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Um acidente ocorrido na interseção da Linha com o Paseo, em El Vedado, expôs novamente o deterioro do sistema viário de Havana, a falta de sinalização eficaz e a ausência de agentes de trânsito em pontos críticos durante os frequentes apagões que afetam a capital.
De acordo com o relatório de Alejandro V. Chassagne no grupo de Facebook "Acidentes Automobilísticos em Cuba e Informação na Via", o sinistro ocorreu quando o semáforo estava desligado.
Um carro de aluguel (tur) cruzou a Linha a partir do Paseo sem respeitar o sinal de Pare e colidiu por trás de um almendrón que circulava corretamente pela avenida Linha.
Como consequência do golpe, o motorista do veículo particular perdeu o controle e acabou batendo contra o poste do próprio semáforo.
Tanto o condutor quanto seu acompanhante foram levados ao hospital.
O acontecimento também foi reportado no grupo de Facebook "ACIDENTES DE ÔNIBUS E CAMIÕES para mais experiência e menos vítimas!" pelo usuário Ernesto Rodríguez.
As imagens compartilhadas em ambas as publicações mostram danos severos na carroceria do almendrón na parte traseira e lateral, evidência da força do impacto.
Um testemunho afirmou que o acidente ocorreu pouco depois das 20h, momento em que já não havia pessoal regulando o tráfego na área.
Indignação cidadã: imprudência, alta velocidade e semáforos apagados
Os comentários nas redes sociais refletiram uma mistura de impotência, reprovações e denúncias em relação ao que muitos consideram uma combinação perigosa de negligência estatal e falta de disciplina no trânsito.
"Sempre há alguém imprudente; quando os semáforos estão sem energia, é preciso redobrar as precauções", escreveu um usuário, apontando que em Havana é comum encontrar semáforos apagados devido aos apagões e à falta de manutenção.
Outros apontaram a velocidade excessiva do carro de aluguel: "Além da placa de Pare, existe a cortesia, e em interseções como essa não se passa a 50 km/h. Esse impacto não é de 50".
De forma reiterada, vários internautas enfatizaram a responsabilidade do condutor do ônibus, a quem acusam de imprudência por não respeitar a preferência de passagem.
"Esse tur deve ter ido bem veloz, com um excesso de velocidade super. Agora que pague os danos", escreveu uma senhora.
"A cidade sem energia e as interseções sem policiais... um verdadeiro caos."
Entre os comentários mais frequentes estavam as reclamações pela ausência de agentes de trânsito em uma interseção conhecida pelo seu alto fluxo de veículos.
Em um contexto de apagões prolongados, cidadãos enfatizaram que deixar cruzamentos importantes sem eletricidade e sem presença policial constitui uma negligência perigosa.
"Sem desconsiderar a culpa dos motoristas, não se pode normalizar o desligamento dos semáforos sem um policial que controle o trânsito. As negligências do governo são repugnantes", escreveu um residente em La Havana.
Outro usuário afirmou que a responsabilidade também recai sobre os funcionários que não preveem medidas alternativas.
"Quem não se preocupou em colocar um policial para controlar o tráfego é sim responsável. Se um funcionário fosse sancionado cada vez que há um semáforo apagado sem um agente de controle, a situação seria diferente", afirmou.
Um cuentapropista acrescentou uma crítica mordaz: "Quantos semáforos não estão sem energia… e então na outra esquina está o cavalinho parando as pessoas para ver de quem ele tira a chapa por uma lâmpada".
Diante das críticas, alguns insistiram na responsabilidade individual: "A lei esclarece o que fazer quando um semáforo não funciona. A responsabilidade é nossa, devemos estar atentos e ser disciplinados", escreveu um pai.
"A luz não é a causadora da corrente. Para que existem as sinalizações verticais? É que os motoristas não querem respeitar o direito de passagem", enfatizou um matancero.
A mesma história de sempre
O acidente na Linha e Paseo não é um fato isolado, mas sim um reflexo de um padrão repetido: apagões que deixam semáforos sem funcionar, ausência de agentes em pontos críticos, veículos que circulam em alta velocidade e uma frota de veículos deteriorada.
As redes sociais, mais uma vez, se tornaram o espaço onde os cidadãos relatam, debatêm e denunciam o que as instituições do Estado raramente reconhecem: que a mobilidade urbana em Havana está se deteriorando a um ritmo acelerado, e que as consequências - como este novo sinistro - são pagas pela população.
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