Uma funcionária do Ministério das Relações Exteriores (MINREX) assegurou a norte-americanos em visita à Ilha que, em Cuba, ao contrário dos Estados Unidos, os hotéis são do povo.
Johana Tablada, subdiretora geral da Direção dos Estados Unidos do organismo, reuniu-se com mais de 150 líderes de movimentos e organizações sociais desse país nos jardins do restaurante 1830, em Havana, onde expressou com veemência que o dinheiro gasto pelos estrangeiros no país se destina aos serviços públicos.
"É totalmente oposto ao que diz os Estados Unidos, que o dinheiro vai parar no exército e toda essa besteira que eles falam o tempo todo. No caso de Cuba, o dono dos hotéis é o povo cubano, o dinheiro que vocês gastam no hotel vai para os serviços públicos, para a saúde, para a educação", assegurou.
A diplomática "esqueceu" de mencionar que até há cerca de 15 anos os cubanos residentes no país não podiam se hospedar em hotéis mesmo tendo dinheiro para pagar a estadia, uma proibição que se manteve até 2008, quando Raúl Castro a revogou com o objetivo de atrair mais divisas.
Inclusive, agora, os cubanos continuam sendo discriminados em seu próprio país.
Em novembro de 2021, quando as fronteiras foram reabertas para turistas internacionais após o fechamento devido à pandemia, foi ordenado que os cubanos que quisessem se hospedar em Varadero não poderiam fazê-lo nos mesmos hotéis dos estrangeiros.
Na quinta-feira, durante o encontro com os comunistas norte-americanos, Tablada se referiu à situação da infância em Cuba e repetiu o clichê do regime de que todas as crianças vão à escola gratuitamente.
"Não temos a Torre Trump, e é por isso que vocês não veem, em um momento em que nossa economia está sob tremenda pressão, não verão crianças mendigando nas ruas", afirmou.
“Essa não é a imagem do nosso hemisfério, onde países mais ricos que Cuba terão crianças pedindo. Em Cuba, se vocês acordarem cedo, verão uma das mais belas cenas de todo o planeta. Não importa se são ricos ou pobres, se seu pai é enfermeiro, um trabalhador ou até mesmo um oficial, todos irão vestidos iguais para a escola às 7h30, porque nenhum deles precisa trabalhar para sobreviver”, afirmou entre aplausos.
A dirigente também falou sobre o impacto do embargo econômico dos Estados Unidos e garantiu que o enorme êxodo migratório cubano dos últimos anos se deve às sanções impostas pelas administrações Trump e Biden.
"A lógica da política é aplicar as máximas e extremas de guerra econômica contra Cuba e, ao mesmo tempo, fazer um esforço monumental com uma operação de desinformação para que o povo cubano e o mundo acreditem que Cuba é a responsável pelo impacto das sanções norte-americanas e das medidas coercitivas que nos impõem", disse.
"Eles gastam milhões para pagar pessoas que escrevem que a razão para 300.000 cubanos aparecerem na fronteira sul dos Estados Unidos em um ano não tem nada a ver com as recentes medidas adicionais que, além do bloqueio, Trump e Biden impuseram em Cuba durante a pandemia", acrescentou.
Os visitantes, que fazem parte de uma brigada de solidariedade com o regime e participarão das celebrações do Primeiro de Maio, visitaram o Centro Fidel Castro Ruz, uma instituição estatal destinada a difundir o pensamento e a obra do falecido ditador, assim como os supostos feitos da revolução.
A delegação chegou à nação caribenha no passado dia 24 de abril, com o objetivo de "renovar os históricos laços de solidariedade entre os povos dos dois países", segundo comunicado do MINREX, e trocaram ideias com sindicatos, artistas e coletivos juvenis cubanos.
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