concentrou nos hotéis, com seu crescimento máximo entre os anos de 2015 e 2019. Entre eles, destaca-se o hotel K23, que está em construção desde 2018 e que está sendo erguido com capital cem por cento cubano, segundo informou a revista cubana Juventud Técnica em maio de 2023.
Após pagar a empresas estrangeiras que operavam na ilha e financiar investimentos, as cifras da Balança de Pagamentos indicam que ao Estado restavam entre 1.200 e 3.100 milhões de dólares por ano, destinados ao pagamento de dívidas ou a investir no exterior, sendo a primeira opção a mais provável, uma vez que não há indícios de que Cuba esteja realizando investimentos significativos fora do país. Além disso, o Escritório Nacional de Estatística e Informação (ONEI), órgão oficial responsável pela elaboração e divulgação da BP, não publica a parte que mostre essas informações para os anos observados.
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