“Deus abandonou Cuba?”: Sacerdote responde da Espanha e faz um apelo à solidariedade

"O povo cubano se esqueceu de Deus. As pessoas tiveram medo, abandonaram a fé e as igrejas foram perseguidas. O regime manipulou a linguagem religiosa e tentou substituir o homem transformado pelo Evangelho pelo homem novo do comunismo", afirmou o sacerdote.

O sacerdote Olbier Hernández e ancião cubanoFoto © Facebook / Olbier Hernández Carbonell - CiberCuba

O sacerdote cubano Olbier Hernández, radicado na Espanha, respondeu com força espiritual a uma pergunta que muitos cubanos dentro e fora da ilha se fazem entre a desesperança e a fé: Deus abandonou Cuba?

Em uma entrevista concedida à jornalista Tania Costa para CiberCuba, o padre Olbier refletiu sobre as raízes históricas da crise espiritual e moral do país, o peso do comunismo sobre a consciência nacional e a urgência de reencontrar a fé como caminho para a liberdade.

“O povo cubano se esqueceu de Deus. As pessoas tiveram medo, abandonaram a fé e as igrejas foram perseguidas. O regime manipulou a linguagem religiosa e tentou substituir o homem transformado pelo Evangelho pelo homem novo do comunismo”, afirmou o sacerdote.

Lembrou-se também de como, nos primeiros anos da chamada Revolução, entre 1961 e 1962, o regime expulsou padres e freiras, embarcando-os no navio Covadonga para a Espanha, em um ato que qualificou como “um golpe brutal contra a Igreja Católica cubana”.

Para o padre Olbier, essa perseguição espiritual e política se repetiu de muitas formas ao longo da história: “Sempre houve um Covadonga em Cuba. Todo aquele que se destaca na dissidência ou na vida religiosa independente acaba sendo expulso ou marginalizado”.

No entanto, o sacerdote assegurou que Deus não abandonou Cuba: “Deus está onde está aquele que sofre; está em cada casa sem teto, em cada preso político, em cada família sem liberdade. Deus está no meio do sofrimento do povo cubano. É esse povo que precisa descobrir Deus para ter a força e romper as correntes da ditadura”.

Uma fé que se traduz em ação

Desde a Espanha, o padre Olbier está atualmente liderando uma campanha humanitária chamada “Um colchão, uma esperança para Cuba”, destinada a enviar colchões, ferramentas, medicamentos, produtos de higiene e alimentos para as famílias do leste cubano que perderam tudo após a passagem do furacão Melissa.

A iniciativa —coordenada junto à Fundação ‘Tocan a mi Puerta’ e ao projeto ‘Cuba Solidaria’— centraliza a coleta de donativos em Valência, onde a comunidade cubana no exílio tem respondido com generosidade.

Os interessados podem contribuir diretamente no centro paroquial da rua Archena 43 ou por meio de transferências solidárias sob o conceito “Colchón Cuba Solidaria”.

Esta não é a primeira vez que o sacerdote canaliza ajuda para a ilha. Já em 2021, a partir da paróquia San Miguel de Soternes, Hernández organizou uma ampla arrecadação de medicamentos diante da escassez e do colapso sanitário que afetavam Cuba durante a pandemia.

Com estas ações, o padre Olbier demonstra que sua fé se traduz em obras concretas. Seu trabalho caritativo e sua mensagem de esperança tornaram-se um símbolo de resistência moral diante do abandono do regime e da resignação do povo.

“Deus não se esquece de ninguém”, insistiu. “Está em cada cubano que sofre, em cada mãe que reza pelo seu filho preso, em cada idoso que passa fome. Cuba precisa voltar a acreditar para poder se levantar.”

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