Cubano ganha seu caso de asilo nos EUA, mas o ICE não o libera: “É como se não aceitassem que eu venci”



Los Angeles Times revela o caso de um jovem cubano que, apesar de ter conquistado seu asilo nos EUA e obtido proteção contra a deportação, continua detido pelo ICE, que tenta enviá-lo para um terceiro país

Agentes do ICE durante uma detenção nos Estados Unidos em meio ao endurecimento das políticas migratórias.Foto © Facebook/Departamento de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA

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Um jovem cubano de 21 anos, identificado como R. V., conseguiu convencer um juiz de imigração de que sua vida estaria em risco caso retornasse a Cuba. Apesar de ter ganhado seu caso e obtido proteção contra deportação, ele continua preso em um centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) na Califórnia.

Sua história foi divulgada por , um site digital que cobre política global, questões migratórias e direitos humanos com base em documentos oficiais e testemunhos diretos.

R. V. fugiu de Cuba em 2024 depois de participar de protestos contra o governo. Contou que foi encarcerado, vigiado e perseguido pelas autoridades. Durante sua travessia pelo México, foi sequestrado e, ao chegar à fronteira dos Estados Unidos, pediu proteção.

Um juiz lhe concedeu withholding of removal, uma figura legal que impede sua deportação para a ilha devido ao risco que ele enfrenta. Com essa decisão, ele esperava se reunir com sua família na Flórida, mas continua detido sem que o ICE explique o motivo.

O jovem assegura que agentes migratórios o advertiram que, se não conseguirem enviá-lo a Cuba, buscarão outro país que o receba. Mencionou que falaram com ele sobre o Panamá ou Costa Rica.

“A espera é tão difícil. É como se não quisessem aceitar que eu ganhei”, contou ao meio.

Abogados citados por Los Ángeles Times consideram que este caso reflete uma mudança significativa sob a administração de Donald Trump. Segundo explicam, o ICE não libera mais automaticamente pessoas que conseguem proteção contra a deportação. A política interna prioriza mantê-las detidas enquanto o governo apela das decisões ou tenta enviá-las para terceiros países, mesmo quando não têm nenhum vínculo com essas nações.

As organizações de defesa dos migrantes alertam que esta prática penaliza até mesmo aqueles que já demonstraram que seriam perseguidos ou torturados se retornassem ao seu país. A advogada Jennifer Norris afirmou que aqueles que ganham seus casos acabam sendo tratados como criminosos e aprisionados em um limbo que pode se prolongar por meses e até anos. Ela acrescentou que as proteções concedidas por um juiz perdem sentido quando o ICE insiste em buscar rotas alternativas para deportar os migrantes.

O relatório menciona outros casos similares. Entre eles, o de Ngựa, um jovem vietnamita que obteve proteção por risco de tortura, mas continua detido enquanto o ICE tenta transferi-lo para outra nação.

Também se destaca o caso de uma mulher de Serra Leoa que foi deportada para Gana e, posteriormente, enviada de volta ao seu país de origem, apesar de um juiz ter proibido isso.

Outro exemplo é o de F. B., uma colombiana que permaneceu mais de oito meses detida enquanto as autoridades asseguravam que sua liberação era iminente. Um juiz federal acabou ordenando sua libertação ao concluir que a detenção prolongada não tinha fundamento.

Para aqueles que estão atrás das grades, a incerteza é um fardo diário. Alguns detidos explicaram que um oficial percorre os dormitórios todas as manhãs perguntando quem deseja se autodeportar. A pressão psicológica é constante e muitos temem passar anos nessa condição.

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