Diplomática do regime critica Orishas: “Somos pobres, mas não há fome nem miséria em Cuba”

A funcionária diz que a letra da canção "Ojalá pase" mostra uma “imagem de outras terras do terceiro mundo”, não de Cuba.

Johana TabladaFoto © Johana Tablada/ Facebook

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A diplomática cubana Johana Tablada criticou o mais recente tema do grupo Orishas, intitulado Ojalá pase, que gerou polêmica dentro e fora da Ilha.

Em um artigo publicado no jornal oficialista Granma, Tablada afirmou que “a cancioncita” não lhe agrada, “não apenas pelo que diz, mas por tudo o que deliberadamente omite”.

A canção de Orishas critica ferozmente o regime pela crise econômica do país e descreve problemas como a separação das famílias, a fome e a frustração geral das pessoas.

Ha levantado críticas porque usa o refrão do conhecido tema Ojalá, de Silvio Rodríguez, quem acusou o grupo de fazer isso sem sua permissão, o que qualificou de “lamentável ato de parasitismo”.

Pero, segundo Tablada, o que o incomoda em Ojalá pase é sua “letra envenenada” que esquece, por exemplo, os médicos cubanos que trabalham com tanto amor.

“Quem viveu fora de Cuba sabe o que custa e o que custaria esse médico de família, esses medicamentos que hoje estão em falta devido ao bloqueio que até o combustível nos arranca com pirataria e maldade, e essas cirurgias, análises, tratamentos para o câncer, e acesso a ultrassons, raios X, ressonâncias e outros serviços especializados”, expressou.

Tablada acusou os três cantores de se colocarem ao lado do abusador e de se prestarem “seja por convicção, manipulação ou conveniência”, para levantar a mão contra tudo o que os cubanos amam.

"Não gosto de trapaça, mesquinhez, ingratidão, manipulação e oportunismo", ressaltou.

A diplomática detalhou alguns trechos da canção, como o que diz: “Hoje eu te convido a caminhar pelos meus solares, para te mostrar para que servem os seus ideais.”

Como resposta, alegou que "somos pobres, mas também não há fome nem miséria em Cuba", e disse que, apesar do bloqueio, o país "continua sendo um paradigma de justiça social e desenvolvimento humano onde as pessoas riem".

Além disso, afirma que a parte em que Orishas critica a falta de luz e água potável, bem como as estradas de lama, não é mais do que uma “imagem de outras terras do terceiro mundo” que não distingue Cuba.

Este não é o primeiro ataque que recebe Ojalá pase por parte de um representante do regime. Também Yoerky Sánchez, o diretor do meio oficialista Juventud Rebelde, sentenciou que a fama havia devorado os intérpretes cubanos.

“Quem bloqueia nosso solo? Quem sanciona e ameaça qualquer barco que passa? Quem tira aviões do céu? Que não nos enganem. Não, Orishas; claro que não. A fama os engoliu. Não mintam nem flertem, vocês sabem quem trancou o dominó”, assegurou o jornalista em sua conta no Twitter, utilizando uma linguagem poética.

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